Sérgio Ribeiro
Se fomos trazidos à Terra para esquecer o nosso passado, valorizar o presente e preparar em nosso benefício o futuro melhor, porque provocar a regressão da memória do que fomos ou fizemos, simplesmente por questões de curiosidade vazia, ou buscar aqueles que foram nossos companheiros, a fim de regressar aos desequilíbrios que hoje resgatamos?
A nossa própria existência atual nos apresentará as tarefas e provas que, em si, são a recapitulação de nosso passado em nossas diversas vidas, ou mesmo, somente de nossa passagem última na Terra fixada no mundo físico, curso de regeneração em que estamos integrados nas chamadas provações de cada dia.
Porque efetuar a regressão da memória, unicamente para chorar a lembrança dos pretéritos episódios infelizes, ou exibirmos grandeza ilusória em situações que, por simples desejo de leviana retomada de acontecimentos, fomos protagonistas, se já sabemos, especialmente com Allan Kardec, que estamos eliminando gradativamente as nossas imperfeições naturais ou apagando o brilho falso de tantos descaminhos que apenas nos induzirão a erros que não mais desejamos repetir?
Sejamos sinceros e lancemos um olhar para nossas tendências.
Emmanuel
Médium: Francisco Cândido Xavier
domingo, 7 de julho de 2013
O jogo da vida
Luz Da Existencia Kardecista
Meu querido Irmão
Fomos colocados no “estádio da vida” para a realização de um grande jogo, cuja duração vai do nascimento ao nosso desencarne.
Uma vez deixada para trás a casa que nossa alma habitou, continuamos o jogo num patamar superior preparando-nos para um possível reencarne. E assim, num novo corpo passaremos a usar também um novo uniforme e mais uma vez a correr atrás da bola. É o jogo da vida...
Cada um de nós precisa entender que a vida é um jogo, onde é vencedor aquele que conhece as regras de sua execução. Jesus foi instrutor e técnico desse jogo por nós vivenciado e foi claro quando afirmou que dar e receber correm juntos no campo de semeadura. Paulo em sua Epístola aos Gálatas, no capítulo 6, versículo 7 disse que aquilo que o homem semear, isso também ceifará. Se o jogador da vida der amor, receberá amor. Se der ódio, receberá ódio. Se criticar será criticado e se mentir, ouvirá mentiras de volta.
No jogo da vida aprendemos que nossa faculdade de imaginação desempenha um papel importante onde poderemos fazer um gol ou um pênalti. Bem por isso precisamos ter muito cuidado com tudo aquilo que imaginamos, pois, mais cedo ou mais tarde se expressará na partida de nossa vida. Para jogar com êxito é preciso educar nossa faculdade imaginativa. Se imaginarmos somente o bem, como o amor, saúde, riqueza, amigos, tranquilidade é isso que teremos em nossos dias.
A imaginação foi apelidada por alguns filósofos de tesoura da mente , uma vez que está sempre cortando, cortando, cortando dia e noite as figuras que vemos nela e que serão mais cedo ou mais tarde estampadas e encontradas no mundo de nossas criações. Precisamos, pois, adquirir conhecimentos de nossas mentes, conforme ensinado através dos séculos, ou seja, “conhece-te a ti mesmo”. Enquanto não te conheceres internamente, meu Irmão, no jogo da vida só conseguirás bater a bola na trave.
É importante que também se anote que as palavras representam um importante papel no jogo de nossas vidas. Por nossas palavras seremos justificados e por nossas palavras seremos condenados. Quantos indivíduos produziram desastres em sua existência por terem proferido palavras vãs. Ora, a mente subconsciente não tem sentido humorístico e as pessoas acostumadas a fazerem gracinhas sobre si mesmas acabarão por atrair experiências desagradáveis. Se possuímos poder para abençoar e multiplicar, amar e prosperar porque faremos o contrário?
Precisamos prestar atenção em nossas ideias intuitivas. A intuição é um ensinamento recebido de nosso Eu Interior, é uma voz interna que nos dá conselhos. Nunca despreze, pois, a intuição.
Jesus ensinou que tudo aquilo que pedimos ao Pai será atendido, basta manifestar nosso desejo. Assim, torna-se necessária a manifestação de nosso desejo, de nossa fé ou de nossa palavra expressa. O primeiro movimento deve partir de nós. Mateus, no capítulo 7, versículo 7 assim escreveu em seu Evangelho: “Pedi e vos será dado; procurai e achareis; batei e abrir-se-á”. Todo desejo, manifestado ou não, é uma prece que será atendida se arrancarmos de nossa consciência o medo. O medo é o único inimigo que temos, senão vejamos: o medo do fracasso, da doença, da pobreza, da solidão e assim por diante.
Urge que arranquemos o medo de nossa consciência. Jesus perguntou: Por que temeis, homens de pouca fé? Assim, é chegada a hora de substituirmos o temor, pela fé. O que é o medo senão uma fé inversa? A fé no mal atrai o mal.
Quando fomos colocados no estádio para a realização do jogo da vida, a Inteligência Divina assim o fez para que abríssemos os olhos para os benefícios do bem e apagássemos as pinturas mentais do mal. Nossa mente subconsciente é uma serva fiel, bem por isso precisamos ter muito cuidado ao lhe dar ordens, pois, nossos pensamentos, desejos e palavras são gravados por ela com exatidão e com exatidão serão executados.
É esse o meu recado de hoje, irmão de minha alma. Desejo que na partida do jogo da vida consigas driblar com muita técnica, os pensamentos do medo e do mal e que marques muitos gols com as chuteiras do bem.
Com amor,
Irmão Y
Meu querido Irmão
Fomos colocados no “estádio da vida” para a realização de um grande jogo, cuja duração vai do nascimento ao nosso desencarne.
Uma vez deixada para trás a casa que nossa alma habitou, continuamos o jogo num patamar superior preparando-nos para um possível reencarne. E assim, num novo corpo passaremos a usar também um novo uniforme e mais uma vez a correr atrás da bola. É o jogo da vida...
Cada um de nós precisa entender que a vida é um jogo, onde é vencedor aquele que conhece as regras de sua execução. Jesus foi instrutor e técnico desse jogo por nós vivenciado e foi claro quando afirmou que dar e receber correm juntos no campo de semeadura. Paulo em sua Epístola aos Gálatas, no capítulo 6, versículo 7 disse que aquilo que o homem semear, isso também ceifará. Se o jogador da vida der amor, receberá amor. Se der ódio, receberá ódio. Se criticar será criticado e se mentir, ouvirá mentiras de volta.
