quinta-feira, 3 de março de 2011

PARENTES E COMPANHEIROS.

Por mais nos queixemos de familiares ou amigos deficientes que nos causam prejuízo ou decepção, amargura ou desalento, somos forçados a perceber que possuímos neles os reflexos de nós próprios.

Quando afastados da experiência física, por força de desencarnação, encontramos, além do mundo, os resultados de nossos erros, permeando-nos os acertos.

Raramente qualquer de nós encerra o balanço de uma existência terrestre com todos os compromissos equacionados. Desse modo, somos recorporificados no berço humano para retomar o curso dos problemas que desencadeamos no caminho dos outros, a fim de resolvê-los.

Aceita os parentes enigmas e os companheiros-testes, à feição dos credores com que a Justiça Divina te promove o aperfeiçoamento e a tranqüilidade.

A perda do corpo físico não exonera o espírito imortal das obrigações que haja contraído, tanto quanto o desgaste da veste não apaga a dívida de um homem, dívida que ele assume em plenitude de responsabilidade individual.

A esposa ou a filha desajustadas, via de regra, são as irmãs que, um dia, atiraste ao desrespeito de si próprias e o marido ou o filho que te retalham a alma, a rigor, são aqueles mesmos companheiros que lançaste ao malogro das esperanças mais caras.

A penúria de hoje é a conseqüência da cobiça de ontem.
A doença de agora vem do excesso de antes.

Renteando com qualquer pessoa que te faça sofrer, exerce paciência e compreensão, auxílio e bondade.

Nós mesmos somos induzidos pela própria consciência, sequiosa de felicidade e elevação, a extirpar os espinhos que semeamos no solo bendito do tempo e da vida.

Todo débito tem sistema de resgate e todo resgate solicita execução na forma prevista de pagamento.

Isso é justo.

Do livro No Portal da Luz,
Emmanuel e Francisco Cândido Xavier.

quarta-feira, 2 de março de 2011

O homem: corpo, alma, perispírito


                                 
 Que é um ser humano?
- Um ser composto de uma alma e de um corpo, isto é, de espírito e carne.
Que é, então, a alma?
- É o princípio de vida em nós. A alma do homem é um Espírito encarnado; é o princípio da inteligência, da vontade, do amor, a sede da consciência e da personalidade.
Que é o corpo?
- O corpo é um envoltório de carne, composto de elementos materiais, sujeitos à mudança, à dissolução e à morte.
O corpo é, então, inferior à alma?
- Sim, porque ele é apenas sua vestimenta.
É necessário então desprezar o corpo, já que ele é inferior à alma?
- De maneira alguma: nada é desprezível. O corpo é o instrumento de que a alma tem necessidade para realizar seu destino; o operário não deve desprezar o instrumento com o qual ganha seu sustento.
A alma está encerrada no corpo ou é o corpo que está contido na alma?
- Nem uma nem outra coisa. A alma, que é espírito, não pode ficar encerrada num corpo; ela irradia por fora, como a luz através do cristal da lâmpada. Nenhum corpo pode mantê-la materialmente cativo; ela pode exteriorizar-se.
Como está unida a alma ao corpo, o espírito à carne?
- Por meio de um elemento intermediário, chamado corpo fluídico ou perispírito, que participa, ao mesmo tempo, da alma e do corpo, do espírito e da carne e os vincula, de alguma forma, um ao outro.
Que quer dizer a palavra perispírito?
- Esta palavra quer dizer: o que está em torno do Espírito. Da mesma forma que o fruto está contido num envoltório muito delgado chamado perisperma, o Espírito está envolvido por um corpo muito sutil denominado perispírito.
Como o perispírito pode unir a carne ao Espírito?
- Penetrando-os e permitindo se interpenetrarem. O perispírito comunica-se com a alma através de correntes magnéticas e com o corpo por meio do fluido vital e do sistema nervoso, que lhe serve, de certa forma, de transmissor.
Então, o homem é, na realidade, composto de três elementos constitutivos?
- Sim, esses três elementos são: o corpo, o espírito e o perispírito.
Quando e onde começa essa união da alma e do corpo?
- No momento da concepção, e se torna definitiva e completa por ocasião do nascimento.
A alma se separa do perispírito, quando se separa do corpo?
- Nunca. O perispírito é sua vestimenta fluídica indispensável. O perispírito precede a vida presente e sobrevive à morte. É ele que permite aos Espíritos desencarnados materializar-se, isto é, aparecer aos vivos, falar-lhes, como acontece por vezes nas reuniões espíritas.
O perispírito é então um corpo fluídico semelhante a nosso corpo material?
- Sim. É um organismo fluídico completo; é o verdadeiro corpo, as verdadeiras formas humanas, a que não muda em sua essência. Nosso corpo material se renova a cada instante; seus átomos se sucedem e se reformam; nosso rosto se transforma com a idade; o corpo fluídico propriamente dito não se modifica materialmente; ele é nossa verdadeira fisionomia espiritual, o princípio permanente de nossa identidade e de nossa estabilidade pessoal.

