sexta-feira, 26 de julho de 2013

O Suicida do trem

Mansão Do Caminho

Eu nunca me esquecerei que um dia havia lido num jornal acerca de um suicídio terrível, que me impactou: um homem jogou-se sobre a linha férrea, sob os vagões da locomotiva e foi triturado. E o jornal, com todo o estardalhaço, contava a tragédia, dizendo que aquele era um pai de dez filhos, um operário modesto.
Aquilo me impressionou tanto que resolvi orar por esse homem.
Tenho uma cadernetinha para anotar nomes de pessoas necessitadas. Eu vou orando por elas e, de vez em quando, digo: se este aqui já evoluiu, vou dar o seu lugar para outro; não posso fazer mais.
Assim, coloquei-lhe o nome na minha caderneta de preces especiais - as preces que faço pela madrugada. Da minha janela eu vejo uma estrela e acompanho o seu ciclo; então, fico orando, olhando para ela, conversando. Somos muito amigos, já faz muitos anos. Ela é paciente, sempre aparece no mesmo lugar e desaparece no outro.
Comecei a orar por esse homem desconhecido.
Fazia a minha prece, intercedia, dava uma de advogado, e dizia: Meu Jesus, quem se mata (como dizia minha mãe) "não está com o juízo no lugar". Vai ver que ele nem quis se matar; foram as circunstâncias. Orava e pedia, dedicando-lhe mais de cinco minutos (e eu tenho uma fila bem grande), mas esse era especial.
Passaram-se quase quinze anos e eu orando por ele diariamente, onde quer que estivesse.
Um dia, eu tive um problema que me fez sofrer muito.
Nessa noite cheguei à janela para conversar com a minha estrela e não pude orar.
Não estava em condições de interceder pelos outros. Encontrava-me com uma grande vontade de chorar; mas, sou muito difícil de fazê-lo por fora, aprendi a chorar por dentro.
Fico aflito, experimento a dor, e as lágrimas não saem. Eu tenho uma grande inveja de quem chora aquelas lágrimas enormes, volumosas, que não consigo verter.
Daí a pouco a emoção foi-me tomando e, quando me dei conta, chorava.
Nesse ínterim, entrou um Espírito e me perguntou:
- Por que você está chorando?
- Ah! Meu irmão - respondi - hoje estou com muita vontade de chorar, porque sofro um problema grave e, como não tenho a quem me queixar, porquanto eu vivo para consolar os outros, não lhes posso contar os meus sofrimentos. Além do mais, não tenho esse direito; aprendi a não reclamar e não me estou queixando.
O Espírito retrucou:
- Divaldo, e seu eu lhe pedir para que você não chore, o que é que você fará?
- Hoje nem me peça. Porque é o único dia que eu consegui fazê-lo. Deixe-me chorar!
- Não faça isto - pediu. - Se você chorar eu também chorarei muito.
- Mas por que você vai chorar? - perguntei-lhe.
- Porque eu gosto muito de você. Eu amo muito a você e amo por amor.
Como é natural, fiquei muito contente com o que ele me dizia.
- Você me inspira muita ternura - prosseguiu - e o amo por gratidão. Há muitos anos eu me joguei embaixo das rodas de um trem. E não há como definir a sensação da eterna tragédia.
Eu ouvia o trem apitar, via-o crescer ao meu encontro e sentia-lhe as rodas me triturando, sem terminar nunca e sem nunca morrer.
Quando acabava de passar, quando eu ia respirar, escutava o apito e começava tudo outra vez, eternamente.
Até que um dia escutei alguém chamar pelo meu nome. Fê-lo com tanto amor, que aquilo me aliviou por um segundo, pois o sofrimento logo voltou.
Mais tarde, novamente, ouvi alguém chamar por mim.
Passei a ter interregnos em que alguém me chamava, eu conseguia respirar, para aguentar aquele morrer que nunca morria e não sei lhe dizer o tempo que passou.
Transcorreu muito tempo mesmo, até o momento em que deixei de ouvir o apito do trem, para escutar a pessoa que me chamava.
Dei-me conta, então, que a morte não me matara e que alguém pedia a Deus por mim.
Lembrei-me de Deus, de minha mãe, que já havia morrido.
Comecei a refletir que eu não tinha o direito de ter feito aquilo, passei a ouvir alguém dizendo: "Ele não fez por mal. Ele não quis matar-se."
Até que um dia esta força foi tão grande que me atraiu; aí eu vi você nesta janela, chamando por mim.
- Eu perguntei - continuou o Espírito - quem é?
Quem está pedindo a Deus por mim, com tanto carinho, com tanta misericórdia?
Mamãe surgiu e esclareceu-me:
- É uma alma que ora pelos desgraçados.
- Comovi-me, chorei muito e a partir daí passei a vir aqui, sempre que você me chamava pelo nome. (Note que eu nunca o vira, face às diferenças vibratórias.)
- Quando adquiri a consciência total - prosseguiu ele - já se haviam passado mais de catorze anos.
Lembrei-me de minha família e fui à minha casa. Encontrei a esposa blasfemando, injuriando-me: "- Aquele desgraçado desertou, reduzindo-nos à mais terrível miséria.
A minha filha é hoje uma perdida, porque não teve comida e nem paz e foi-se vender para tê-los.
Meu filho é um bandido, porque teve um pai egoísta, que se matou para não enfrentar a responsabilidade.
Deixando-nos, ele nos reduziu a esse estado."
- Senti-lhe o ódio terrível. Depois, fui atraído à minha filha, num destes lugares miseráveis, onde ela estava exposta como mercadoria. Fui visitar meu filho na cadeia.
- Divaldo -falou-me emocionado - aí eu comecei a somar às "dores físicas" a dor moral, dos danos que o meu suicídio trouxe.
Porque o suicida não responde só pelo gesto, pelo ato da autodestruição, mas, também, por toda uma onda de efeitos que decorrem do seu ato insensato, sendo tudo isto lançado a seu débito na lei de responsabilidades.
Além de você, mais ninguém orava, ninguém tinha dó de mim, só você, um estranho.
Então hoje, que você está sofrendo, eu lhe venho pedir: em nome de todos nós, os infelizes, não sofra! Porque se você entristecer, o que será de nós, os que somos permanentemente tristes?
Se você agora chora, que será de nós, que estamos aprendendo a sorrir com a sua alegria?
Você não tem o direito de sofrer, pelo menos por nós, e por amor a nós, não sofra mais.
Aproximou-se, me deu um abraço, encostou a cabeça no meu ombro e chorou demoradamente.
Doridamente, ele chorou.
Igualmente emocionado, falei-lhe:
- Perdoe-me, mas eu não esperava comovê-lo.
- São lágrimas de felicidade. Pela primeira vez, eu sou feliz, porque agora eu me posso reabilitar. Estou aprendendo a consolar alguém. E a primeira pessoa a quem eu consolo é você. 

