quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Intrigas e acusações

Quanto possível, abstém-te de assuntos infelizes.
Muitas vezes, quem te fala contra os outros pode trazer a imaginação doente ou superexcitada.
Quando alguém, porventura, se te faça veículo de alguma intriga, tanto é digna de compaixão a pessoa que te trouxe essa bomba verbal, quanto a outra que a teria criado.
Uma frase imperfeitamente ouvida será sempre uma frase mal interpretada.
A criatura que se precipita em julgamentos errôneos, a teu respeito, talvez seja vítima de lastimável engano.
Muitas pessoas de hábitos cristalizados em comentários descaridosos, em torno da vida alheia, estão a caminho de tratamentos médicos, dos mais graves.
Se trazes a consciência tranqüila, as opiniões negativas efetivamente não te alcançam.
Diante de críticas recebidas, observa até que ponto são verídicas e aceitáveis, para que venhamos a retificar em nós aquilo que nos desagrada nos outros.
Conhecendo algum desequilíbrio em andamento, auxilia em silêncio naquilo em que possas cooperar sem alarde, sem referir a ninguém, quanto ao esforço de reajuste que sejas capaz de desenvolver.
Compadece-te dos acusadores e ora, em favor deles, rogando a Deus para que sejam favorecidos com a bênção de paz que desejamos para nós.

                                        Emmanuel-Chico Chavier

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Confia Sempre...

Confia sempre. Não percas a tua fé entre as sombras do mundo. Ainda que os teus pés estejam sangrando, segue para  frente, erguendo-a por luz celeste, acima de ti mesmo.
 Crê e trabalha. Esforça-te no bem e espera com paciência. Tudo passa e tudo se renova na terra, mas o que vem do céu permanecerá.
 De todos os infelizes os mais desditosos são os que perderam a confiança em Deus e em si mesmo, porque o maior infortúnio é sofrer a privação da fé e prosseguir vivendo.
 Eleva, pois, o teu olhar e caminha. Luta e serve. Aprende e adianta-te. Brilha a alvorada além da noite.
 Hoje, é possível que a tempestade te amarfanhe o coração e te atormente o ideal, aguilhoando-te com a aflição ou ameaçando-te com a morte... Não te esqueças, porém, de que amanhã será outro dia.

 Meimei * Francisco Cândido Xavier

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Desafios existenciais

 Toda existência é oportunidade de aprendizado para todos nós, que partimos um dia do mundo espiritual a fim de realizar essa experiência ímpar chamada vida.
A vida, esta do lado de cá da existência, tem um propósito claro e inequívoco aos olhos de Deus: o de nos oferecer chances de progresso e melhoria pessoal.
Ao nos criar Espíritos imortais, nos fez a todos simples e ignorantes... Ou seja, sem capacidades intelectuais ou morais pré-determinadas.
Desta forma, a pergunta que mais nos ocorre é a seguinte: de onde vêm os nossos pendores, os dons com os quais nascemos, ou as virtudes e paixões que trazemos na alma?
Se somos criados todos iguais, por que somos aqui na Terra tão diferentes uns dos outros? Por que, irmãos gêmeos, sob a mesma educação, os mesmos pais, são tão diferentes?
Ao nascermos novamente, ao retornarmos à experiência de nascer, trazemos conosco toda uma bagagem que adquirimos nos caminhares que já fizemos em nossa história.
Trazemos no cofre de nossa alma todos os tesouros e todas as quinquilharias que, porventura, fomos juntando nos nossos caminhares, pelos caminhos que já percorremos ao longo de nossas existências.
Assim, todas as nossas virtudes e todos os nossos sentimentos são conquistas feitas em algum momento de nossa história, e que hoje trazemos para mais este capítulo do livro que estamos escrevendo desde muito.
Se hoje sentimos raiva, vingança e ódio, se temos inveja ou ciúmes, são desvalores que adquirimos por opção própria, e que ainda fazem parte de nossa estrutura emocional.
Por outro lado, se trazemos na alma a doçura, a compaixão pelo próximo, a benevolência no olhar, são resultantes dos esforços que fizemos para adquiri-los e tê-los na intimidade da alma.
Se hoje percebemos em nós sentimentos que já não são coerentes com nossos conceitos e valores, começa aí o esforço para a transformação da alma.
A vida é exatamente essa oportunidade que a Providência Divina nos oferece para que a modificação da alma, para melhor, se faça.
E para tanto, nossa vida é pródiga de oportunidades para modificarmos as coisas da alma que precisam ser mudadas.
Seja a esposa intolerante, o marido incompreensível, o filho exigente, o chefe às vezes tirano, todos nos oportunizam a chance de experimentar outros valores e desenvolver renovados sentimentos na alma.
Muitas vezes, o convite da vida vem através da doença, do revés financeiro que nos abala, ou do ente querido que parte para o Mundo Espiritual nos deixando órfãos emocionalmente.
Todos esses desafios que a vida nos oferece são convites silenciosos que ela nos faz, nos oferecendo a chance de renovar paisagens emocionais, repensar posicionamentos e principalmente, redirecionar nossos passos para caminhos que nos conduzam à felicidade.
Em qualquer momento de sua vida, perceba ser ela oportunidade bendita que Deus lhe oferece de iniciar a construção do Reino de Deus dentro de você.

