quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Sentimentos

Não é errado sentir raiva, ódio, inveja ou rancor por pessoas e coisas. O que é errado é usar esses sentimentos de maneira destruidora. Todos os sentimentos são naturais e fazem parte do ser humano. Foi Deus quem nos fez assim e se fomos criados com esses sentimentos é porque eles tem uma função. Nada está errado na natureza. Quem não sente raiva diante de uma injustiça? Quem não sente ódio quando é desprezado, humilhado, passado para trás ou traído? Quem não sente rancor quando alguém mexe no nosso ponto mais fraco? Quem não sente indignação diante do quadro lastimável do mundo atual?
Não é errado sentir nada, pois tudo faz parte de nossa natureza.
Deus nos dotou desses sentimentos para que nós os usássemos como mola propulsora de nosso progresso.
O que acontece é que os usamos para agredir, violentar, matar e transformar o mundo num cenário ainda pior.
O ódio é para ser transformado em firmeza, coragem e força.
A raiva é para ser usada como estímulo para o trabalho e força para as realizações.
A inveja como vontade de produzir melhor e o rancor para alicerçar novas conquistas.
Ódio não é para matar.
Raiva não é para agredir.
Inveja não é para destruir.
Rancor não é para faltar com o perdão.
Todos os sentimentos existem por uma função nobre, basta que saibamos usar.
Conheço pessoas que usaram a força da raiva e do ódio para o progresso e hoje o ódio foi transformado em conquista e prosperidade.
Conheço gente que por uma raiva de uma humilhação recebida, acordou para a vida e resolveu sair do comodismo e progredir.
Não vamos condenar esses sentimentos, nem cultivá-los para o mal.
Nada é mal em si mesmo. Cada um é que põe o mal que há em si mesmo sobre as coisas.