Divaldo Pereira Franco

Hóstia Católica

Grupo Além da vida

DISSE CHICO XAVIER:
“Em nossa infância, e na primeira juventude, frequentava a Igreja Católica com o mesmo respeito com que nos dirigimos hoje a uma reunião espírita cristã, e sempre sentimos, reconhecemos, dentro da Igreja Católica, prodígios de espiritualidade inimagináveis.Muitas vezes, principalmente nas missas da manhã, quando era possível a comunhão de vibrações espirituais de todos os crentes numa só faixa de espiritualidade e de fé em Jesus, tivemos oportunidade de ver espíritos santificados que abençoavam as hóstias, e elas se transformavam como se fossem flores de luz, que o sacerdote oferecia na mesa da comunhão.
Muitas vezes, principalmente no altar daquela que nós veneramos como sendo a nossa Mãe Santíssima, vimos irradiações de luz que alcançavam toda a assembléia, do altar consagrado a Santa Teresinha de Lisieux, muitas vezes vi repartirem rosas trazidas por criaturas desencarnadas, amigos e amigas católicos da cidade de Pedro Leopoldo, sem que eu pudesse explicar o fenômeno.”
Chico conta, ainda, que as hóstias iluminadas, quando recebidas por
pessoas de fé, não se apagavam ao serem ingeridas por elas, sendo
absorvidas, de preferência, pelos órgãos que estivessem atacados por alguma enfermidade. Por outro lado, nas pessoas que comungavam sem fé, as hóstias se obscureciam, assim que lhes tocavam os lábios.
O mesmo acontece com o passe espírita.
A fé e o amor são os responsáveis pelos milagres...