Onde, então, o perispírito encontrou seu fluido?
- No fluido universal, isto é, na força primordial, etérea. Cada mundo tem seus fluidos especiais, tomados ao fluido universal; cada Espírito tem seu fluido pessoal, em harmonia com o do mundo que ele habita e seu próprio estado de adiantamento.

Retirado do livro 'Síntese Doutrinária' – Léon Denis

Hipócrates-o médico sarcedote

Diante do litoral da Ásia Menor, na ilha de Cós, cerca de 460 anos antes de Cristo, nasceu Hipócrates, chamado o pai da medicina porque ensinou aos seus discípulos a necessidade de estudar os sintomas de uma enfermidade antes de tentar a sua cura.

Os gregos consideravam Hipócrates descendente de um deus. Ele foi, de fato, uma espécie de médico-sacerdote, ou sacerdote-médico, como haviam sido antes dele diversos membros de sua família, que vinham já, durante muitas gerações, praticando a medicina. Dizem os especialistas que foi ele quem separou a medicina das práticas religiosas do seu tempo.

Quando alguém ficava doente, Hipócrates observava atentamente o curso da enfermidade e buscava saber se todas as pessoas que sofriam de doença similar eram afetadas da mesma maneira.

Em seguida, conhecendo o curso comum da enfermidade, podia prever o que iria acontecer e tomar as precauções necessárias para enfrentar os sintomas que dali adviriam e, assim, lutar com maior eficácia contra o mal.

Não é difícil compreender a importância desse sistema numa época em que os médicos nada sabiam sobre as enfermidades e tratavam os doentes como se a doença de cada dia não tivesse relação com a doença do dia anterior.

Hipócrates tornou os médicos observadores e experimentadores e, embora seu sistema nada tivesse de notável, constituiu uma etapa grandiosa na história da medicina experimental.

Por causa disso, em torno dele agruparam-se numerosos discípulos sequiosos de aprender seus métodos e aplicar suas observações e princípios. Hipócrates fez com que todos eles jurassem solenemente obedecer ao mestre, compartilhar generosamente com os companheiros os conhecimentos que adquirissem, manter uma conduta de absoluta honorabilidade, e jamais divulgar qualquer segredo obtido na sala de consultas.

Os escritos de Hipócrates, cuja obra teve continuadores na grande escola de Alexandria, constituem até hoje um patrimônio da humanidade, conquanto alguns anos depois os médicos se tenham afastado dos princípios por ele ensinados, entregando-se a toda espécie de extravagâncias e loucuras, até o surgimento de Galeno, o sábio grego que nasceu em Pérgamo, no ano 130 depois de Cristo.

Com relação à morte, um dos temas fundamentais do Espiritismo, o pensamento do grande médico grego não difere na essência do que Allan Kardec nos ensinou.

"A passagem da vida para a morte – entendia Hipócrates – não pode ser tão ameaçadora, porque todos nós vamos morrer um dia."

O grande sábio tem razão. A morte nada mais é que um capítulo de uma existência corpórea, mas diz respeito tão-somente ao corpo físico. A alma não morre, a alma desencarna e, livre dos despojos carnais, prossegue em sua trajetória inextinguível, aprendendo e progredindo sempre, na sucessão dos evos.

Não fosse assim, não haveria nenhuma explicação para a genialidade de vultos como Hipócrates, o grande mestre de todos aqueles que se dedicam à arte de curar pessoas.

