quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

O Espiritismo e a Saudade

O espiritismo é uma doutrina consoladora, por nos demonstrar a continuidade da vida após a separação terrena. Mas devemos reconhecer que o fato de sabermos que a vida continua não ameniza a saudade, pois é difícil superar o silêncio. Esse silêncio que dói e que não é preenchido por nada.

Talvez se tivéssemos em mente, se nos lembrássemos com frequência, que todos aqueles que amamos um dia vão partir da matéria, muitos deles antes de nós, talvez então os valorizássemos mais, talvez então notássemos mais as suas virtudes e menos os seus defeitos.
Mas isso também vale para quem, por algum motivo, esteja afastado dos seus. É claro que então a saudade ainda dói, mas ao mesmo tempo alenta, porque o reencontro não depende de que todas as pessoas estejam novamente no mesmo plano… Sem contar que hoje temos o auxílio inestimável da tecnologia. Não é a mesma coisa? Claro que não, mas pouco tempo atrás não existia, não havia esse consolo. Algum tempo atrás, quem imaginaria ver suas pessoas queridas pelo webcam, estando em praticamente qualquer lugar do mundo?
Uma coisa a ser evitada nos momentos de saudade é justamente pensar nela. Antes de deprimir-se, é melhor se manter ocupado com coisas úteis. Não há um monte de coisas que deixamos pra fazer quando tivermos tempo? Pois que se aproveite o espaço vazio deixado pela saudade para ocupar-se com essas coisas.
A palavra saudade só existe na língua portuguesa, e sua etimologia é a mesma da palavra solidão. E são realmente sentimentos que se confundem. Pois a solidão também pode ser aproveitada para coisas que em outras ocasiões e circunstâncias não seriam possíveis. É na solidão que entramos em contato com nós mesmos, com nosso universo interior. Na solidão podemos encontrar respostas seguras para as incertezas que alimentamos, e esse contato com nosso íntimo é que nos dá coragem para enfrentar as dificuldades da passagem pela Terra.
Quando estiver de braços com a saudade, não permita que ela se transforme numa prisão emocional, impedindo que você saiba aproveitar os dias que de repente ficaram mais compridos, impedindo que você domine o seu pensamento, que você domine as lágrimas, que você domine o desânimo que bate à porta ameaçadoramente.

Não! Todos os períodos da vida são importantes, nenhum se repete, com toda a certeza um dia a oportunidade de aprendizado e vivência desse momento da sua vida lhe será cobrado, e é bom que você tenha aproveitado. Seja útil, seja útil aos outros, aos que ficaram, seja útil a você!
E quando puder estar novamente ao lado das pessoas que ama, aproveite ao máximo, viva cada detalhe, cada momento; sabe-se lá quando terá outro abraço como esse? É triste? Talvez. Seria pior se não houvesse o reencontro nesta vida; pior ainda se não houvesse amanhã. Mas a vida é um dia depois do outro, cada um deve ser aproveitado ao máximo, com saudade ou sem saudade. Quanta oportunidade um dia nos oferece! Que o vazio da ausência seja preenchido com bons pensamentos e atividades construtivas.

E que se aproveite essa oportunidade de aprendizado para, no decorrer dessa vida e pela eternidade, darmos o devido valor às coisas simples, que não exigem nada de extravagante para serem feitas, basta a presença daqueles que amamos.