No jogo da vida aprendemos que nossa faculdade de imaginação desempenha um papel importante onde poderemos fazer um gol ou um pênalti. Bem por isso precisamos ter muito cuidado com tudo aquilo que imaginamos, pois, mais cedo ou mais tarde se expressará na partida de nossa vida. Para jogar com êxito é preciso educar nossa faculdade imaginativa. Se imaginarmos somente o bem, como o amor, saúde, riqueza, amigos, tranquilidade é isso que teremos em nossos dias.
A imaginação foi apelidada por alguns filósofos de tesoura da mente , uma vez que está sempre cortando, cortando, cortando dia e noite as figuras que vemos nela e que serão mais cedo ou mais tarde estampadas e encontradas no mundo de nossas criações. Precisamos, pois, adquirir conhecimentos de nossas mentes, conforme ensinado através dos séculos, ou seja, “conhece-te a ti mesmo”. Enquanto não te conheceres internamente, meu Irmão, no jogo da vida só conseguirás bater a bola na trave.
É importante que também se anote que as palavras representam um importante papel no jogo de nossas vidas. Por nossas palavras seremos justificados e por nossas palavras seremos condenados. Quantos indivíduos produziram desastres em sua existência por terem proferido palavras vãs. Ora, a mente subconsciente não tem sentido humorístico e as pessoas acostumadas a fazerem gracinhas sobre si mesmas acabarão por atrair experiências desagradáveis. Se possuímos poder para abençoar e multiplicar, amar e prosperar porque faremos o contrário?
Precisamos prestar atenção em nossas ideias intuitivas. A intuição é um ensinamento recebido de nosso Eu Interior, é uma voz interna que nos dá conselhos. Nunca despreze, pois, a intuição.
Jesus ensinou que tudo aquilo que pedimos ao Pai será atendido, basta manifestar nosso desejo. Assim, torna-se necessária a manifestação de nosso desejo, de nossa fé ou de nossa palavra expressa. O primeiro movimento deve partir de nós. Mateus, no capítulo 7, versículo 7 assim escreveu em seu Evangelho: “Pedi e vos será dado; procurai e achareis; batei e abrir-se-á”. Todo desejo, manifestado ou não, é uma prece que será atendida se arrancarmos de nossa consciência o medo. O medo é o único inimigo que temos, senão vejamos: o medo do fracasso, da doença, da pobreza, da solidão e assim por diante.
Urge que arranquemos o medo de nossa consciência. Jesus perguntou: Por que temeis, homens de pouca fé? Assim, é chegada a hora de substituirmos o temor, pela fé. O que é o medo senão uma fé inversa? A fé no mal atrai o mal.
Quando fomos colocados no estádio para a realização do jogo da vida, a Inteligência Divina assim o fez para que abríssemos os olhos para os benefícios do bem e apagássemos as pinturas mentais do mal. Nossa mente subconsciente é uma serva fiel, bem por isso precisamos ter muito cuidado ao lhe dar ordens, pois, nossos pensamentos, desejos e palavras são gravados por ela com exatidão e com exatidão serão executados.
É esse o meu recado de hoje, irmão de minha alma. Desejo que na partida do jogo da vida consigas driblar com muita técnica, os pensamentos do medo e do mal e que marques muitos gols com as chuteiras do bem.
Com amor,
Irmão Y
sexta-feira, 5 de julho de 2013
A Queixosa
Benvinda Fragoso tornara-se amplamente conhecida pelas suas queixas constantes. Quem a ouvisse na relação dos fatos comuns afirmaria, sem hesitar, que a infeliz arrematara todos os desgostos do mundo.Órfã de pai e mãe, vivia à custa de salário modesto, numa fábrica de toalhas, onde fora admitida por obséquio de amigos devotados. Todavia, se a existência era laboriosa, não faltavam recursos para torná-la melhor. Não se casara, mas dois sobrinhos inteligentes e generosos faziam-lhe companhia no ambiente doméstico. Os genitores não lhe deixaram haveres em espécie, mas sempre legaram à filha o patrimônio do lar, edificado ao preço de sublimes sacrifícios.
Benvinda rodeava-se de oportunidades benditas, mas não sabia aproveitá-las. Cristalizara-se nas queixas dolorosas, aniquilando as próprias energias. A mente enfermiça desfigurava as sugestões mais belas da vida diária.
– Sou profundamente infeliz – dizia a uma colega de trabalho –, vivo insulada, à maneira de animal sem dono, ao léu da sorte. Morrer seria para mim uma felicidade. Diz-se que o fim é sempre doloroso. Não será, porém, mais agradável alcançar o termo do caminho no seio de tantas sombras e surpresas angustiosas?
– Não digas isso, Benvinda – observava a companheira, com intimidade –, temos saúde, não nos falta trabalho, teus sobrinhos gostam de ti. Não nos sintamos desditosas, quando a oportunidade de serviço continua em nossas mãos.
Mal-humorada – explodia a queixosa, exasperada:
– Que dizes? a existência esmaga-me e desde a infância há sido para mim pesada carga de sofrimentos. Referes-te aos sobrinhos, e que significam eles em meu caminho senão agravo de preocupações? O mundo é cárcere tenebroso, inferno terrível, onde somos convocados a ranger dentes.
Calava-se a colega, ante o transbordamento de revolta insensata.
Na estação do frio, aferrava-se Benvinda em lamentações amargosas; no verão, acusava a Natureza, declarava-se incapaz de tolerar o calor ; e, se chovia, amaldiçoava as nuvens generosas.
Dispondo de muitas horas no ambiente doméstico, a infeliz nunca soube valorizar o santo aconchego das paredes acolhedoras, onde os pais carinhosos lhe haviam dado o beijo da vida.
Enquanto os sobrinhos, quase crianças, permaneciam no trabalho, Benvinda recorria às vizinhas e, mãos cruzadas em sinal de preguiça, continuava incorrigível:
– Ah! Dona Guilhermina, a vida vai-se tornando insuportável. Este mundo resume-se em miséria e desengano. Até quando serei humilhada e perseguida pela má sorte?
– Oh! minha filha! – respondia a interpelada, fixando gestos de mãe compadecida, por ocultar a verdadeira expressão da personalidade habituada à maledicência – Deus é bom Pai. Não desanime. Tenhamos confiança na Providência. Tudo passa neste mundo. A fé pode transformar nossas dificuldades em motivos de vitória e alegria.