Por Maurício de Castro- escritor e médium

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Tragédia no Circo

Naquela noite, da época recuada de 177, o “concilium” de Lião regurgitava de povo.
Não se tratava de nenhuma das assembléias tradicionais da Gália, junto ao altar do Imperador, e sim de compacto ajuntamento.
Marco Aurélio reinava, piedoso, e. Embora não houvesse lavrado qualquer rescrito em prejuízo maior dos cristãos, permitira se aplicassem na cidade, com o máximo rigor, todas as leis existentes contra eles.
A matança, por isso, perdurava, terrível.
Ninguém examinava necessidades ou condições. Mulheres e crianças, velhos e doente, tanto quanto homens válidos e personalidades prestigiosas, que se declarassem fiéis ao Nazareno, eram detidos, torturados e eliminados sumariamente.
Através do espesso casario, a montante da confluência do Ródano e do Saône, multiplicavam-se prisões, e no sopé da encosta, mais tarde conhecida como colina de Fourviére, improvisara-se grande circo, levantando-se altas paliçadas em torno de enorme arena.
As pessoas representativas do mundo lionês eram sacrificadas no lar ou barbaramente espancadas no campo, enviando-se os desfavorecidos da fortuna, inclusive grande massa de escravos, ao regozijo público.
As feras pareciam agora entorpecidas, após massacrarem milhares de vítimas, nas mandíbulas sanguinolentas. Em razão disso, inventavam-se tormentos novos.
Verdugos inconscientes ideavam estranhos suplícios.
Senhoras cultas e meninas ingênuas eram desrespeitadas antes que lhes decepassem a cabeça, anciães indefesos viam-se chicoteados até a morte. Meninos apartados do reduto familiar eram vendidos a mercadores em trânsito, para servirem de alimárias domésticas em províncias distantes, e nobres senhores tombavam assassinados nas próprias vinhas.
Mais de vinte mil pessoas já haviam sido mortas.
Naquela noite, a que acima nos referimos, anunciou-se para o dia seguinte a chegada de Lúcio Galo, famoso cabo de guerra, que desfrutava atenções especiais do Imperador por se haver distinguido contra a usurpação do general Avídio Cássio, e que se inclinava agora a merecido repouso.
Imaginaram-se, para logo, comemorações a caráter.
Por esse motivo, enquanto lá fora se acotovelavam gladiadores e jograis, o patrício Álcio Plancus, que se dizia descendente do fundador da cidade, presidia a reunião, a pedido do Propretor, programando os festejos.
- Além das saudações, diante dos carros que chegarão de Viena – dizia, algo tocado pelo vinho abundante -, é preciso que o circo nos dê alguma cena de exceção... O lutador Setímio poderia arregimentar os melhores homens; contudo, não bastaria renovar o quadro de atletas...
- A equipe de dançarinas nunca esteve melhor – aventou Caio Marcelino, antigo legionário da Bretanha que se enriquecera no saque.
- Sim, sim... – concordou Álcio – instruiremos Musônia para que os bailados permaneçam à altura...
- Providenciaremos um encontro de auroques – lembrou Pérsio Níger.
- Auroques! Auroques!... – clamou a turba em aprovação.
- Excelente lembrança! – falou Plancus em voz mais alta – mas, em consideração ao visitante, é imperioso acrescentar alguma novidade que Roma não conheça...
Um grito horrível nasceu da assembléia;
- Cristãos às feras! cristãos às feras!
Asserenado o vozerio, tornou o chefe do conselho:
- Isso não constitui novidade! E há circunstâncias desfavoráveis. Os leões recém-chegados da África estão preguiçosos...
Sorriu com malícia e chasqueou:
- Claro que surpreenderam, nos últimos dias, tentações e viandas que o própio Lúculo jamais encontrou no conforto de sua casa...
Depois das gargalhadas gerais, Álcio continuou, irônico:
- Ouvi, porém, alguns companheiros, ainda hoje, e apresentaremos um plano que espero resulte certo. Poderíamos reunir, nesta noite, aproximadamente mil crianças e mulheres cristãs, guardando-as nos cárceres... E, amanhã, coroando as homenagens, ajuntá-las-emos na arena, molhada de resinas e devidamente cercada de farpas embebidas em óleo, deixando apenas passagem estreita para a liberação das mais fortes. Depois de mostradas festivamente em público, incendiaremos toda a área, deitando sobre elas os velhos cavalos que já não sirvam aos nossos jogos... Realmente, as chamas e as patas dos animais formarão muitos lances inéditos...
- Muito bem! Muito bem! – reuniu a multidão, de ponta a ponta do átrio.
- Urge o tempo – gritou Plancus – e precisamos do concurso de todos.. Não possuímos guardas suficientes.
E erguendo ainda mais o tom de voz:
- Levante a mão direita quem esteja disposto a cooperar.
Centenas de circunstantes, incluindo mulheres robustas, mostraram destra ao alto, aplaudindo em delírio.
Encorajado pelo entusiasmo geral, e desejando distribuir a tarefa com todos os voluntários, o dirigente da noite enunciou, sarcástico e inflexível:
- Cada um de nós traga um... Essas pragas jazem escondidas por toda a parte... Caçá-las e exterminá-las é o serviço da hora...
Durante a noite inteira, mais de mil pessoas, ávidas de crueldade, vasculharam residências humildes e, no dia subsequente, ao Sol vivo da tarde, largas filas de mulheres e criancinhas, em gritos e lágrimas, no fim de soberbo espetáculo, encontraram a morte, queimadas nas chamas alteadas ao sopro do vento, ou despedaçadas pelos cavalos em correria.
Quase dezoito séculos passaram sobre o tenebroso acontecimento... Entretanto, a justiça da Lei, através da reencarnação, reaproximou todos os responsáveis, que, em diversas posições de idade física, se reuniram de novo para dolorosa expiação, a 17 de dezembro de 1961, na cidade brasileira de Niterói, em comovedora tragédia num circo.