Fonte: Espírito Imortal
Por Cepal André Luis

Lembranças úteis

Não viva pedindo orientação espiritual, indefinidamente. Se você já possui duas semanas de conhecimento cristão, sabe, à saciedade o que fazer.
Não gaste suas energias, tentando consertar os outros de qualquer modo. Quando consertamos a nós mesmos, reconhecemos que o mundo está administrado pela Sabedoria Divina e que a obrigação de cooperar invariavelmente para o bem é nosso dever primordial.
Não acuse os Espíritos desencarnados sofredores, pelos seus fracassos na luta. Repare o ritmo da própria vida, examine a receita e a despesa, suas ações e reações, seus modos e atitudes, seus compromissos e determinações, e reconhecerá que você tem a situação que procura e colhe exatamente o que semeia.
Não recorra sistematicamente aos amigos espirituais quanto a comezinhos deveres que lhe competem no caminho comum. Eles são igualmente ocupados, enfrentam problemas maiores que os seus, detêm responsabilidades mais graves e imediatas, e você, nas lutas vulgares da Terra, não teria coragem de pedir ao professor generoso e benevolente que desempenhasse funções de ama-seca.
Não espere a morte para solucionar as questões da vida, nem alegue enfermidade ou velhice para desistir de aprender, porque estamos excessivamente distantes do Céu. A sepultura não é uma cigana, cheia de promessas miraculosas, e sim uma porta mais larga de acesso à nossa própria consciência.
Do livro: AGENDA CRISTÃ
André Luis-Chico Xavier
Fonte: Cepal André Luiz

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Carta ao meu filho

Meu filho, dito esta carta para que você saiba que estou vivo.
Quando você me estendeu a taça envenenada que me liquidou a existência, não pensávamos nisso.
Nem você, nem eu.
A idéia da morte vagueava longe de mim, porque esperava de suas mãos apenas o remédio anestesiante para a minha enxaqueca.
Entendi tudo, porém, quando você, transtornado, cerrou subitamente a porta e exclamou com frieza:
- Morre, velho!
As convulsões que me tomavam de improviso, traumatizavam-me a cabeça...
Era como se afiada navalha me cortasse as vísceras num braseiro de dor. Pude ainda, no entanto, reunir minhas forças em suprema ansiedade e contemplar você, diante de meus olhos.
Suas palavras ressoavam-me aos ouvidos: “- morre, velho!”
Era tudo o que você, alterado e irreconhecível, tinha agora a dizer.
Entretanto, o amor em minha alma era o mesmo.
Tornei à noite recuada quando o afaguei pela primeira vez.
Sua mãezinha dormia, extenuada...
Pequenino e tenro de encontro ao meu peito, senti em você meu próprio coração a vagir nos braços...
E as recordações desfilaram, sucessivas.