– Fé? – replicava Benvinda, exaltada – estou descrente das orações. Deus nunca me atende. Quando sonhava, há dez anos, a organização de um lar que fosse somente meu, rezei pedindo a proteção do Céu e meu noivo desapareceu para desposar outra jovem, mais tarde, longe de mim. Quando meu pai se decidiu à operação, supliquei à Providência lhe poupasse a vida, atendendo a que eu era órfã de mãe, desde os mais tenros anos, e sobreveio a infecção que o levou à sepultura. Quando minha única irmã adoeceu, recorri de novo à confiança no Poder Celestial e Priscila morreu, deixando-me os filhos por criar, através de obstáculos numerosos. Como vê a senhora, minha crença não poderia resistir a choques tamanhos. Estou sozinha, abandonada ; sou o cão anônimo, desprezado em desvãos do caminho.
Mas, como a assistência espiritual da Esfera Superior se vale de todos os meios para socorrer ignorantes e infelizes, a vizinha, não obstante a má-fé, constituía-se em instrumento de consolação ao bafejo de amigos desvelados do Plano Superior e replicava:
– Entretanto, quem sabe todas as desilusões não resultaram em beneficio? O noivo, que a enchia de esperança, talvez a envenenasse de desesperação, mais tarde; o genitor teria evitado a operação cirúrgica, mas possivelmente se tornaria dementado, percorrendo hospícios ou convertendo-se em palhaço da via pública; a irmã ter-se-ia curado da pneumonia, mas, viúva muito jovem, talvez lhe amargurasse o coração fraterno, cedendo a sugestões inferiores no caminho da vida.
Em vez de ponderar as observações amigas, Benvinda retrucava:
– Não me conformo: para mim a vida se resume no drama pungente que aniquila o espírito, ou na comédia que revolta o coração.
A palestra continuava, pontilhada de lamentos e acusações gratuitas ao mundo, até que os rapazelhos chamavam à porta. A tia, que perdera tempo em lamúria improdutiva, aproximava-se do fogão, apressada.
– Esta vida não me serve! – dizia em voz alta, amedrontando os jovens – até quando serei escrava dos outros, capacho do Destino? Maldita a hora em que nasci para ser tão desgraçada.
Os sobrinhos miravam-na entristecidos.
– Quando conseguirmos melhor remuneração, titia – exclamava um deles, bondosamente –, havemos de auxiliá-la, retirando-a da fábrica. Não é a senhora nossa verdadeira mãe pelo espírito?
Benvinda, no entanto, longe de comover-se com a observação carinhosa, multiplicava as impertinências.
– Não creio em ninguém – bradava de cenho carregado –, quando vocês puderem, deixar-me-ão na primeira esquina. Não pensam senão em diversões e más companhias. Crêem que resolverão meus problemas com promessas?
Observando-lhe a feição neurastênica, os rapazes esperavam a refeição, sisudamente calados. Terminada esta, regressavam naturalmente à rua. O ambiente doméstico pesava. A lamentação viciosa é força destrutiva.
Benvinda não reparava que as amizades mais íntimas a deixavam sozinha no circulo das queixas injustificadas. Ninguém estava disposto a ouvir-lhe as blasfêmias e críticas impiedosas. As colegas de serviço evitavam-lhe a palestra desanimadora. As vizinhas refugiavam-se em casa ao vê-la em disponibilidade no quintal invadido de ervas rústicas. Os sobrinhos toleravam-na, desenvolvendo imenso esforço. Nesse insulamento, a infeliz piorava sempre. Começou a queixar-se amargamente do serviço e a acusar a administração da fábrica. Enquanto sua atitude se limitava a circulo reduzido, nada aconteceu de extraordinário; todavia, quando resolveu dirigir-se ao gerente para reclamações descabidas, recebeu a ordem inflexível de demissão.
Enclausurada no desespero, não tinha percepção das oportunidades que se desdobram no caminho de todas as criaturas, nem compreendia que não era a única pessoa a lutar no mundo. Crendo-se mártir, agravou a ociosidade mental e foi relegada a plano de absoluto isolamento.
Nem amigos, nem trabalho, nem colegas, nem sobrinhos.
Tudo fugiu, evitando-lhe a atmosfera de padecimento voluntário.
Depois de perder a casa, em venda desvantajosa, a fim de obter recurso à manutenção própria, passou ao terreno da mendicância sórdida.
Foi nessa situação escabrosa que a morte do corpo a compeliu a novos testemunhos.
Desencantada e abatida, acordou na vida real em solidão mais dolorosa. Ninguém a esperava no pórtico de revelações do Além-túmulo. Estava só, sem mão amiga.
E os sofrimentos de que se julgara vítima na Terra?
Não esperava convertê-los em títulos de ventura celestial? Descrera da Providência no mundo, entretanto, no íntimo, sempre acreditara que haveria glorioso lugar para os desventurados e famintos da experiência humana. Depois de longo tempo, em que se multiplicavam provas ásperas, rogou ao Espírito de sua mãe que a esclarecesse na paisagem nova. Tinha sede de explicações, ânsias de paz e fome de entendimento.
Depois da súplica formulada com lágrimas angustiosas, sentiu a aproximação da desvelada genitora.
– Benvinda – murmurou a terna mensageira, carinhosamente –, não te dirijas a Nosso Pai lamentando o aprendizado em que te encontras. Toda queixa viciosa, minha filha, converte-se em crítica injusta à Providência. Estás convicta de que sofreste na Terra; entretanto, a verdade é que envenenaste os poços da Divina Misericórdia. Fugiste às ocasiões de trabalho, desfiguraste o quadro sublime de realizações que te aguardavam a boa-vontade nas estradas da luta humana. Hoje aprendes que a lamentação é energia que dissolve o caráter e opera o insulamento da criatura. Não conseguiste afeições em ninguém, não soubeste conquistar a gratidão das criaturas, nem mesmo das coisas mais ínfimas do caminho. Sofre, minha filha! A dor de agora é tua criação exclusiva. Não imputes a Deus falhas que se verificaram por ti mesma.
– Oh! minha mãe! – suplicou a infeliz – não poderei, porém, voltar e aprender novamente no mundo?
– Mais tarde. Por agora, para que alcances alguma tranqüilidade, incorporar-te-ás à extensa falange espiritual que auxilia os rebeldes e inconformados da luta humana. Reduziste a existência a montão de queixas angustiosas, sem razão de ser. Trabalharás agora, em espírito, ao lado daqueles que se fecham na teimosia quase impenetrável, a fim de compreenderes o trabalho perdido...
E a queixosa trabalha até agora, para abrir consciências endurecidas à compreensão das bênçãos divinas.