                       Editorial-O Consolador


                                           

Acordar

Você sabe o que significa a palavra "acordar"?
Vamos fazer uma brincadeira e separar em sílabas da palavra acordar: A-cor-dar. Viu?
Significa dar a cor, colocar o coração em tudo que faz.
Existem pessoas que acordam às 6h da tarde. É isso mesmo!
Pela manhã caem da cama, são jogadas da cama, mas passam o dia todo dormindo.
E existem alguns, acredite, que passam a vida toda e não conseguem acordar.
Eu tive um amigo que acordou aos 54 anos de idade.
Ele me disse:
- Descobri que estou na profissão errada!
E ele já estava se aposentando...
Imagine o trauma que esse amigo criou para si, para os colegas de trabalho, para a sua família!
Foi infeliz durante toda sua vida profissional porque simplesmente não "acordou".
Eu, na época, era muito jovem, mas compreendi bem o que ele estava me ensinando naquele momento.
Por mais cinzento que possa estar sendo o dia de hoje, ele tem exatamente a cor que dou a ele.
Sabe por quê?
Por que a vida tem a cor que "a gente pinta".
O engraçado é que os dias são todos exclusivos.
Cada dia é um novo dia, ninguém o viveu.
Ele está ali, esperando que eu e você façamos com que ele seja o melhor da nossa vida.
Os meus dias são os mais lindos da face da Terra porque eu os faço ser os mais lindos da face da Terra.
Acredite em você!
O universo é o limite!
Dê a você a oportunidade de "a-cor-dar" todos os dias e compartilhar com os outros o que Deus nos dá de melhor:
o privilégio de ser e fazer os outros felizes.
Acorde e tenha uma vida mais colorida!
                                           

Caridade e Amor

Nunca esqueça nada acontece por acaso!!

Ricardinho não agüentou o cheiro bom do pão e falou:

         - Pai, tô com fome!!!

O pai, Agenor , sem ter um tostão no bolso, caminhando desde muito cedo em busca de um trabalho, olha com os olhos marejados para o filho e pede mais um pouco de paciência....

         - Mas pai, desde ontem não comemos nada, eu tô com muita fome, pai!!!

Envergonhado, triste e humilhado em seu coração de pai, Agenor pede para o filho aguardar na calçada enquanto entra na padaria a sua frente. Ao entrar dirige-se a um homem no balcão:

        - Meu senhor, estou com meu filho de apenas 6 anos na porta, com muita fome, não tenho nenhum tostão, pois sai cedo para buscar um emprego e nada encontrei, eu lhe peço que em nome de Jesus me forneça um pão para que eu possa matar a fome desse menino, em troca posso varrer o chão de seu estabelecimento, lavar os pratos e copos, ou outro serviço que o senhor precisar!!!

Amaro , o dono da padaria estranha aquele homem de semblante calmo e sofrido, pedir comida em troca de trabalho e pede para que ele chame o filho. Agenor pega o filho pela mão e apresenta-o a Amaro, que imediatamente pede que os dois sentem-se junto ao balcão, onde manda servir dois pratos de comida do famoso PF (Prato Feito) - arroz, feijão, bife e ovo.

Para Ricardinho era um sonho, comer após tantas horas na rua. Para Agenor , uma dor a mais, já que comer aquela comida maravilhosa fazia-o lembrar-se da esposa e mais dois filhos que ficaram em casa apenas com um punhado de fubá. Grossas lágrimas desciam dos seus olhos já na primeira garfada.

A satisfação de ver seu filho devorando aquele prato simples como se fosse um manjar dos deuses, e lembrança de sua pequena família em casa, foi demais para seu coração tão cansado de mais de 2 anos de desemprego, humilhações e necessidades.

Amaro se aproxima de Agenor e percebendo a sua emoção, brinca para relaxar:

      - Ó Maria!!! Sua comida deve estar muito ruim... Olha o meu amigo está até chorando de tristeza desse bife, será que é sola de sapato?!?!