Você, qual passarinho contente a abrigar-se em meu colo, o álbum de fotografias em que sua imagem apresentava desenvolvimento gradativo em todas as posições, as festas de aniversário e os bolos coloridos enfeitados de velas que seus lábios miúdos apagavam sempre numa explosão de alegria... Rememorei nossa velha casa, a princípio humilde e pobre, que o meu suor convertera em larga habitação, rica e farta... Agoniado, recordei incidentes, desde muito esquecidos, nos quais me observava expulsando crianças ternas e maltrapilhas do grande jardim de inverno para que nosso lar fosse apenas seu... Reencontrei-me, trabalhando, qual suarento animal, para que as facilidades do mundo nos atendessem as ilusões e os caprichos...
Em todos os quadros a se me reavivarem na lembrança, era você o grande soberano de nosso pequeno mundo...
O passado continuou a desdobrar-se, dentro de mim. Revisei nossa luta para que os livros lhe modificassem a mente, o baldado esforço para que a mocidade se lhe erigisse em alicerce nobre ao futuro... De volta às antigas preocupações que me assaltavam, anotei-lhe, de novo, as extravagâncias contínuas, os aperitivos, os bailes, os prazeres, as companhias desaconselháveis, a rebeldia constante e o carro de luxo com que o presenteei num momento infeliz...
Filho do meu coração, tudo isso revi...
Dera-lhe todo o dinheiro que conseguira ajuntar, mas você desejava o resto.
Nas vascas da morte, vi-o, ainda, mãos ansiosas, arrebatando-me o chaveiro para surripiar as últimas jóias de sua mãe...Vi perfeitamente quando você empalmou o dinheiro, que se mantinha fora de nossa conta bancária, e, porque não podia odiá-lo, orei – talvez com fervor e sinceridade pela primeira vez – rogando a Deus nos abençoasse e compreendendo, tardiamente, que a verdadeira felicidade de nossos filhos reside, antes de tudo, no trabalho e na educação com que lhes venhamos a honrar a vida.
Não dito esta carta para acusá-lo.
Nem de leve me passou pelo pensamento o propósito de anunciar-lhe o nome.
Você continua sangue de meu sangue, coração de meu coração.
Muitas vezes, ouvi dizer que há filhos criminosos, mas entendo hoje que, na maioria das circunstâncias, há, junto deles, pais delinqüentes por acreditarem muito mais na força do cofre que na riqueza do espírito, afogando-os, desde cedo, na sombra da preguiça e no vício da ingratidão.
Não venho falar, assim, unicamente a você, porque seu erro é o meu erro igualmente. Falo também a outros pais, companheiros meus de esperança, para que se precatem contra o demônio do ouro desnecessário, porque todo ouro desnecessário, quando não busca o conselho da caridade, é tentação à loucura.
Há quem diga que somente as mães sabem amar e, realmente, o regaço materno é uma bênção do paraíso. Entretanto, meu filho, os pais também amam e, por amar imensamente a você, dirijo-lhe a presente mensagem, afirmando-lhe estar em prece para que a nossa falta encontre socorro e tolerância nos tribunais da Divina Justiça, aos quais rogo me concedam, algum dia, a felicidade de tê-lo novamente ao meu lado, por retrato vivo de meu carinho... Então nós dois juntos, de passo acertado no trabalho e no bem, aprenderemos, enfim, como servir ao mundo, servindo a Deus.