É por isso que muitos homens, em momentos de repouso, são por vezes assaltados de idéias súbitas de trabalhos inesperados. Criaturas e coisas enchem-lhes a visão interna, requisitando atividade mais intensa. É que por aí, ao redor da mente em descanso, começam a operar os irmãos de Benvinda, a fim de que a preguiça não lhes aniquile a oportunidade, qual aconteceu a eles mesmos.
Humberto de Campos-Francisco Cândido Xavier
Benvinda rodeava-se de oportunidades benditas, mas não sabia aproveitá-las. Cristalizara-se nas queixas dolorosas, aniquilando as próprias energias. A mente enfermiça desfigurava as sugestões mais belas da vida diária.
– Sou profundamente infeliz – dizia a uma colega de trabalho –, vivo insulada, à maneira de animal sem dono, ao léu da sorte. Morrer seria para mim uma felicidade. Diz-se que o fim é sempre doloroso. Não será, porém, mais agradável alcançar o termo do caminho no seio de tantas sombras e surpresas angustiosas?
– Não digas isso, Benvinda – observava a companheira, com intimidade –, temos saúde, não nos falta trabalho, teus sobrinhos gostam de ti. Não nos sintamos desditosas, quando a oportunidade de serviço continua em nossas mãos.
Mal-humorada – explodia a queixosa, exasperada:
– Que dizes? a existência esmaga-me e desde a infância há sido para mim pesada carga de sofrimentos. Referes-te aos sobrinhos, e que significam eles em meu caminho senão agravo de preocupações? O mundo é cárcere tenebroso, inferno terrível, onde somos convocados a ranger dentes.
Calava-se a colega, ante o transbordamento de revolta insensata.
Na estação do frio, aferrava-se Benvinda em lamentações amargosas; no verão, acusava a Natureza, declarava-se incapaz de tolerar o calor ; e, se chovia, amaldiçoava as nuvens generosas.
Dispondo de muitas horas no ambiente doméstico, a infeliz nunca soube valorizar o santo aconchego das paredes acolhedoras, onde os pais carinhosos lhe haviam dado o beijo da vida.
Enquanto os sobrinhos, quase crianças, permaneciam no trabalho, Benvinda recorria às vizinhas e, mãos cruzadas em sinal de preguiça, continuava incorrigível:
– Ah! Dona Guilhermina, a vida vai-se tornando insuportável. Este mundo resume-se em miséria e desengano. Até quando serei humilhada e perseguida pela má sorte?
– Oh! minha filha! – respondia a interpelada, fixando gestos de mãe compadecida, por ocultar a verdadeira expressão da personalidade habituada à maledicência – Deus é bom Pai. Não desanime. Tenhamos confiança na Providência. Tudo passa neste mundo. A fé pode transformar nossas dificuldades em motivos de vitória e alegria.
– Fé? – replicava Benvinda, exaltada – estou descrente das orações. Deus nunca me atende. Quando sonhava, há dez anos, a organização de um lar que fosse somente meu, rezei pedindo a proteção do Céu e meu noivo desapareceu para desposar outra jovem, mais tarde, longe de mim. Quando meu pai se decidiu à operação, supliquei à Providência lhe poupasse a vida, atendendo a que eu era órfã de mãe, desde os mais tenros anos, e sobreveio a infecção que o levou à sepultura. Quando minha única irmã adoeceu, recorri de novo à confiança no Poder Celestial e Priscila morreu, deixando-me os filhos por criar, através de obstáculos numerosos. Como vê a senhora, minha crença não poderia resistir a choques tamanhos. Estou sozinha, abandonada ; sou o cão anônimo, desprezado em desvãos do caminho.
Mas, como a assistência espiritual da Esfera Superior se vale de todos os meios para socorrer ignorantes e infelizes, a vizinha, não obstante a má-fé, constituía-se em instrumento de consolação ao bafejo de amigos desvelados do Plano Superior e replicava:
– Entretanto, quem sabe todas as desilusões não resultaram em beneficio? O noivo, que a enchia de esperança, talvez a envenenasse de desesperação, mais tarde; o genitor teria evitado a operação cirúrgica, mas possivelmente se tornaria dementado, percorrendo hospícios ou convertendo-se em palhaço da via pública; a irmã ter-se-ia curado da pneumonia, mas, viúva muito jovem, talvez lhe amargurasse o coração fraterno, cedendo a sugestões inferiores no caminho da vida.
Em vez de ponderar as observações amigas, Benvinda retrucava:
– Não me conformo: para mim a vida se resume no drama pungente que aniquila o espírito, ou na comédia que revolta o coração.
A palestra continuava, pontilhada de lamentos e acusações gratuitas ao mundo, até que os rapazelhos chamavam à porta. A tia, que perdera tempo em lamúria improdutiva, aproximava-se do fogão, apressada.
– Esta vida não me serve! – dizia em voz alta, amedrontando os jovens – até quando serei escrava dos outros, capacho do Destino? Maldita a hora em que nasci para ser tão desgraçada.
Os sobrinhos miravam-na entristecidos.
– Quando conseguirmos melhor remuneração, titia – exclamava um deles, bondosamente –, havemos de auxiliá-la, retirando-a da fábrica. Não é a senhora nossa verdadeira mãe pelo espírito?
Benvinda, no entanto, longe de comover-se com a observação carinhosa, multiplicava as impertinências.
– Não creio em ninguém – bradava de cenho carregado –, quando vocês puderem, deixar-me-ão na primeira esquina. Não pensam senão em diversões e más companhias. Crêem que resolverão meus problemas com promessas?
Observando-lhe a feição neurastênica, os rapazes esperavam a refeição, sisudamente calados. Terminada esta, regressavam naturalmente à rua. O ambiente doméstico pesava. A lamentação viciosa é força destrutiva.
Benvinda não reparava que as amizades mais íntimas a deixavam sozinha no circulo das queixas injustificadas. Ninguém estava disposto a ouvir-lhe as blasfêmias e críticas impiedosas. As colegas de serviço evitavam-lhe a palestra desanimadora. As vizinhas refugiavam-se em casa ao vê-la em disponibilidade no quintal invadido de ervas rústicas. Os sobrinhos toleravam-na, desenvolvendo imenso esforço. Nesse insulamento, a infeliz piorava sempre. Começou a queixar-se amargamente do serviço e a acusar a administração da fábrica. Enquanto sua atitude se limitava a circulo reduzido, nada aconteceu de extraordinário; todavia, quando resolveu dirigir-se ao gerente para reclamações descabidas, recebeu a ordem inflexível de demissão.