Gêmeos Siameses na visão Espírita

Do ponto de vista espiritual, entendemos se tratar provavelmente de dois espíritos ligados por ódio extremo, talvez de muitas reencarnações, e que renascem nestas condições não por livre escolha ou punição divina, mas por uma espécie de determinismo originado na própria lei de causa e efeito. Alternando-se as posições como algoz e vítima e, também, de plano (físico e espiritual), impelidos por irresistível atração de ódio e desejo de vingança, buscam-se sempre e acabam se reencontrando por vezes em circunstâncias dramáticas, que os obrigam a partilhar até do mesmo sangue vital e do ar que respiram.

A convivência ensejará que os dois seres, durante a trajetória (seja ela mais longa ou muito curta), estabeleçam laços de parceria e apoio, despertando sentimentos de amizade, de respeito e início de reconciliação pelo perdão, ainda que imanifestos.

FONTE: REVISTA CRISTÃ DO ESPIRITISMO

Lembranças de entes Queridos

"Ante as lembranças queridas dos entes amados
que te precederam na Grande Transformação,
é natural que as tuas orações, em auxílio a eles,
surjam orvalhadas de lágrimas.
Entretanto, não permitas 
que a saudade se te faça desespero.
Recorda-os, efetuando por eles, 
o bem que desejariam fazer.
Imagina-lhes as mãos dentro das tuas 
e oferece algum apoio aos necessitados;
lembra-lhes a presença amiga e visita um doente, 
qual se lhes estivesses atendendo
a determinada solicitação;
distribui sorrisos e palavras de amor com os 
irmãos algemados a rudes provas, como se
os visses falando por teus lábios e atravessarás
os dias de tristeza ou de angústia com a luz da esperança
no coração, caminhando, em rumo certo, para o
reencontro feliz com todos eles, nas bênçãos de Jesus,
em plena imortalidade.

Emmanuel

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Abortos

ABORTO TERAPÊUTICO
O procedimento abortivo é moral somente numa circunstância, segundo O Livro dos Espíritos, na questão 359, respondida pelos Espíritos Superiores:
Pergunta — Dado o caso que o nascimento da criança pusesse em perigo a vida da mãe dela, haverá crime em sacrificar-se a primeira para salvar a segunda?
Resposta — “Preferível é se sacrifique o ser que ainda não existe a sacrificar-se o que já existe.”
(Os Espíritos referem-se, aqui, ao ser encarnado, após o nascimento.)
Com o avanço da Medicina, torna-se cada vez mais escassa a indicação desse tipo de abortamento. Essa indicação de aborto, todavia, com as angústias que provoca, mostra-se como situação de prova e resgate para pais e filhos, que experimentam a dor educativa em situação limite, propiciando, desse modo, a reparação e o aprendizado necessários.

ABORTO POR ESTUPRO
Justo é se perguntar, se foi a criança que cometeu o crime. Por que imputar-lhe responsabilidade por um delito no qual ela não tomou parte?
Portanto, mesmo quando uma gestação decorre de uma violência, como o estupro, a posição espírita é absolutamente contrária à proposta do aborto, ainda que haja respaldo na legislação humana.
No caso de estupro, quando a mulher não se sinta com estrutura psicológica para criar o filho, cabe à sociedade e aos órgãos governamentais facilitar e estimular a adoção da criança nascida, ao invés de promover a sua morte legal. O direito à vida está, naturalmente, acima do ilusório conforto psicológico da mulher.

ABORTO “EUGÊNICO” OU “PIEDOSO”

A questão 372 de O Livro dos Espíritos é elucidativa:
Pergunta — Que objetivo visa a providência criando seres desgraçados, como os cretinos e os idiotas?
Resposta — “Os que habitam corpos de idiotas são Espíritos sujeitos a uma punição. Sofrem por efeito do constrangimento que experimentam e da impossibilidade em que estão de se manifestarem mediante órgãos não desenvolvidos ou desmantelados.”
Fica evidente, desse modo, que, mesmo na possibilidade de o feto ser portador de lesões graves e irreversíveis, físicas ou mentais, o corpo é o instrumento de que o Espírito necessita para sua evolução, pois que somente na experiência reencarnatória terá condições de reorganizar a sua estrutura desequilibrada por ações que praticou em desacordo com a Lei Divina. Dá-se, também, que ele renasça em um lar cujos pais, na grande maioria das vezes, estão comprometidos com o problema e precisam igualmente passar por essa experiência reeducativa.