Redação do Momento Espírita

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Auta -Estima

O trabalhador espírita, por vezes, necessita elevar sua auto-estima.
Ora, é a pressão espiritual contrária que o abate e que pode enfraquecer seu ânimo.
Outras vezes, são os relacionamentos complexos, difíceis, que o prostram.
Noutros momentos, um sentimento melancólico pode advir, em função dos obstáculos, diante da tarefa ou do seu processo de reforma interior.
Seja qual for a razão, faz-se oportuna a reflexão, à luz da Doutrina Espírita, revendo horizontes, para o cumprimento de metas ensejadas pela atual programação reencarnatória.
Renovar e fortalecer a fé é fundamental, nessas situações.
Deixar-se guiar pelo bom senso, também.
Unindo sentimento e razão, num clima de calma, serenidade, ideias, princípios, postulados, que afloram em sua mente e aliviam seu coração, aprimorando a sintonia com benfeitores espirituais que o fortalecem, na caminhada evolutiva e no cumprimento do dever.
Perseverar no caminho do bem é o desafio, permanecendo nele, sempre.
Quanto à pressão espiritual contrária, o trabalhador consciente sabe que, num contraponto, conta com todo o apoio da cidade espiritual de luz a que é ligado.
Em relação a relacionamentos complexos, difíceis, entende que o acaso não existe. Muitas vezes, a Lei de Progresso nos recoloca frente a frente com desafetos do passado, para que arestas sejam aparadas.

Sobre obstáculos diante da tarefa, compreende que a boa-vontade, aliada ao empenho, garantem o estado de espírito que leva ao sucesso.
A propósito de melancolia decorrente de abraçar o processo de reforma íntima, sem constatar resultados imediatos, reconhece que o segredo do sucesso consiste, exatamente, em insistir, continuamente, no exercício de substituir imperfeições por valores morais que lhe são opostos.
Reencarnados num mundo de expiações e provas como o nosso, altos e baixos são normais em relação à autoestima.
Diante dessa realidade, não há que se lamentar, nem tampouco esmorecer.
Todas as dificuldades serão superadas, no momento oportuno, em havendo perseverança.
Depois da tormenta, vem a calmaria. Depois da noite escura, uma nova alvorada.
Reencarnamos para progredir.
Dificuldades, obstáculos, desafios, devidamente superados, levam a esse objetivo.
O processo de reforma íntima leva-nos a retificar comportamentos equivocados.
Coloca-nos receptivos aos bons fluidos, que nos reanimam as forças.
Reforça, em nosso coração, a busca prática da caridade e da humildade, que afastam o egoísmo e o orgulho, propiciando o perdão, a reconciliação, a mansuetude, entre tantos outros sentimentos construtivos.
Reacende, em nosso âmago, a chama do ideal a ser atingido.
O importante é, com a auto-estima elevada, permanecer no bom caminho, rumo à evolução.
Parar, retroceder, nem pensar.
Retomar, sempre, o esforço pela prática do bem, em todos os sentidos, e com bom ânimo, é roteiro do trabalhador espírita.
Fonte: Revista Internacional de Espiritismo (RIE) - Outubro/2010