Enclausurada no desespero, não tinha percepção das oportunidades que se desdobram no caminho de todas as criaturas, nem compreendia que não era a única pessoa a lutar no mundo. Crendo-se mártir, agravou a ociosidade mental e foi relegada a plano de absoluto isolamento.
Nem amigos, nem trabalho, nem colegas, nem sobrinhos.
Tudo fugiu, evitando-lhe a atmosfera de padecimento voluntário.
Depois de perder a casa, em venda desvantajosa, a fim de obter recurso à manutenção própria, passou ao terreno da mendicância sórdida.
Foi nessa situação escabrosa que a morte do corpo a compeliu a novos testemunhos.
Desencantada e abatida, acordou na vida real em solidão mais dolorosa. Ninguém a esperava no pórtico de revelações do Além-túmulo. Estava só, sem mão amiga.
E os sofrimentos de que se julgara vítima na Terra?
Não esperava convertê-los em títulos de ventura celestial? Descrera da Providência no mundo, entretanto, no íntimo, sempre acreditara que haveria glorioso lugar para os desventurados e famintos da experiência humana. Depois de longo tempo, em que se multiplicavam provas ásperas, rogou ao Espírito de sua mãe que a esclarecesse na paisagem nova. Tinha sede de explicações, ânsias de paz e fome de entendimento.
Depois da súplica formulada com lágrimas angustiosas, sentiu a aproximação da desvelada genitora.
– Benvinda – murmurou a terna mensageira, carinhosamente –, não te dirijas a Nosso Pai lamentando o aprendizado em que te encontras. Toda queixa viciosa, minha filha, converte-se em crítica injusta à Providência. Estás convicta de que sofreste na Terra; entretanto, a verdade é que envenenaste os poços da Divina Misericórdia. Fugiste às ocasiões de trabalho, desfiguraste o quadro sublime de realizações que te aguardavam a boa-vontade nas estradas da luta humana. Hoje aprendes que a lamentação é energia que dissolve o caráter e opera o insulamento da criatura. Não conseguiste afeições em ninguém, não soubeste conquistar a gratidão das criaturas, nem mesmo das coisas mais ínfimas do caminho. Sofre, minha filha! A dor de agora é tua criação exclusiva. Não imputes a Deus falhas que se verificaram por ti mesma.
– Oh! minha mãe! – suplicou a infeliz – não poderei, porém, voltar e aprender novamente no mundo?
– Mais tarde. Por agora, para que alcances alguma tranqüilidade, incorporar-te-ás à extensa falange espiritual que auxilia os rebeldes e inconformados da luta humana. Reduziste a existência a montão de queixas angustiosas, sem razão de ser. Trabalharás agora, em espírito, ao lado daqueles que se fecham na teimosia quase impenetrável, a fim de compreenderes o trabalho perdido...
E a queixosa trabalha até agora, para abrir consciências endurecidas à compreensão das bênçãos divinas.
É por isso que muitos homens, em momentos de repouso, são por vezes assaltados de idéias súbitas de trabalhos inesperados. Criaturas e coisas enchem-lhes a visão interna, requisitando atividade mais intensa. É que por aí, ao redor da mente em descanso, começam a operar os irmãos de Benvinda, a fim de que a preguiça não lhes aniquile a oportunidade, qual aconteceu a eles mesmos.
Humberto de Campos-Francisco Cândido Xavier
Se Soubéssemos
Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem.” – Jesus. (Lucas, 23:34.)
-Se o homicida conhecesse, de antemão, o tributo de dor que a vida lhe cobrará, no reajuste do seu destino, preferiria não ter braços para desferir qualquer golpe.
-Se o caluniador pudesse eliminar a crosta de sombra que lhe enlouquece a visão, observando o sofrimento que o espera no acerto de contas com a verdade, paralisaria as cordas vocais ou imobilizaria a pena, a fim de não se confiar à acusação descabida.
-Se o desertor do bem conseguisse enxergar as perigosas ciladas com que as trevas lhe furtarão o contentamento de viver, deter-se-ia feliz, sob as algemas santificantes dos mais pesados deveres.
-Se o ingrato percebesse o fel de amargura que lhe invadirá, mais tarde, o coração, não perpetraria o delito da indiferença.
-Se o egoísta contemplasse a solidão infernal que o aguarda, nunca se apartaria da prática infatigável da fraternidade e da cooperação.
-Se o glutão enxergasse os desequilíbrios para os quais encaminha o próprio corpo, apressando a marcha para a morte, renderia culto invariável à frugalidade e à harmonia.
-Se soubéssemos quão terrível é o resultado de nosso desrespeito às Leis Divinas, jamais nos afastaríamos do caminho reto.
Perdoa, pois, a quem te fere e calunia…
Em verdade, quantos se rendem às sugestões perturbadoras do mal não sabem o que fazem.
Emmanuel- Francisco Cândido Xavier
-Se o homicida conhecesse, de antemão, o tributo de dor que a vida lhe cobrará, no reajuste do seu destino, preferiria não ter braços para desferir qualquer golpe.
-Se o caluniador pudesse eliminar a crosta de sombra que lhe enlouquece a visão, observando o sofrimento que o espera no acerto de contas com a verdade, paralisaria as cordas vocais ou imobilizaria a pena, a fim de não se confiar à acusação descabida.
-Se o desertor do bem conseguisse enxergar as perigosas ciladas com que as trevas lhe furtarão o contentamento de viver, deter-se-ia feliz, sob as algemas santificantes dos mais pesados deveres.
-Se o ingrato percebesse o fel de amargura que lhe invadirá, mais tarde, o coração, não perpetraria o delito da indiferença.
-Se o egoísta contemplasse a solidão infernal que o aguarda, nunca se apartaria da prática infatigável da fraternidade e da cooperação.
-Se o glutão enxergasse os desequilíbrios para os quais encaminha o próprio corpo, apressando a marcha para a morte, renderia culto invariável à frugalidade e à harmonia.
-Se soubéssemos quão terrível é o resultado de nosso desrespeito às Leis Divinas, jamais nos afastaríamos do caminho reto.
Perdoa, pois, a quem te fere e calunia…
Em verdade, quantos se rendem às sugestões perturbadoras do mal não sabem o que fazem.
Emmanuel- Francisco Cândido Xavier
terça-feira, 2 de julho de 2013
NO PROBLEMA DA DOR
Para liquidar o problema da dor, ninguém deprecie a responsabilidade que lhe compete.O Universo é regido pela Justiça Divina, e, nos tribunais do Perfeito Equilíbrio, todo sofrimento é resgate entre as criaturas, quando não seja luminosa missão de amor dos espíritos angélicos.