ABORTO ECONÔMICO
Esse aspecto é abordado em O Livro dos Espíritos, na questão 687:
Pergunta — Indo sempre a população na progressão crescente que vemos, chegará tempo em que seja excessiva na Terra?
Resposta — “Não, Deus a isso provê e mantém sempre o equilíbrio. Ele coisa alguma inútil faz. O homem, que apenas vê um canto do quadro da Natureza, não pode julgar da harmonia do conjunto.”
Em O Evangelho segundo o Espiritismo, Cap. XXV, a afirmativa de Allan Kardec é esclarecedora: “A Terra produzirá o suficiente para alimentar a todos os seus habitantes, quando os homens souberem administrar, segundo as leis de justiça, de caridade e de amor ao próximo, os bens que ela dá. Quando a fraternidade reinar entre os povos, como entre as províncias de um mesmo império, o momentâneo supérfluo de um suprirá a momentânea insuficiência de outro; e cada um terá o necessário.”
Convém destacar, ainda, que o homem não é apenas um consumidor, mas também um produtor, um agente multiplicador dos recursos naturais, dominando, nesse trabalho, uma tecnologia cada vez mais aprimorada.

O DIREITO DA MULHER
Invoca-se o direito da mulher sobre o seu próprio corpo como argumento para a descriminalização do aborto, entendendo que o filho é propriedade da mãe, não tem identidade própria e é ela quem decide se ele deve viver ou morrer.
Não há dúvida quanto ao direito de escolha da mulher em ser ou não ser mãe. Esse direito ela o exerce, com todos os recursos que os avanços da ciência têm proporcionado, antes da concepção, quando passa a existir, também, o direito de um outro ser, que é o do nascituro, o direito à vida, que se sobrepõe ao outro.
Estudos científicos recentes demonstram o que já se sabia há muito tempo: o feto é uma personalidade independente que apenas se hospeda no organismo materno. O embrião é um ser tão distinto da mãe que, para manter-se vivo dentro do útero, necessita emitir substâncias apropriadas para neutralizar as que são produzidas pelo organismo da hospedeira com o objetivo de expulsá-lo como corpo estranho.

CONSEQÜÊNCIAS DO ABORTO
Após o abortamento, mesmo quando acobertado pela legislação humana, o Espírito rejeitado pode voltar-se contra a mãe e todos aqueles que se envolveram na interrupção da gravidez. Daí dizer Emmanuel (Vida e Sexo, psicografado por Francisco C. Xavier, cap. 17, ed. FEB): “Admitimos seja suficiente breve meditação, em torno do aborto delituoso, para reconhecermos nele um dos fornecedores das moléstias de etiologia obscura e das obsessões catalogáveis na patologia da mente, ocupando vastos departamentos de hospitais e prisões”.
Mulher e homem acumpliciados nas ocorrências do aborto criminoso desajustam as energias psicossomáticas com intenso desequilíbrio, sobretudo, do centro genésico, implantando nos tecidos da própria alma a sementeira de males que surgirão a tempo certo, o que ocorre não só porque o remorso se lhes entranha no ser mas também porque assimilam, inevitavelmente, as vibrações de angústia e desespero, de revolta e vingança dos Espíritos que a lei lhes reservava para filhos.
Por isso compreendem-se as patologias que poderão emergir no corpo físico, especialmente na área reprodutora, como o desaguar das energias perispirituais desestruturadas, convidando o protagonista do aborto a rearmonizar-se com a própria consciência.

NO REAJUSTE

Ante a queda moral pela prática do aborto não se busca condenar ninguém.
O que se pretende é evitar a execução de um grave erro, de conseqüências nefastas, tanto individual como socialmente, como também sua legalização. Como asseverou Jesus: “Eu também não te condeno; vai e não tornes a pecar.” (João,8:11.)
A proposta de recuperação e reajuste que o Espiritismo oferece é de abandonar o culto ao remorso imobilizador, a culpa autodestrutiva e a ilusória busca de amparo na legislação humana, procurando a reparação, mediante reelaboração do conteúdo traumático e novo direcionamento na ação comportamental, o que promoverá a liberação da consciência, através do trabalho no bem, da prática da caridade e da dedicação ao próximo necessitado, capazes de edificar a vida em todas as suas dimensões.
Proteger e dignificar a vida, seja do embrião, seja da mulher, é compromisso de todos os que despertaram para a compreensão maior da existência do ser.
Agindo assim, evitam-se todas as conseqüências infelizes que o aborto desencadeia, mesmo acobertado por uma legalização ilusória. “O amor cobre a multidão de pecados”, nos ensina o apóstolo Pedro (I Epístola, 4:8).
Reformador Fevereiro 2000