Irmão X do livro cartas de Crônicas-Chico Xavier
 CaminhosLuz.com.br

terça-feira, 11 de agosto de 2015

O Achado

Viajantes, seguindo, apresentavam bilhetes. Viajantes, chegando, mostravam aspectos bizarros. Costumes de caroá, vestidos de algodão leve, grossas blusas de lã e capas gaúchas.
Senhoras de passo lento surgiam, entremostrando saúde e alegria. Jovens risonhas caminhavam com a desenvoltura de modelos em passarela.
Perdido na multidão do grande aeroporto, Marcelino Nunes divagava, contemplando as hélices dos aviões de grande porte.
Relanceando o olhar em torno, via, encantado, o ambiente distinto.
O dinheiro corria em cédulas de mil.
Ninguém discutia a cobrança do excesso de malas, nem regateava a conta dos “souvenirs”, vendidos a preço de escorchar.
Marcelino sonhava...
Queria ser como aqueles forasteiros que iam e vinham pelas alturas.
Desejava viajar, viajar, rotulando bagagem com etiquetas de hotéis dos diferentes países.
“Turista importante, vida ideal” — pensava.
Mas para isso precisava de dinheiro, muito dinheiro.
Viera do interior buscando melhoria financeira na capital; entretanto, só encontrara um emprego de ninharia, na conceituação dele mesmo.
Nada além de balconista numa loja de novidades.
— “Marcelino, desça aquela taça da prateleira!”
— “Nunes, tenho pressa. Faça o favor.”
Cansara-se de ouvir fregueses insípidos.
Enfadara-se.
E atingia os trinta anos, sem que lhe fosse possível coisa melhor.
O ordenado mal dava para pensão e condução.
Preocupado, escrevia para a mãezinha viúva, relatando-lhe os problemas. Entretanto, a “velha”, na titulação com que lhe recordava o carinho, era espírita militante, e respondia, serena:
— Meu filho, dever correto é degrau para a verdadeira felicidade.
— A lei de Deus premia a perseverança no bem.
—  Não queira facilidades sem trabalho e suor.
—  Humildade, meu filho, mais humildade!
Cada missiva materna era um apelo à energia moral.
Não reclamava; contudo, aborrecia-se.
— Ora essa! — costumava falar de si para consigo. — Pobre mãe! Sempre conselhos! Os espíritas parecem atacados de indigestão filosófica...
Enquanto ruminava os seus problemas, a pequena multidão, no grande aeroporto, exibia brasões.
Carteiras recheadas. Colares ricos. Alfinetes encastoados de pérolas. Pulseiras de ouro.
Relógios caríssimos.
— Ah! Se eu tivesse dinheiro, mandava esta vida às favas — dizia Nunes baixinho...
Descontente, Marcelino mastigava o cigarro, indo e vindo de um lado para outro.
Inquieto.
Solitário na turba.
Sedento de companhia.
Depois de longos minutos de insatisfação, sentou-se enquanto aguardava o ônibus.
No banco, apenas ele e um homem de bengala branca. Cego, de semblante sereno, aguardando pessoa amiga.
Destacando-se ao alcance da mão, viu algo.
Um pacote bem feito em papel pardo.
Cigarros? Quem sabe?
Havia visto, há tempo, um grande pacote de cigarros norte-americanos acondicionados daquela maneira.
Marcelino esperou.
Um moço veio e deu o braço ao companheiro de banco, retirando-se os dois.
A sós, não teve qualquer dúvida.
Não se vendo observado, arrebatou o pacote com naturalidade e saiu.
— Posso fumar alguns dias, sem preocupação — refletia.
Afastou-se e, logo após, tomando o ônibus, retornou ao seu quarto humilde.
A sós, abriu cuidadosamente o embrulho e, oh! surpresa!
Ali estavam cédulas de mil cruzeiros, novíssimas.
Deviam ter saído de casa bancária na véspera.
Marcelino contou o primeiro lote, retirando a cinta elástica.
Cem notas! E, constando o todo de vinte maços, estava na posse de dois milhões de cruzeiros.
Trancou-se, cauteloso, arfando de emoção.
A consciência recomendava-lhe buscasse o dono, anunciando o achado.
Mas... por quê?
— Ajudaria a mãezinha cansada — argumentava —, seria útil a muitos amigos.
Sentia-se atrapalhado.
Via-se agora inseguro.
Não tinha lugar para tanto dinheiro.
Entretanto, o aposento era servido de boa chave e tinha, a mesa, gaveta sólida.
Invadido por pensamentos com que não contava, arquitetou a renovação.
Deixaria o emprego modesto.
Formaria novos hábitos.
Visitaria os familiares no interior, melhorando-lhes a sorte.
Em seguida, teria o seu próprio estabelecimento comercial.
Debalde tentou repousar naquela tarde de domingo.
À noite, buscou um cinema; contudo, não esperou pelo fim do filme.
A fortuna inesperada furtara-lhe a paz de espírito.
No dia seguinte, comunicou ao chefe a retirada e pedia lhe fosse dispensada qualquer obrigação de aviso prévio.
O gerente aconselhou calma; entretanto, respondeu agressivo.
Disse que a loja lhe fora cárcere.
Não tencionava mais pôr os pés ali.
Queria começar vida nova.
Despediu-se da pensão pobre, ofendendo a dona da casa, referindo-se a pulgas indomáveis e pratos malfeitos. Logo após, instalou-se em hotel.
Gastara quatro dias em mudanças e andanças.
Resolvendo buscar o interior no dia seguinte, foi a uma grande loja, para compras.
Dando-se ares de importância, pediu a preparação de várias peças, em papel especial para presentes.
As aquisições montaram em onze mil e seiscentos cruzeiros.
Marcelino entregou doze notas, e o moço, gentil, na caixa, pedindo para que aguardasse o troco, afastou-se, solicitando um momentinho...
Alguns minutos passaram lentos, quando um agente policial chegou de improviso e deu-lhe ordem de prisão.
Em meia hora, o quarto de hotel passou por impiedosa revista.
O dinheiro encontrado era, todo ele, em série completa de notas falsas.
Recolhido ao distrito policial, o pobre Nunes chorava em desespero...