pelo Espírito J., Do Livro: Luz no Lar-Francisco Cândido Xavier

Em torno de uma oração

Certamente você conhece a oração de Francisco de Assis, caro leitor. Oportuno que nos detenhamos em suas afirmações.
Senhor, fazei-me instrumento de Vossa paz. Somos instrumentos da paz? Em nossa presença as pessoas sentem-se animadas e felizes? Ou a paz se despede quando chegamos? Perguntei a uma senhora amiga sobre sua família. – No momento, muito bem! Estamos em paz! ¬– afirmou feliz. E, sorriso brejeiro, completou: – Meu marido está viajando…
Onde houver ódio que eu semeie o Amor. Há uma fórmula mágica para isso: A profilaxia dos contrários. O funcionário de empresa estava furioso com o gerente que frequentemente o transferia de setor. Certamente estava a pressioná-lo para que se demitisse. Cogitava disso quando um colega, um semeador da paz, disse-lhe. – Está enganado quanto ao nosso chefe, meu caro. Ele admira sua eficiência. Por isso o tem encaminhado para setores onde há problemas, consciente de que pode resolvê-los.
Sua intervenção pacificou o companheiro que passou a ver com simpatia as iniciativas do gerente a seu respeito.
Perdão, onde haja injúria. Diz a esposa sofredora: – Meu marido me abandonou por outra mulher. Não me conformo! A vida ficou complicada, não tem mais graça… Estou muito infeliz! Diz o semeador da paz: – A mágoa é como um espinho cravado no peito. Machuca dói, incomoda… Perdoar é sinônimo de desligar. Perdoe para libertar-se. Esqueça.
Fé, onde haja dúvida. No atendimento fraterno, num Centro Espírita, a voluntária consolava sofrida mulher, cujo filho falecera vitimado por mal súbito. – Confie em Deus, minha irmã. Considere que nada ocorre sem Seu consentimento. Quando manifestamos submissão à Sua Vontade tudo fica mais fácil.
Você fala assim porque não sabe o que é perder um filho na flor da idade, estudante de medicina, futuro brilhante!
– Sei sim, minha amiga. Meus dois filhos faleceram num acidente. A certeza de que apenas transferiram residência para além-túmulo é o meu alento. Sei, também, que nossos amados sofrem com nossa inconformação e que ficam felizes quando cultuamos sua memória exercitando coragem e o bom ânimo. O consolo maior é saber que estão por perto.
– Quando sente que estão por perto?
– Quando me disponho a servir.
Esperança, onde haja desespero. Reclama o favelado. – Não há por que viver! Minha vida é um tormento. Minha mulher está doente. Eu, desempregado. Os filhos passam fome…Afirma o semeador de esperança. – Trouxe alimentos para seus filhos e remédio para sua esposa. Ajudarei você a conseguir emprego. Coragem! Com a ajuda de Deus e o nosso empenho tudo há de melhorar!
Luz, onde haja escuridão. Diz o doente: – Oh! Meu Deus, como é triste a solidão do leito, sem amigos, sem familiares… Apenas as dores, a tristeza… É tudo tão sombrio, tão triste! Diz o semeador de luz: – Vim lhe fazer companhia e dizer que você não está só. Busquemos juntos as claridades do Evangelho, o consolo das lições de Jesus, a luz da oração…
Alegria, onde haja tristeza. Jerônimo Mendonça passou trinta anos imobilizado num leito, como estátua viva, e ainda cego nos últimos dez anos de vida. Não obstante, tinha dois dons maravilhosos: Jamais se melindrava e sabia rir das próprias limitações. Enquanto detinha a visão, nos primeiros tempos da doença, o levavam ao cinema. O leito ficava num dos corredores. Certa feita, após o início da sessão, entrou uma jovem. Apressada, em plena escuridão tropeçou na improvisada poltrona.
Irritada, bradou: – Diabo de aleijado! Se vou à praça ele está lá! Vou a uma festa e ele está lá! No campo de futebol, está o aleijado! Até no cinema esse enxerido me persegue!
E Jerônimo: – Também, pudera! Você não para em casa!
Os que se doam incessantemente, amando e servindo o semelhante, aprenderam com Francisco de Assis que: É dando que recebemos, perdoando que somos perdoados e é morrendo que nascemos para a Vida Eterna.
A afirmação final merece atenção. É preciso “matar” o homem velho, eivado de paixões, para que nasça o homem novo a que se referia o apóstolo Paulo. Um ser especial que tem no Evangelho o seu guia, o seu alento, a sua felicidade. É assim que nasceremos para a vida eterna, isto é, nos livraremos das reencarnações expiatórias, habilitando-nos aos planos mais altos do infinito, onde há vida em plenitude, sem acesso para a morte.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Amigos Espirituais

A Providência Divina manifesta-se, incessantemente, em todas as situações e lugares, proporcionando vasta gama de recursos, com vistas à proteção, ao futuro e ao progresso das criaturas.
Esse amparo acontece de infinitos modos...
Um deles dá-se por intermédio de tutores espirituais, conhecidos no meio espírita, pelo nome de guias ou amigos espirituais.
É grandiosa e sublime a doutrina dos guias espirituais, pois revela a providência, a bondade e a justiça do criador para com seus filhos, provendo-os de meios para o aperfeiçoamento.
Para efeitos didáticos, Kardec classificou os guias espirituais em três categorias:
*Espíritos protetores
*Espíritos familiares
*Espíritos simpáticos