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

A luz em nossa vidas

Foi um sonho, há muito tempo acalentado, esse de o homem poder viver num ambiente iluminado.
Em 1828, Thomas Alva Edison conseguiu, pela primeira vez, a lâmpada elétrica de filamento.
A partir desse momento, tudo se modificou na sociedade. Cinquenta anos depois, Joseph Swan patenteou a lâmpada incandescente, que passou a ser industrializada.
É inconcebível hoje, para nossa mentalidade, um mundo sem luz elétrica. Ficamos a pensar no que seria uma casa iluminada por tochas, por candelabros, por velas.
Pode ser muito romântico um jantar à luz de velas. Contudo, viver uma vida inteira tendo que ler, fazer os serviços domésticos, tratar de doentes, costurar utilizando-se de velas, de tochas, de lampiões, de lamparinas... Inconcebível!
A própria natureza nos fala da importância da luz porque nos dá, ao longo do dia, o brilho solar. Quando estamos vivendo sob o brilho do sol, complicado pensar na noite escura.
Quando estamos refletindo sobre a noite escura, temos a oportunidade de pensar no brilho do luar e nos beijos cintilantes das estrelas.
A luz é, em verdade, a grande mensagem do Criador diante das trevas que ainda empanam a vida humana.
Diz o Velho Testamento, no livro do Gênesis: E o Senhor fez a luz. Faça-se a luz. Fiat lux. E a luz se fez.
E Jesus de Nazaré afirmou sem rebuços: Eu sou a luz do mundo. Aquele que andar em mim, jamais conhecerá as trevas.
Naturalmente que a luz de que falava Jesus Cristo não era uma luz física. Ele falava de uma luz mental, de uma claridade espiritual, de algo que Ele viera trazer ao mundo para nos retirar das nossas sombras.
Sombras de ignorância, noites de maldade, escuridão dos tormentos. Então, Ele veio como um astro do dia, uma estrela de primeira magnitude, com essa coragem de dizer, em pleno período das sombras: Eu sou a luz do mundo.
Mas o Homem de Nazaré ainda propôs que nós também trabalhássemos por desenvolver a nossa própria claridade: Brilhe a vossa luz.
Jesus propõe que façamos brilhar a nossa própria luz, porque somos lucigênitos. Fomos criados, gerados pela luz de Deus.
Esse é um convite para que trabalhemos o quanto nos seja possível para sairmos das trevas do não saber, do não sentir, do não amar, do não viver.
Em outro momento, asseverou o Celeste Amigo: Quando os teus olhos forem bons, todo o teu corpo terá luz.
Os nossos olhos bons não são os olhos da face. É a nossa maneira de ver as coisas, nossa visão de mundo, nosso olhar sobre as pessoas.
Na medida em que formos misericordiosos, atenciosos, fraternos para com os outros e seus problemas, é natural que estaremos evoluindo, crescendo na direção do Altíssimo.
Todo o nosso ser espiritual, o nosso corpo espiritual, nosso corpo astral brilhará: Todo o teu corpo terá luz.
Todos os grandes gênios espirituais do mundo valorizaram a luz. Não é à toa que Siddhartha Gautama, o grande Buda, é chamado a luz da Ásia.
Por isto, quando Jesus afirma ser a Luz do mundo, Ele ultrapassa as dimensões de todas as terras, de todos os seres e Se mostra de fato como a Luz, Modelo e Guia para todos nós.                               Redação do momento Espírita