Imediatamente, Agenor sorri e diz que nunca comeu comida tão apetitosa, e que agradecia a Deus por ter esse prazer.
Amaro pede então que ele sossegue seu coração, que almoçasse em paz e depois conversariam sobre trabalho. Mais confiante, Agenor enxuga as lágrimas e começa a almoçar, já que sua fome já estava nas costas.

Após o almoço, Amaro convida Agenor para uma conversa nos fundos da padaria, onde havia um pequeno escritório. Agenor conta então que há mais de 2 anos havia perdido o emprego e desde então, sem uma especialidade  profissional, sem estudos, ele estava vivendo de pequenos 'biscates aqui e acolá', mas que há 2 meses não recebia nada. Amaro resolve então contratar Agenor para serviços gerais na padaria, e penalizado, faz para o homem uma cesta básica com alimentos para pelo menos 15 dias. Agenor com lágrimas nos olhos agradece a confiança daquele homem e marca para o dia seguinte seu início no trabalho.

Ao chegar em casa com toda aquela 'fartura', Agenor é um novo homem sentia esperanças, sentia que sua vida iria tomar novo impulso. Deus estava lhe abrindo mais do que uma porta, era toda uma esperança de dias melhores.

No dia seguinte, às 5 da manhã, Agenor estava na porta da padaria ansioso para iniciar seu novo trabalho. Amaro chega logo em seguida e sorri para aquele homem que nem ele sabia porque estava ajudando. Tinham a mesma idade, 32 anos, e histórias diferentes, mas algo dentro dele chamava-o para ajudar aquela pessoa. E, ele não se enganou - durante um ano, Agenor foi o mais dedicado trabalhador daquele estabelecimento, sempre honesto e extremamente zeloso com seus deveres.

Um dia, Amaro chama Agenor para uma conversa e fala da escola que abriu vagas para a alfabetização de adultos um quarteirão acima da padaria, e que ele fazia questão que Agenor fosse estudar. Agenor nunca esqueceu seu primeiro dia de aula: a mão trêmula nas primeiras letras e a emoção da primeira carta. Doze anos se passam desde aquele primeiro dia de aula...

Vamos encontrar o Dr. Agenor Baptista de Medeiros , advogado, abrindo seu escritório para seu cliente, e depois outro, e depois mais outro. Ao meio dia ele desce para um café na padaria do amigo Amaro, que fica impressionado em ver o 'antigo funcionário' tão elegante em seu primeiro terno.

Mais dez anos se passam, e agora o Dr. Agenor Baptista, já com uma clientela que mistura os mais necessitados que não podem pagar, e os mais abastados que o pagam muito bem, resolve criar uma Instituição que oferece aos desvalidos da sorte, que andam pelas ruas, pessoas desempregadas e carentes de todos os tipos, um prato de comida diariamente na hora do almoço. Mais de 200 refeições são servidas diariamente naquele lugar que é administrado pelo seu filho , o agora nutricionista Ricardo Baptista.

Tudo mudou, tudo passou, mas a amizade daqueles dois homens, Amaro e Agenor impressionava a todos que conheciam um pouco da história de cada um. Contam que aos 82 anos os dois faleceram no mesmo dia, quase que a mesma hora, morrendo placidamente com um sorriso de dever cumprido.

Ricardinho , o filho mandou gravar na frente da 'Casa do Caminho', que seu pai fundou com tanto carinho: 'Um dia eu tive fome, e você me alimentou. Um dia eu estava sem esperanças e você me deu um caminho. Um dia acordei sozinho, e você me deu Deus, e isso não tem preço. Que Deus habite em seu coração e alimente sua alma. E, que te sobre o pão da misericórdia para estender a quem precisar!!!' (História verídica)

terça-feira, 1 de março de 2011

Após a tempestade

Não são muitas as pessoas que reconhecem o valor da mensagem impressa, atribuindo aos livros pouca ou nenhuma importância.

Assim pensam, sem imaginarem o que seria dos ensinos de Jesus se os evangelistas não os tivessem anotado e entregue à posteridade. E da filosofia de Sócrates, sem os escritos de seu discípulo Platão.

O tempo teria se encarregado, com certeza, de os diluir nos séculos, eis que todas as histórias que somente vivem na memória das criaturas e são passadas oralmente, de geração a geração, acabam por se tornar lendas, cujo fundo de verdade é bem difícil de ser identificado.