ESPÍRITOS PROTETORES
O Espírito protetor, ou anjo guardião, é sempre um bom espírito, mais evoluído...
... Trata-se de um orientador principal e superior.
Sua missão assemelha-se à de um pai com relação aos filhos: a de orientar o seu protegido pela senda do bem, auxiliá-lo com seus conselhos, consolá-lo em suas aflições, levantar-lhe o ânimo nas provas da vida.
Os Espíritos protetores não constituem seres privilegiados, criados puros e perfeitos, mas sim Espíritos que chegaram à meta, depois de terem percorrido a estrada do progresso.
... São almas que já trilharam as experiências de diferentes reencarnações - as mesmas pelas quais estamos passando -, e conquistaram, pelo próprio esforço, uma ordem elevada.
... A missão dos Espíritos protetores tem duração mais prolongada, pois estes acompanham o protegido desde o renascimento até a desencarnação, e muitas vezes durante várias existências corpóreas.
A atuação do protetor espiritual não é de intervenção absoluta, pois apesar de influir em nossa vontade, evita tomar decisões por nós e contra nosso livre-arbítrio...
... Sofre quando erramos, embora esse sofrimento não seja revestido das mesmas paixões humanas, porque ele sabe que, mais cedo ou mais tarde, o seu tutelado voltará ao bom caminho.
Espíritos protetores dedicam-se mais à orientação de uma pessoa, em particular, não deixando, entretanto, de velar por outros indivíduos, embora o façam com menos exclusividade.
Exercem supervisão geral sobre nossas existências, tanto no aspecto intelectual, incluindo as questões de ordem material, quanto, moral, emprestando ênfase a esta última, por ser a que tem preponderância em nosso futuro de seres imortais.
Os Espíritos protetores, em realidade, jamais abandonam os seus protegidos, apenas se afastam ou “dão um tempo”, quando estes não ouvem seus conselhos.
Desde, porém, que chamados, voltam para os seus pupilos, a fim de auxiliá-los no recomeço...
Por isso, atentemos aos conselhos de Joanna de Angelis:
Tem cuidado para que te não afastes psiquicamente do teu anjo guardião.
Ele jamais se aparta do seu protegido, mas este, por presunção ou ignorância, rompe os laços de ligação emocional e mental, debandando da rota libertadora.
Quando erres e experimentes a solidão, refaze o passo e busca-o pelo pensamento em oração, partindo de imediato para a ação edificante.
Momento chega, porém, em que o aprendiz deixa de ser tutelado.
Isso acontece quando o Espírito atinge o ponto de guiar-se a si mesmo, estágio que, por enquanto, não se dá na Terra, planeta de expiações e provas...

ESPÍRITOS FAMILIARES
Os Espíritos familiares são orientadores secundários... Embora menos evoluídos, igualmente querem o nosso bem.
Podem ser os Espíritos de nossos parentes, familiares ou amigos.
Seu poder é limitado e sua missão é mais ou menos temporária junto ao protegido.
Ocupam-se com particularidades da vida íntima do protegido e só atuam por ordem ou permissão dos Espíritos protetores, como, por exemplo, quando o socorrido está recalcitrante e não ouve os conselhos superiores, ou apresentam comportamento enigmático.
Nessas hipóteses, o Espírito familiar, por ter mais intimidade e vínculos sentimentais com o protegido, é aceito como colaborador, de modo a auxiliar na solução de problemas específicos.
Podem, por exemplo, influenciar na decisão de um casamento, nas atividades profissionais, ou mesmo na tomada de decisões importantes que envolvam o cumprimento da Lei de Causa e Efeito, conforme a necessidade do atendido....

ESPÍRITOS SIMPÁTICOS
Podem ser bons ou maus, conforme a natureza das nossas disposições íntimas.
Ligam-se a nós por uma certa semelhança de gostos, de acordo com nossas inclinações pessoais.
A duração de suas relações, que também são temporárias, se acha subordinada a determinadas circunstâncias, vinculadas à persistência dos desejos e do comportamento de cada um.
Se simpatizam com nossos ideais, com nossos projetos, procuram nos ajudar e, muitas vezes, tomam nossas dores contra nossos adversários, situação em que não contam com o beneplácito dos Espíritos protetores.