domingo, 21 de agosto de 2011

A Ilusão do Sangue

Não é o sangue que nos irmana, mas o espírito. Os laços consangüíneos são ilusórios e efêmeros. Kardec explica no item 8 do capítulo XIV do livro “O Evangelho Segundo o Espiritismo”: “O corpo procede do corpo, mas o espírito não procede do espírito, pois já existia antes da formação do corpo.
 O pai não gera o espírito do filho. Fornece-lhe apenas o envoltório corporal, mas deve ajudar o seu desenvolvimento intelectual e moral, para fazê-lo progredir”. Filhos de outros pais, procedentes de outro sangue, podem ser muito mais ligados aos pais adotivos que os filhos consangüíneos.
 Essa é uma das razões por que os pais adotivos geralmente não querem revelar a verdade aos filhos que adotaram. O amor paterno e materno ressurge ante o filho que volta ao seu convívio. Mas Emmanuel revela um dos aspectos da lei da reencarnação que exige atenção e respeito.
 Os filhos que voltam ao lar por vias indiretas são espíritos em prova e, portanto, em fase de correção moral. Precisam conhecer a sua verdadeira situação para que a medida corretiva atinja a sua eficiência. E se quisermos burlar a lei só poderemos acarretar-lhes maiores sofrimentos.
 São muitos os dramas e muitas as tragédias ocasionadas pela imprudência dos pais que mentiram piedosamente aos filhos adotivos. Quando a verdade os surpreende, o choque emocional pode transtorná-los, fazendo-os perder a oportunidade de aprendizado que muitas vezes solicitaram com ardor na vida espiritual.
 Esta é uma razão nova que o Espiritismo apresenta aos pais adotivos, quase sempre apegados apenas às razões mundanas.
 Aprendendo desde cedo a se acomodar à situação de prova em que se encontra, o filho adotivo resigna-se a ela e aproveita a lição de reajustamento afetivo. Amanhã voltará de novo como filho legítimo, mas já em condições de compreender os deveres da filiação.
 A vida aplica sempre com precisão os seus meios corretivos, mas nós nem sempre a ajudamos, esquecidos de que os desígnios de Deus têm razões profundas que nos escapam à compreensão.
 Se Deus nos envia um filho por via indireta, devemos recebê-la como veio e não como desejaríamos que viesse.
 Jose Herculano Pires -Francisco Cândido Xavier

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Filho doente...Castigo ou Oportunidade?

Quando um ventre se enche de vida, a esperança aflora no Mundo.
Os pais se preparam para receber alguém e se enchem de expectativas: Meu filho será belo, forte, saudável, feliz.
Ninguém pensa em coisas desagradáveis. Quando a criança nasce, contamos os dedinhos, avaliamos cuidadosamente cada centímetro do corpo, em busca da certeza de que tudo está bem.
Mas... E quando o anjo que chega tem as asas quebradas? Quando a criancinha traz os olhos velados, os ouvidos fechados, a voz emudecida?
Cegueira, paralisia, surdez, nanismo, Síndrome de Down. Nunca pensamos que o nosso filho possa ser portador de deficiências desse tipo. Não nos preparamos para isso.
E, por essa razão, choramos lágrimas amargas, certos de que Deus nos esqueceu ou nos castigou.
Enganosa conclusão.
Deus jamais castiga. Nosso Pai Divino, Perfeito e Bom, é todo amor por Seus filhos.
Então: O que aconteceu? Por que aconteceu? Por que comigo?
Essas perguntas, que nos transtornam as almas, muitas vezes permanecem sem resposta.
Mas, acredite que há uma forte razão para que isso tenha ocorrido.
Estamos todos inseridos em uma lei perfeita, que rege nossas vidas, de acordo com nossos atos e nossa capacidade de superação.
Assim, quem recebe uma criança deficiente, deveria fazer novas perguntas: Para que Deus me deu de presente um de Seus filhos, nessa circunstância?
Que tenho eu de tão especial e bom para que Ele me escolhesse para cuidar de um de Seus filhos mais necessitados de proteção e afeto?
Que lições posso tirar dessa experiência?
Sim, não se confia missões importantes a pessoas despreparadas. Para as situações mais delicadas, que exigem dedicação e maturidade, escolhem-se os mais dedicados e maduros.
E você acha que Deus sabe menos do que nós? Claro que não. Ele sabe escolher bem.
Por outro lado, muitas vezes, aquilo que imaginamos ser uma situação infeliz, torna-se um belo desafio. Ou uma oportunidade de renovação.
Basta descobrir a razão porque Deus nos permitiu passar por isso.
Se pensarmos assim, vamos descobrir uma força interior capaz de mover mundos. Uma capacidade de improvisar diante do inesperado.
E essa força será movida pelo amor.
Quem sabe se essa experiência é a que nos fará despertar para a desigualdade do Mundo em que vivemos?
Quem sabe se não é o estímulo que faltava para que olhássemos para os lados e víssemos que precisamos de escolas mais preparadas, de profissionais treinados, de ruas e prédios adequados?
Enfim, com a experiência de um ser amado, portador de deficiência, aprendemos a conviver e a amar muito os que são diferentes de nós.
E mais: descobrimos que a diferença está apenas na aparência, pois a alma é igual à nossa: cheia de sonhos e esperança.
Carente de respeito e, principalmente, de amor verdadeiro.

Redação do Momento Espírita