Há algum tempo, uma jovem senhora vivia um drama familiar imenso. O marido a abandonara e ela não dispunha de meios para garantir o sustento dos três filhos menores.

Lesada no afeto e sem vislumbrar melhores perspectivas, resolvera abandonar a vida física. Arquitetou uma estratégia e conseguiu uma substância corrosiva para realizar o seu intento. Enquanto retornava ao lar, acariciando no bolso a porção fatídica, passou por uma banca de livros espíritas e a capa de um determinado livro lhe chamou a atenção. Aproximou-se, abriu-o e leu alguns títulos.

O atendente, vendo-a devolver o livro à prateleira e fazer o gesto de quem iria se retirar, perguntou-lhe se não desejava levar a obra.

Timidamente, ela se desculpou, dizendo que não dispunha de dinheiro. O jovem, sensibilizado, tomou do volume e o colocou nas mãos da senhora, presenteando-o.

Ela se foi com a obra intitulada "Após a Tempestade". Chegando em casa, pensou em ler uma página. Seria a sua despedida do mundo.

Folheou-o e surpreendeu-se com um título: Suicídio.

Sentou-se e leu atentamente as observações que o Espírito faz a respeito desta fuga da vida.

Ao concluir a leitura, a vontade de matar-se já havia passado. Virou a página e leu outra mensagem, e outra mais, até que se deu conta que já tinha lido várias e seu estado de ânimo mudara.

As lágrimas lhe brotavam com abundância dos olhos. Havia motivos para viver: Deus a amava e ela era responsável por três vidas, além da sua própria.

A vida é património divino e não deve ser malbaratada. Dispôs-se a prosseguir vivendo. Os meses escoaram e a situação se transformou. Conseguiu um emprego, voltou-se à religião, ela que já havia se esquecido de orar e, finalmente, cinco anos após, seu marido retornou ao lar.

Cinco anos, após a tempestade...

À semelhança da referida obra, outras tantas existem à disposição de almas aflitas e seres sedentos de orientação. Mensagens volantes, livros, opúsculos, todos servem ao objectivo do amor divino: atender os seus filhos que vivem o infortúnio, para que se redescubram e descubram o amor que nunca perece.

Você sabia que o livro nobre pode ser considerado pão da vida? É preparado com o trigo da sabedoria para sustentar as criaturas, todos os dias.

E que difundir o bom livro é espalhar esperanças no mundo? As almas sofridas, nele encontrarão sempre, repouso para as suas fadigas e os ignorantes, a luz do conhecimento para as suas mentes.

 Equipe de Redação do Momento Espírita

Espiritismo e Atualidade

   Característica importante da Doutrina Espírita é sua abertura para tudo que é bom ou útil, independente da origem. Esse ecletismo de pensamento torna o Espiritismo insuperável, pois tudo o que é novo e  útil  para a criatura humana vai sendo devidamente analisado pelos espíritas e, se importante, passa a ser assimilado por eles. Vejamos algumas contribuições recentes de fontes não espíritas.

Tempo de espera -  Quanto tempo nós permanecemos no mundo espiritual, entre uma existência terrena e outra? Os Espíritos Superiores disseram a Kardec que esse tempo é muito variável, e depende da condição evolutiva de cada um. Os espíritos mais elevados permanecem mais tempo, enquanto os menos evoluídos reencarnam mais rapidamente. Léon Denis estabeleceu esse período médio como sendo de trinta anos. Mais recentemente, a Dr.a Helen Wambach, terapeuta reencarnacionista, com grande experiência em regressão de memória a vidas passadas afirmou que nós permanecemos mais ou menos 43 anos entre uma encarnação e outra. É possível que a gente reencarne uma vez em cada século.


Sem lamentações - Entrevistaram cem pessoas com mais de noventa anos perguntando se, caso elas pudessem recomeçar sua vida novamente, mudariam muita coisa. Quase todas disseram que sim. Estudar o passado para aprender com os próprios erros é sempre positivo e denota maturidade espiritual. No entanto, buscar o passado para lamentar o que podia ter sido e não foi pode causar amargura, e isso nada tem de salutar. Afirmou um autor americano: não existem escolhas certas e erradas e sim escolhas piores e melhores. O erro de ontem, quando devidamente identificado e prontamente corrigido nos arma de recursos para escolher melhor no futuro. Osho disse: cometa todos os erros possíveis, mas jamais cometa o mesmo erro mais de uma vez. Aconselha o benfeitor Emmanuel: Ergue-te, todos os dias, e faze o melhor ao teu alcance.