O AMIGO ESPIRITUAL...
Para ele, não há distância, lugar, tempo ou barreiras que o impeçam de atender a um apelo sincero, seja onde for: no lar, nos hospitais, nas ruas, no trabalho, nos cárceres e mesmo nas furnas da devassidão.
A ação dos orientadores espirituais é oculta, porque se fosse permitido contar sempre com eles, seríamos tolhidos em nossa livre iniciativa e não progrediríamos.
Nisso também está a sabedoria divina, porque assim desenvolvemos melhor a nossa inteligência e ganhamos mais experiência.
Do contrário, permaneceríamos estacionados, como no caso de certos pais que sempre fazem tudo para os filhos, poupando-os de aborrecimentos e dificuldades, e, com isso, tirando deles a oportunidade de aprendizado e da experiência, com graves prejuízos para a sua formação moral.
Os espíritos infelizes, ainda presos nas malhas da ignorância, que se empenham em nos desviar do bom caminho, por meio dos maus pensamentos e de outras estratégias que encontram motivações em nossas próprias fraquezas, não têm a missão de fazer mal.
Praticam esses atos por sua própria conta e responsabilidade e um dia terão que resgatar seus erros.
São espíritos ainda atrasados moralmente, qual fomos um dia - de cujas mazelas também não nos libertamos integralmente -, e que, por sua vez, igualmente despertarão para o bem.
Sua presença entre nós, é útil, porque permite o adestramento de nossas faculdades, constituindo mesmo um campo de provas ou expiações, cujos obstáculos nos compete superar, na busca de caminhos alternativos para a libertação de nossas imperfeições que, na realidade, são o chamariz desses supostos adversários.
Como visto, o Pai não nos cria a esmo, sem proteção, planejamento e finalidade.
Dá-nos, em plenitude, todos os suprimentos necessários ao nosso desenvolvimento, tendo nos Espíritos protetores " (...) os mensageiros de Deus, encarregados de velar pela execução de seus desígnios em todo universo, que se sentem ditosos com o desempenho dessas missões gloriosas (...)", (Allan Kardec . O Livro dos Médiuns) protetores estes que se utilizam do auxílio ou assessoramento dos guias espirituais das classes menos elevadas.
Os anjos ou protetores espirituais de hoje são os homens de ontem, que evoluiram, deixando para trás a animalidade.
Essa ligação e interdependência entre os Espíritos das diversas faixa evolutivas, em permanente contato com o plano físico, formam o caleidoscópio da grande família universal, evidenciando as leis da unidade da Criação e da solidariedade entre os seres.
Deus, nosso Pai, não nos quer como autômatos, mas sim como parceiros, cocriadores, copartícipes, que temos a ventura de alcaçar a perfeição pelas próprias forças, desfrutando o mérito da vitória sobre nós mesmos.
Lembremo-nos, finalmente, de que cada um de nós, encarnados, também pode e deve amparar o próximo, de acordo com a nossa capacidade e independente de nosso estágio evolutivo.
Assim procedendo, estaremos, por nossa vez, atuando como auxiliares dos guias espirituais, para o cumprimento dos desígnios divinos, na infinita escala que dá acesso aos cumes evolutivos.

Em síntese...

Deus não nos atende pessoalmente, conforme nossos caprichos, mas por intermédio das suas leis imutáveis, e de seus mensageiros, isto é, Deus auxilia as criaturas, por intermédio das criaturas.
O amigo espiritual comparece quando é invocado, por meio de uma simples prece.
Ninguém está desamparado!
Não existe parcialidade nem privilégio nas leis divinas, ou seja, cada um recebe de acordo com o seu merecimento, de conformidade com seus esforços...
A mensagem de Joanna de Angelis resume bem... “resolve-te por avançar...”
O processo no qual te encontras engajado, é de evolução; resolve-te por avançar, sem as contramarchas temerosas.
Ascendendo psiquicamente e harmonizando-te emocionalmente, farte-ás respeitado pelos Espíritos perturbadores que, mesmo intentando molestar-te, não encontrarão receptividade da tua parte.
Recorda-te por fim, de Jesus.
Quem O encontrou, descobriu um tesouro luminoso, e, enriquecendo-se com Ele, jamais tropeçará em sombra e aflição.
Impregna-te dele, e sê feliz, sem mais controvérsia.