Por Sérgio Ribeiro

Controle de Natalidade

Sérgio Ribeiro
Em se tratando do “controle de natalidade”, consideramos que, negar-se o homem ao cumprimento das leis sagradas da natureza, obedecendo a fins puramente egoísticos, é um erro condenável, sem falarmos do aborto provocado que constitui um crime tão grave quanto o homicídio diante da justiça inelutável das determinações divinas.
É indubitável, todavia, que a humanidade caminha para a compreensão da maternidade consciente, porque se o homem tem o seu mapa de provações reparadoras, delineado antes de sua reencarnação no orbe terrestre, compete-lhe, na vida planetária, aproveitar todas as possibilidades do seu relativo livre-arbítrio, no sentido de aperfeiçoar o seu instituto de experiências expiatórias.
Consideramos, portanto, que, antes de quaisquer dispositivos sociais sobre esse assunto, tão delicado, seria conveniente ensinar à mulher a ser mãe e ao homem a ser pai, a fim de que os filhos sejam, primeiramente, filhos do seu espírito e não apenas rebentos de sua carne.
As discussões científicas e filosóficas acerca do problema, se repetem por toda parte. Alguns escritores, alarmados, falam de decrescimento dos indivíduos da raça branca, em virtude da observação do malthusianismo. Em alguns países, cogita-se de legislação para que se orientem os trabalhos de fecundação artificial entre os casais estéreis. Ainda aqui, notamos os extremismos dissolventes, assinalando, melancolicamente, as transições de uma época.
Mas, considerando-se que a direção do mundo não pertence ao homem e sim a Jesus, teriam nascido menos pessoas na França, com a observância à lei de Malthus, por parte de muitos casais, e teriam nascido mais na Itália, com o amparo do fascismo à expansão da natalidade? Cremos que não, para considerar com a voz do povo que “Deus escreve direito através de linhas tortuosas”. Para comprovar a nossa assertiva, reconhecemos que as experiências de fecundação artificial, iniciadas com o abade Spallanzani, nos fins do século XVIII, e continuadas até agora, bem como as aplicações da lei de Ogino-Knaus, sobre o assunto, são, até hoje, caracterizadas pelo empirismo e pela insegurança, ante as observações positivas da ciência.
Depreende-se, pois, que ainda neste problema, toda solução está adstrita à realização interior do homem.
A época é de excentricidades e de experimentos, muita vez lamentáveis, mas, nesse particular, nada se terá feito, sem que o homem conheça a excelsitude dos seus grandes e elevados deveres, dentro do sagrado instituto da família, compenetrando-se da sua missão da paternidade.
E não duvidemos de que, com a reforma interior das criaturas, à luz do espiritualismo, o futuro iluminará a Terra com os clarões da maternidade consciente, quando, então, os lares deixarão de ser, como na sua maioria o são na atualidade, os institutos de expiação e de dor, mas remansos de trabalho e de paz espiritual, integrados no mesmo abençoado labor da seara divina de Jesus.

EMMANUEL
(Mensagem psicografada por Francisco Cândido Xavier, em 22-7-1937, transcrita do livro “Doutrina Inglória”, de Leopoldo Machado, p. 204, Rio, 1941.)