Para ilustrar o conceito, recordemos que as doenças no mundo requerem medidas especiais.
O embaraço gástrico pede medicação laxativa.
A arteriosclerose exige tratamento adequado.
A apendicite reclama a intercessão operatória.
A escabiose aguarda recurso balsamizante.
O carcinoma pede extirpação e limpeza.
A loucura roga amparo e insulamento.
Para a legião das moléstias comuns, surge todo um exército de especialistas e enfermeiros, socorros e intervenções.
Assim também, na Vida Espiritual, cada consciência culpada que lhe alcança os domínios pelos braços da morte, implora a assistência na farmácia da vida.
A dor é procurada como remédio valioso e a reencarnação é o caminho em que deve ser encontrada.
Quem abusou da fortuna material, pede a cooperação da extrema pobreza.
Quem relaxou a saúde, clama pela enfermidade como medida capaz de garantir-lhe o reajuste.
Quem se arrojou à delinquência, na alucinação da beleza física, pede o corpo disforme que lhe assegure o retorno à tranquilidade.
Quem aviltou a inteligência, suplica as inibições mentais do cérebro curto, como serviço indispensável à própria restauração.
Quem se valeu do poder para espalhar aflições e lágrimas, requisita a desvalia social com problemas difíceis em que lágrimas e aflições lhe regenerem o campo íntimo.
Recebe, pois, o tipo de experiência que escolheste na Terra, em benefício de tua própria recuperação para Deus, sem desfalecer no trabalho que a Justiça te reservou.
Acolhe a dor e a luta por sábias instrutoras da vida e não lhes menoscabes o concurso santificante.
A sombra de ontem te procura o asilo de hoje e somente ao preço de teu sacrifício na tarefa redentora, pelo próprio dever cumprido, é que atingirás, valoroso e feliz, a Plena Luz de Amanhã.
Francisco Cândido Xavier -Emmanuel.
Mensagem extraída do livro Páginas de Fé, editora IDEAL
Para ilustrar o conceito, recordemos que as doenças no mundo requerem medidas especiais.
O embaraço gástrico pede medicação laxativa.
A arteriosclerose exige tratamento adequado.
A apendicite reclama a intercessão operatória.
A escabiose aguarda recurso balsamizante.
O carcinoma pede extirpação e limpeza.
A loucura roga amparo e insulamento.
Para a legião das moléstias comuns, surge todo um exército de especialistas e enfermeiros, socorros e intervenções.
Assim também, na Vida Espiritual, cada consciência culpada que lhe alcança os domínios pelos braços da morte, implora a assistência na farmácia da vida.
A dor é procurada como remédio valioso e a reencarnação é o caminho em que deve ser encontrada.
Quem abusou da fortuna material, pede a cooperação da extrema pobreza.
Quem relaxou a saúde, clama pela enfermidade como medida capaz de garantir-lhe o reajuste.
Quem se arrojou à delinquência, na alucinação da beleza física, pede o corpo disforme que lhe assegure o retorno à tranquilidade.
Quem aviltou a inteligência, suplica as inibições mentais do cérebro curto, como serviço indispensável à própria restauração.
Quem se valeu do poder para espalhar aflições e lágrimas, requisita a desvalia social com problemas difíceis em que lágrimas e aflições lhe regenerem o campo íntimo.
Recebe, pois, o tipo de experiência que escolheste na Terra, em benefício de tua própria recuperação para Deus, sem desfalecer no trabalho que a Justiça te reservou.
Acolhe a dor e a luta por sábias instrutoras da vida e não lhes menoscabes o concurso santificante.
A sombra de ontem te procura o asilo de hoje e somente ao preço de teu sacrifício na tarefa redentora, pelo próprio dever cumprido, é que atingirás, valoroso e feliz, a Plena Luz de Amanhã.
Francisco Cândido Xavier -Emmanuel.
Mensagem extraída do livro Páginas de Fé, editora IDEAL
Traição na visão Espírita
Luz Da Existencia Kardecista
O Espiritismo, através da literatura, nos apresenta vários de casos de traição que ocasionaram grandes tragédias, perseguições além-túmulo que perduram por muito tempo.Talvez nenhum ato gere tanto sofrimento quanto a traição. Sei que pode haver traição em qualquer relação; Judas traiu Jesus, Silvério traiu Tiradentes...
Mas eu me refiro à traição conjugal, à quebra de confiança entre duas pessoas que se relacionam amorosamente. Não sei se há maior motivo de mágoa e rancor do que o sentimento gerado pela traição. Vários gêneros musicais retratam a traição; o tango e a música sertaneja são exemplos. Há pessoas que se notabilizam por traírem ou serem traídos.
A traição abala estruturas emocionais frágeis. É um ato que atinge vários pontos fracos de uma vez só. O orgulho ferido, o amor-próprio despedaçado, o sentimento de posse desrespeitado, o sentimento desconsiderado, a decepção com alguém importante e, provavelmente, amado.
Conheci dezenas de casos de traição. Todos eles dolorosos. Poucos os traídos que superam a situação com facilidade, sem dar ao caso mais importância do que realmente tem. Porque se analisarmos friamente, o que mais gera dor é o orgulho, o sentimento de posse e a crença na própria importância.
Quando nos relacionamos seriamente ou nos casamos, nos sentimos de posse da pessoa amada. Queremos seus passos sob controle. Mesmo nas relações onde reina a confiança mútua e onde há mais liberdade, há códigos de proibições. Tem aquelas coisas, lugares, pessoas ou atividades que são proibidas de comum acordo. Uma dessas coisas, quase sempre, é o sexo fora da relação. É proibido. A cultura milenar monogâmica não admite a possibilidade de que uma pessoa estranha à relação possa se envolver, mesmo que só sexualmente, com um dos cônjuges.
Há o caso famoso de Jean-Paul Sartre e Simone de Beouvoir. Ambos combinaram de manter uma relação aberta, de amor, carinho e respeito, em que cada um pudesse se relacionar livremente com quem quisesse. Não haveria traição, pois tudo seria compartilhado, nada seria escondido. Hoje se sabe que Simone de Beouvoir sofria muito, havia ciúme entre os dois e ela era profundamente infeliz. Foi a mais famosa tentativa de uma relação amorosa aberta entre pessoas maduras.
Recebo relatos de pessoas que traíram ou foram traídas. Pedem conselhos, orientações. O que dizer, que já não seja dito para todo mundo? Perdoar, pedir perdão, orar, aprender com o erro e não repeti-lo. Não há orientação que resolva os conflitos gerados pela traição. Mesmo que haja o perdão, é difícil manter a relação. Como recobrar a confiança? Como não lembrar?