Joanna de Angelis - Vigilância - Divaldo Franco

Por ADM
http://www.veg11.com.br/site/amigos-espirituais

Palavra

Na maternidade de uma grande cidade, um fato começou a chamar a atenção de uma enfermeira.
Ela era encarregada do berçário e procurou o chefe da pediatria.
Havia notado que todos os bebês que ficavam no último berço, no canto, choravam menos. Dormiam melhor.
O que seria? O médico brincou com ela. Quem sabe seria um berço milagroso?
Talvez fabricado com madeira especial. Quem sabe haveria uma fada protetora? Como a enfermeira insistisse, ele disse que iria contratar um detetive.
Resolveu ele mesmo investigar. Descobriu que a enfermeira tinha razão.
Os bebês que ali ficavam eram sempre mais acomodados. Deveria existir uma causa. O posicionamento do berço. Melhor ventilação. Colchão mais confortável. Menos ruídos. Checou tudo.
As condições eram absolutamente iguais em todos os berços.
Pensou na alimentação. Negativo. Os bebês eram alimentados dentro de critérios e horários rigorosamente observados.
E se houvesse diferença de tratamento? Alguma enfermeira mais eficiente, encarregada daquele berço? Também não.
Todas se revezavam no atendimento. Intrigado, o pediatra passou a visitar o berçário em horários diferentes.
Foi numa noite, perto das vinte e duas horas, que encontrou a solução.
A enfermeira de plantão estava no seu posto. A encarregada da limpeza passava o pano molhado no chão.
Ficou observando-a. Era uma senhora idosa. A tarefa lhe era penosa.
Então, ficou em frente ao berço privilegiado, enquanto descansava.
Começou a conversar com o bebê: Vida dura, meu anjinho. Minhas costas doem como se tivessem recebido pauladas.
Gracinha! Você deve estar feliz. Sombra e água fresca. Comidinha na hora certa.
Durante vários minutos, ela conversou com o ocupante do berço. Depois, retornou ao serviço.
O médico sorriu. Tinha resolvido o enigma. Encontrara a fada.
No dia seguinte, as enfermeiras receberam importante orientação.
Deveriam conversar com os bebês, enquanto cuidavam deles. O privilégio de um berço estendeu-se por todo o berçário.
A palavra é um instrumento que poucos utilizam como deveriam.
A arte de falar é conquista. Deve-se dispor desse abençoado instrumento para preservar a vida. Para enriquecê-la de bênçãos.
A boa palavra consola. Também ampara. Ensina. Salva. Falar sobre o bem, o amor e a esperança. Propor alegria entre as criaturas.
Ensiná-las a adquirir segurança pessoal. Transmitir-lhes carinho e ternura.
Expunha conceitos de forma simples. Conteúdo profundo.
Por isso, até hoje, permanece atual e sensibiliza os que tomam contato com seus ditos.
Travemos relação de amizade com Jesus. Comuniquemo-nos com o próximo. Irradiemos alegria e paz pela palavra como ele fazia.
Não critiquemos. Abençoemos. Falemos auxiliando para o bem. Não discutamos. Demonstremos.

Não nos percamos em palavras vazias. Sirvamos sem reclamar.