Câncer e afetividade - A causa do câncer é ignorada, mas muitos fatores já podem ser relacionados a ele, tais como mágoa, depressão e afetividade. Em um estudo relacionado com o tema, na Escola de Medicina da Universidade de Johns Hopkins, foram submetidos a um teste cerca de 1.100 alunos, na década de 1940. Os pesquisadores usaram um questionário chamado "Escala de Proximidade com os Pais" para medir a qualidade dos relacionamentos dos alunos com os pais. Todos esses alunos eram saudáveis. Mais de cinqüenta anos depois, esses alunos foram investigados por pesquisadores daquela Universidade e chegou-se a uma conclusão notável. Os estudantes de medicina que mais tarde teriam câncer tinham sido aqueles que, anos antes, relataram maior falta de intimidade com os pais.  Jesus disse: cuida do seu semelhante como você cuida das pupilas de seus olhos. Atenção, afeto, gentileza e acolhimento são valores essenciais em nossa vida de relação e tornam-se obrigatórios junto às pessoas que estão mais próximas de nós.


Conhecimento e consciência - Algumas pessoas fazem diferença entre conhecimento e consciência. A consciência seria uma forma de conhecimento interiorizado, ou seja, que provoca modificações na pessoa. Um médico que fuma tem conhecimento de que o tabagismo é um mal, no entanto não tem consciência disso. Uma das coisas mais fascinante na história da ciência foram as investigações que Kepler realizou, por 18 anos, a fim de determinar matematicamente as órbitas dos planetas. Um estudante de mediana inteligência pode aprender as três leis que ele enunciou em poucos minutos. Todavia a diferença entre Kepler e o estudante é colossal. Assim nós entendemos porque a existência no mundo físico, através da lei da reencarnação é uma necessidade evolutiva. No mundo espiritual podemos aprender muitas coisas, adquirindo conhecimentos (como o estudante), mas somente no mundo físico encontraremos os elementos que nos permitam adquirir consciência a respeito das coisas e de nós mesmos (como o célebre cientista.).


Perdoar ou anistiar? - Lya Luft prefere o termo anistiar em lugar de perdoar. Segundo a conceituada escritora brasileira, a palavra perdão tem conotação religiosa e dá a idéia de que somos bonzinhos perdoando alguém. Em verdade quem perdoa faz bem a si mesmo e não ao outro, porque o outro, independente de nosso perdão, vai ter que se ver com a própria consciência. Ao perdoar, ou melhor, anistiar, nos libertamos do sentimento de mágoa, um dos sentimentos mais danosos para a personalidade humana. O Espírito Jesus Gonçalves, através da médium Célia Xavier, disse: A vítima que não perdoa está em pior situação espiritual que o algoz que se arrependeu do crime.


Fábula moderna - O homem estava pegando as chaves do carro (a mulher já tinha saído para levar as crianças à escola) quando tocaram a campainha. Vagamente irritado, ele abre a porta e se depara com o Anjo da Morte.
– Vim buscar você.
Não era preciso explicar, o homem entendeu na hora. Não havia como escapar. Mas, acostumado a negociações, tentou argumentar:
– Vem cá, me dá uma chance.
– Tudo bem, argumentou a morte, eu te dou uma chance, se você me der três boas razões para não vir comigo desta vez.
O homem aprumou-se; era um bom negociador. Mas quando abria a boca para começar sua ladainha de razões, o Anjo ergueu um dedo imperioso e disse:
– Espera aí. Três boas razões, mas ... não vale dizer que seus negócios precisam ser organizados, sua família não está garantida, sua mulher não sabe assinar cheque, seus filhos nada sabem da realidade. O que interessa é você, você mesmo. Por que valeria a pena ainda te deixar por aqui algum tempo?

                  Ricardo Baesso de Oliveira