A traição conjugal deixa claro nossa condição moral precária, nosso acanhamento espiritual. Perdoar é conceder nova chance. Se a distância ou a separação for uma condição para o perdão, talvez não seja perdão verdadeiro…
A traição é um erro dos mais graves e deve ser evitada a qualquer custo. O preço de alguns momentos de prazer (que talvez nem sejam compensadores) é muito alto. É dor para quem trai, para quem é traído e para as demais pessoas envolvidas. No caso de adultério entre pessoas casadas, são famílias inteiras pagando o preço de uma irresponsabilidade nascida de um desejo carnal… Sem contar as consequências futuras. É muito provável que a traição deixe sequelas a serem sanadas depois do desencarne.
http://www.espiritoimortal.com.br/tag/traicao-na-visao-espirita/
O Espiritismo, através da literatura, nos apresenta vários de casos de traição que ocasionaram grandes tragédias, perseguições além-túmulo que perduram por muito tempo.Talvez nenhum ato gere tanto sofrimento quanto a traição. Sei que pode haver traição em qualquer relação; Judas traiu Jesus, Silvério traiu Tiradentes...
Mas eu me refiro à traição conjugal, à quebra de confiança entre duas pessoas que se relacionam amorosamente. Não sei se há maior motivo de mágoa e rancor do que o sentimento gerado pela traição. Vários gêneros musicais retratam a traição; o tango e a música sertaneja são exemplos. Há pessoas que se notabilizam por traírem ou serem traídos.
A traição abala estruturas emocionais frágeis. É um ato que atinge vários pontos fracos de uma vez só. O orgulho ferido, o amor-próprio despedaçado, o sentimento de posse desrespeitado, o sentimento desconsiderado, a decepção com alguém importante e, provavelmente, amado.
Conheci dezenas de casos de traição. Todos eles dolorosos. Poucos os traídos que superam a situação com facilidade, sem dar ao caso mais importância do que realmente tem. Porque se analisarmos friamente, o que mais gera dor é o orgulho, o sentimento de posse e a crença na própria importância.
Quando nos relacionamos seriamente ou nos casamos, nos sentimos de posse da pessoa amada. Queremos seus passos sob controle. Mesmo nas relações onde reina a confiança mútua e onde há mais liberdade, há códigos de proibições. Tem aquelas coisas, lugares, pessoas ou atividades que são proibidas de comum acordo. Uma dessas coisas, quase sempre, é o sexo fora da relação. É proibido. A cultura milenar monogâmica não admite a possibilidade de que uma pessoa estranha à relação possa se envolver, mesmo que só sexualmente, com um dos cônjuges.
Há o caso famoso de Jean-Paul Sartre e Simone de Beouvoir. Ambos combinaram de manter uma relação aberta, de amor, carinho e respeito, em que cada um pudesse se relacionar livremente com quem quisesse. Não haveria traição, pois tudo seria compartilhado, nada seria escondido. Hoje se sabe que Simone de Beouvoir sofria muito, havia ciúme entre os dois e ela era profundamente infeliz. Foi a mais famosa tentativa de uma relação amorosa aberta entre pessoas maduras.
Recebo relatos de pessoas que traíram ou foram traídas. Pedem conselhos, orientações. O que dizer, que já não seja dito para todo mundo? Perdoar, pedir perdão, orar, aprender com o erro e não repeti-lo. Não há orientação que resolva os conflitos gerados pela traição. Mesmo que haja o perdão, é difícil manter a relação. Como recobrar a confiança? Como não lembrar?
A traição conjugal deixa claro nossa condição moral precária, nosso acanhamento espiritual. Perdoar é conceder nova chance. Se a distância ou a separação for uma condição para o perdão, talvez não seja perdão verdadeiro…
A traição é um erro dos mais graves e deve ser evitada a qualquer custo. O preço de alguns momentos de prazer (que talvez nem sejam compensadores) é muito alto. É dor para quem trai, para quem é traído e para as demais pessoas envolvidas. No caso de adultério entre pessoas casadas, são famílias inteiras pagando o preço de uma irresponsabilidade nascida de um desejo carnal… Sem contar as consequências futuras. É muito provável que a traição deixe sequelas a serem sanadas depois do desencarne.
http://www.espiritoimortal.com.br/tag/traicao-na-visao-espirita/
AS DUAS FACES
Richard Simonetti ·
Famoso artista assumiu o compromisso de pintar um quadro a óleo para a catedral de uma cidade italiana. Durante meses dedicou-se ao gratificante trabalho. Ao final, faltavam as faces de duas figuras: Jesus menino e Judas Iscariotes. Em bairro de periferia encontrou um garoto de sete anos, cujo rosto o impressionou vivamente. Tinha expressão suave, fisionomia tranquila, olhos brilhantes e expressivos, exatamente o que desejava. O pintor suspirou, aliviado. Faltava apenas Judas.
O tempo passou, o quadro empacou; anos se sucederam, sem que o modelo ideal fosse encontrado. O artista viu homens que traziam estampada na face a vilania e a degradação. Mas nenhum deles possuía uma fisionomia que configurasse Judas como o imaginava: deprimente figura, um infeliz vencido pela ambição, atormentado pela vil traição.
Certa feita bebericava um copo de vinho numa taverna, quando um mendigo, esfarrapado e magro, apareceu à porta. Cambaleante, caiu e rolou pelo chão. Voz rouquenha clamava: – Vinho, vinho!
Aquela fisionomia atormentada, viciosa, suja, desesperada, era o retrato fiel de Judas! Emocionado, propôs-lhe: – Venha comigo! Eu o ajudarei!
Depois de ter satisfeito a fome e a sede do improvisado modelo, o pintor desvelou a tela, dispondo-se a iniciar o trabalho. Entretanto, quando o mendigo a contemplou, deixou-se possuir por grande agitação, desandando em choro convulso.
– O que houve? Por que essa aflição? – perguntou o artista.
A gaguejar, o infeliz fez surpreendente revelação:
– Não se lembra de mim? Há muitos anos estive aqui. Fui eu! Fui eu quem posou para o seu menino Jesus!
Este fascinante episódio dramatiza uma situação que se repete, indefinidamente, no Mundo: A perda da inocência e da pureza, e o comprometimento com vícios e paixões, marcando a transição da infância para a idade adulta.