terça-feira, 9 de julho de 2013

Vivências Mediúnicas

Nestas últimas semanas relatei alguns dos atendimentos realizados com a parceria dos grupos Espiritual e Mediúnico encarnado, decorrentes de um ataque de espíritos pouco evoluídos moralmente. Entrei em contato com espíritos revoltados, e alguns destes ignorantes das Leis Maiores.Na maioria dos encontros a agressividade da chegada foi amenizada e aos poucos transformada, revelando algum grau de diluição do ódio e da revolta. De certo modo obtivemos uma sensibilização daquelas almas para a construção de um caminho diferente.
Mas houve um determinado encontro, o primeiro na minha jornada pessoal, com um espírito decidido na recusa do auxílio dos Irmãos da Luz.
O médium sentiu a presença de um Irmão desgarrado, e logo relatou uma energia tão densa e pesada que não sabia se conseguiria entrar num contato mais próximo com o mesmo. Foi à custa da oração e vibrações dirigidas a Mãe Maria que se estabeleceu um tipo de ligação com este ser. Fui intuída que este era um tipo de conexão diferente, e me pareceu que passava por outro médium, porém desencarnado, e por aparelhos.
Em seguida visualizei na minha tela mental uma área pantanosa, exalando vapores enegrecidos, limitada por uma espécie de cúpula de energia densa e magnetizadora que mantinha este espaço enclausurado. Nesse momento pensei já estar em outro atendimento.
Ao nos aproximarmos do local senti a presença dos trabalhadores desencarnados, Irmãos de Luz, e a névoa enegrecida foi esmaecendo. Pude então enxergar que numa espécie de grande poço de lama onde muitos seres se debatiam.
Um deles chegou até a superfície e suplicou para ser retirado dali. Dizia que não aguentava mais o sofrimento, que quando chegava próximo à margem escorregava e caia numa espécie de redemoinho e voltava ao fundo do que parecia um poço de areia movediça. Ouviam-se lamentos desolados.
Intuída para jogar uma espécie de corda, o que fiz, ele segurou-a firme e foi chegando até a margem. Já bem próximo me disse, receoso, que eu era muito fraca para tira-lo dalí. Eu lhe respondi que não estava só e que haviam pessoas com força bastante para auxiliá-lo segurando a corda atrás de mim. Mais seguro, conseguiu sair e disse que queria sair correndo mas estava fraco, não conseguia andar, e foi tomado pelo desespero de ser pego e jogado novamente no poço. Sentia-se sem forças e observei que o seu medo estava atraindo-o para o local novamente. Falei que éramos um grupo em caravana e que estaria seguro conosco.
Ao receber um passe dos Irmãos sentiu-se um pouco melhor e disse que haviam outros lá, que gostaria de resgatá-los, mas estava impotente.
Percebi que um Amigo lhe disse que ninguém era impotente, que todos nós, filhos de Deus, ao pedir Sua ajuda, a receberíamos e que nossa Amada Maria estava a velar por todos nós. Ele disse que não era digno daquela ajuda, mas que então iria tentar ajudar aos outros. Subitamente sua aparência ficou menos grotesca, e sentado próximo à margem, pegou a corda e disse que queria rezar mais não sabia mais. Oramos uma Ave-Maria e foi uma cena tocante e difícil de esquecer. Comecei a ver muitas cordas luminosas e dezenas de seres subindo, com uma espécie de vórtex luminoso a clarear o centro e todo o entorno do charco. Percebi-me cantando baixinho como médium a canção singela e piedosa “Mãezinha do Céu”.
Muitos ajoelhavam-se e atiravam-se no chão a pedir misericórdia e perdão à Mãe de Amor, outros acompanhavam a canção, como que embalados pela vibração de acolhimento e amorosidade.
Emocionados, o médium e eu retornamos à sala mediúnica e eis que a presença nefasta se fez sentir novamente. Disse que viu tudo de longe, que derrubamos sua barreira magnética, suas formas-pensamento e libertamos seus escravos, mais que não iria adiantar nada. Numa frieza ímpar, disse que aqui na Terra haviam muito mais espíritos para dominar, e que ele iria construir tudo novamente, e à custa de sangue, rindo com escárnio.
Sem temer suas ameaças, lhe disse que o planeta estava se regenerando e que ações desse tipo já não seriam mais compatíveis ou toleradas, e que os espíritos recalcitrantes no mal iriam habitar a outros orbes. Respondeu com firmeza que poderíamos levá-lo então a outro local, não importava como fosse, pois lá mesmo começaria tudo novamente, e lhe perguntei se estava consciente de suas escolhas e ele disse que sim. Que tinha observado de longe o que se passou nos últimos dias na nossa Casa de Caridade, que os fracos, curiosos e interessados no Cristo, até mesmo por raiva Dele, tinham caído. Disse para ele que a bondade não existia e que Jesus era indiferente, pois quando chegou aqui já era assim e sairia do planeta tão decidido quanto entrou, que poderíamos levá-lo a qualquer lugar do universo, que sempre haveriam espíritos mais fracos para dominar, que queria o mal e era esta a sua escolha.

Mantivemo-nos firmes na vibração e no apelo à Misericórdia Divina para que este espírito vampirizador encontre um dia a luz do Amor Maior, deixando a estagnação evolutiva auto imposta.

Vamos todos orar e vigiar, para não nos permitirmos sintonizar com forças desagregadoras, com o alimento do ódio, da mágoa, do ressentimento, do controle, da vaidade e do egoísmo.
Muita PAZ para todos nós.

Francesca Freitas

10/06/2013
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