Redação do Momento Espírita,
 com base no cap. O enigma do berço, do livro Encontros e desencontros, de Richard Simonetti, ed. Gráfica São João; no cap. 11, do livro Episódios diários e no cap. 4 do livro Momentos de iluminação, ambos pelo Espírito Joanna de Ângelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. LEAL. Do site: http://www.momento.com.br

sábado, 1 de fevereiro de 2014

Autismo

O que iremos narrar, tão fielmente quanto possível, ouvimos num sábado à noite “Grupo Espírita da Prece”, logo após o contato fraterno com os irmãos que residem nas imediações da Mata do Carrinho, o novo local onde as nossas reuniões vespertinas estão sendo realizadas.
Um casal aproximou-se ao Chico, o pai sustentando uma criança de ano e meio nos braços, acompanhando por distinto medico espírita de Uberaba.
A mãe permaneceu a meia distância, em mutismo total, embora com alguma aflição no semblante.
O médico, adiantando-se, explicou o caso ao Chico: a criança, desde que nasceu, sofre sucessivas convulsões, tendo que ficar sob o controle de medicamento, permanecendo dormindo a maior parte do tempo, em consequência, mal consegue engatinhar e não fala.
Após dialogarem durante alguns minutos. O Chico perguntou ao nosso confrade a que diagnostico havia chegado.
- Para mim, trata-se de um caso de autismo – respondeu ele.
O Chico disse que o diagnostico lhe parecia bastante acertado, mas que convinha diminuir o anticonvulsivos mesmo que tal medida, a principio, intensificasse os ataques. Explicou, detalhadamente, as contra indicações do medicamento no organismo infantil. Recomendou passes.
- Vamos orar- concluiu.
O casal saiu visivelmente mais confortado, mas, segurando o braço do médico nosso confrade. Chico Explicou a todos que estavamos ali mais próximos:
- “o autismo”, é um caso muito sério, podendo ser considerado uma verdadeira calamidade. Tanto envolve crianças quanto adultos... Os médiuns também , por vezes, principalmente os solteiros sofrem desse mal, pois que vivem sintonizados com o mundo espiritual, desinteressando-se da Terra.
“É preciso que alguma coisa nos prenda no mundo, porque, senão, perdemos a vontade de permanecer no corpo...”.
E Chico exemplificou com ele mesmo:
-Vejam bem: o que é que me interessa na Terra? A não ser a tarefa mediúnica, nada mais. Dinheiro, eu só quero o necessário para sobreviver casa, eu não tenho o que fazer com mais de uma... Então, eu procuro me interessar pelos meus gatos e meus cachorros. Quando um adoece ou morre, eu choro muito, porque se eu não me ligar em alguma coisa eu deixo vocês...
Ele ainda considerou que, muitos casos de suicídios têm as suas raízes no “autismo”, porque a pessoa vai perdendo o interesse pela vida. Inconscientemente deseja retornar à Pátria Espiritual, e para se libertar do corpo, que considera uma verdadeira prisão, força as portas de saída...
E o Chico falou ao médico:
- È preciso que os pais dessa criança conversem muito com ela, principalmente a mãe. È necessário chamar o espírito para o corpo. Se não agirmos assim, muitos espíritos não permaneceram na carne, porque a reencarnação para eles é muito dolorosa.
Evidentemente que não conseguimos registrar tudo, mas a essência do assunto é o que está exposto aqui.
E ficamos a meditar na complexidade dos problemas humanos e na sabedoria de Chico Xavier.
Quando ele falava de si, ilustrando a questão do “autismo”, sentimo-lo como um pássaro de luz encarcerado numa gaiola de ferro, renunciando à paz da grande floresta para entoar canções de imortalidade aos que caíram, invigilantes, no visgo do orgulho ou no alçapão da perturbação.
Nesta noite, sem dúvida, compreendemos melhor Chico Xavier e o admiramos ainda mais.
De fato, pensando bem, o que é que pode interessar na Terra, a não ser o trabalho missionário em nome do Senhor, ao Espírito que já não pertence mais à sua faixa evolutiva?
O espírito daquela criança sacudia o corpo que convulsionava, na ânsia de libertar-se...
Sem dúvida, era preciso convencer o Espírito a ficar. Tentar dizer-lhe que a Terra não é cruel assim... Que precisamos trabalhar pela melhoria do homem.

 
Chico Xavier, à sombra do abacateiro/ Carlos Antonio Baccelli- Fonte: Instituto São paulo