Jean-Jacques Rousseau proclamava que o homem é bom ao nascer. Nasce com a face de Jesus. A sociedade lhe imprime o rosto de Judas. Forçoso considerar, entretanto, o que se assim fosse, estaríamos diante de um fatalismo inconcebível, uma incoerência de Deus. Colocar-nos num mundo onde fôssemos inexoravelmente induzidos ao mal.
Sócrates, que viveu há mais de dois mil anos antes de Rousseau, tinha um conceito melhor. Admitindo a reencarnação, considerava que a criança não é um livro em branco. Guarda registros de vidas anteriores. Educar seria não apenas fazer o Espírito entrar na posse de seu patrimônio de experiências pretéritas, mas também ajudá-lo a superar as tendências inferiores resultantes de seus desvios.
É exatamente esse o ponto de vista da Doutrina Espírita, a nos ensinar que a candura da criança, sua inocência e simplicidade, nada tem em comum com a natureza do Espírito que ali está. Objetivam despertar naqueles que a cercam, sentimentos de proteção e carinho, fundamentais para que sobreviva, já que nessa fase o ser humano é totalmente dependente.
A partir da adolescência, o Espírito reencontra a si mesmo, com suas qualidades e defeitos. A maldade, o vício, a inconsequência, refletirão apenas aquilo que ele é, realmente, fruto de suas experiências passadas. Por isso é que a face de Jesus pode converter-se na face de Judas. A pureza aparente pode ocultar o comprometimento com paixões e vícios.
Mas também o contrário pode acontecer. Ensina a Doutrina Espírita, questão 383, de O Livro dos Espíritos, que a infância tem por objetivo ajudar o Espírito reencarnante a superar suas tendências inferiores, porquanto nessa fase ele é extremamente sensível às influências que recebe dos adultos. Uma educação segura, inspirada em disciplina e amor, operam prodígios de renovação nos filhos.
Em linhas gerais, consideremos que a face de Jesus menino tem se convertido, em nós, nas experiências reencarnatórias, na face lamentável de Judas. Somos convocados, agora, pelo conhecimento espírita, a transformar a face de Judas na figura radiante do Cristo, empenhando-nos com tal ardor e dedicação, que um dia possamos repetir com o Apóstolo Paulo (Gálatas, 2:20): ...e já não sou eu quem vive, mas o Cristo que vive em mim.
Famoso artista assumiu o compromisso de pintar um quadro a óleo para a catedral de uma cidade italiana. Durante meses dedicou-se ao gratificante trabalho. Ao final, faltavam as faces de duas figuras: Jesus menino e Judas Iscariotes. Em bairro de periferia encontrou um garoto de sete anos, cujo rosto o impressionou vivamente. Tinha expressão suave, fisionomia tranquila, olhos brilhantes e expressivos, exatamente o que desejava. O pintor suspirou, aliviado. Faltava apenas Judas.
O tempo passou, o quadro empacou; anos se sucederam, sem que o modelo ideal fosse encontrado. O artista viu homens que traziam estampada na face a vilania e a degradação. Mas nenhum deles possuía uma fisionomia que configurasse Judas como o imaginava: deprimente figura, um infeliz vencido pela ambição, atormentado pela vil traição.
Certa feita bebericava um copo de vinho numa taverna, quando um mendigo, esfarrapado e magro, apareceu à porta. Cambaleante, caiu e rolou pelo chão. Voz rouquenha clamava: – Vinho, vinho!
Aquela fisionomia atormentada, viciosa, suja, desesperada, era o retrato fiel de Judas! Emocionado, propôs-lhe: – Venha comigo! Eu o ajudarei!
Depois de ter satisfeito a fome e a sede do improvisado modelo, o pintor desvelou a tela, dispondo-se a iniciar o trabalho. Entretanto, quando o mendigo a contemplou, deixou-se possuir por grande agitação, desandando em choro convulso.
– O que houve? Por que essa aflição? – perguntou o artista.
A gaguejar, o infeliz fez surpreendente revelação:
– Não se lembra de mim? Há muitos anos estive aqui. Fui eu! Fui eu quem posou para o seu menino Jesus!
Este fascinante episódio dramatiza uma situação que se repete, indefinidamente, no Mundo: A perda da inocência e da pureza, e o comprometimento com vícios e paixões, marcando a transição da infância para a idade adulta.
Jean-Jacques Rousseau proclamava que o homem é bom ao nascer. Nasce com a face de Jesus. A sociedade lhe imprime o rosto de Judas. Forçoso considerar, entretanto, o que se assim fosse, estaríamos diante de um fatalismo inconcebível, uma incoerência de Deus. Colocar-nos num mundo onde fôssemos inexoravelmente induzidos ao mal.
Sócrates, que viveu há mais de dois mil anos antes de Rousseau, tinha um conceito melhor. Admitindo a reencarnação, considerava que a criança não é um livro em branco. Guarda registros de vidas anteriores. Educar seria não apenas fazer o Espírito entrar na posse de seu patrimônio de experiências pretéritas, mas também ajudá-lo a superar as tendências inferiores resultantes de seus desvios.
É exatamente esse o ponto de vista da Doutrina Espírita, a nos ensinar que a candura da criança, sua inocência e simplicidade, nada tem em comum com a natureza do Espírito que ali está. Objetivam despertar naqueles que a cercam, sentimentos de proteção e carinho, fundamentais para que sobreviva, já que nessa fase o ser humano é totalmente dependente.
A partir da adolescência, o Espírito reencontra a si mesmo, com suas qualidades e defeitos. A maldade, o vício, a inconsequência, refletirão apenas aquilo que ele é, realmente, fruto de suas experiências passadas. Por isso é que a face de Jesus pode converter-se na face de Judas. A pureza aparente pode ocultar o comprometimento com paixões e vícios.
Mas também o contrário pode acontecer. Ensina a Doutrina Espírita, questão 383, de O Livro dos Espíritos, que a infância tem por objetivo ajudar o Espírito reencarnante a superar suas tendências inferiores, porquanto nessa fase ele é extremamente sensível às influências que recebe dos adultos. Uma educação segura, inspirada em disciplina e amor, operam prodígios de renovação nos filhos.
Em linhas gerais, consideremos que a face de Jesus menino tem se convertido, em nós, nas experiências reencarnatórias, na face lamentável de Judas. Somos convocados, agora, pelo conhecimento espírita, a transformar a face de Judas na figura radiante do Cristo, empenhando-nos com tal ardor e dedicação, que um dia possamos repetir com o Apóstolo Paulo (Gálatas, 2:20): ...e já não sou eu quem vive, mas o Cristo que vive em mim.
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