Hilário Silva - Do livro: Almas em Desfile: Francisco Cândido Xavier

Flores de Saudade

Se pretendemos cultuar a memória de familiares queridos, transferidos para o Além, elejamos o local ideal: nossa casa.
Usemos muitas flores para enfeitar a Vida, no aconchego do lar; nunca para exaltar a morte, na frieza do cemitério.
Eles preferirão, invariavelmente, receber nossa mensagem de carinho, pelo correio da saudade, sem selagem fúnebre.
É bom sentir saudade. Significa que há amor em nossos corações, o sentimento supremo que empresta significado e objetivo à existência.
Quando amamos de verdade, com aquele afeto puro e despojado, que tem nas mães o exemplo maior, sentimo-nos fortes e resolutos, dispostos a enfrentar o Mundo.
E talvez Deus tenha inventado a ilusão da morte para que superemos a tendência milenar de aprisionar o amor em círculos fechados de egoísmo familiar, ensinando-nos a cultivá-lo em plenitude, no esforço da fraternidade, do trabalho em favor do semelhante, que nos conduz às realizações mais nobres.
Não permitamos, assim, que a saudade se converta em motivo de angústia e opressão. Usemos os filtros da confiança e da fé, dificultando-a com a compreensão de que as ligações afetivas não se encerram na sepultura. O Amor, essência da Vida, estende-se, indestrutível, às moradas do Infinito, ponte sublime que sustenta, indelével, a comunhão entre a Terra e o Céu...
Há, pois, dois motivos para não cultivarmos tristeza:
Sentimos saudade - não estamos mortos...
Nossos amados não estão mortos - sentem saudade ...
E se formos capazes de orar, contritos e serenos, nesses momentos de evocação, orvalhando as flores da saudade com a bênção da presença, sentiremos a presença deles entre nós, envolvendo suavemente nossos corações com cariciosos perfumes de alegria e paz.

por Richard Simonetti
livro: Quem tem medo da morte?


domingo, 9 de agosto de 2015

O Iluminado

As sucessivas ondas de perfume carreadas pelos ventos suaves da primavera faziam parte do festival de alegria que dominava a Natureza.
As folhas de mangueiras enfeitavam as portas das casas da aldeia, significando fecundidade em abundância, e o ashram se encontrava ornamentado de festões de flores de laranjeiras.
As pessoas transitavam felizes, ornadas de guirlandas coloridas, e as virgens descalças exibiam os braceletes e guizos reluzentes, assim como as jóias cintilantes que adornavam os sáris leves, dourados uns, prateados outros.
Enfeitadas com esmero e pintadas, aguardavam o Iluminado que deveria chegar, quais noivas ansiosas pelas núpcias anunciadas.
Crianças gárrulas, vestidas com cuidado, corriam de um para o outro lado, como abelhas operosas, embora não produzissem nada além da música estridente dos gritos e das risadas...
O Sol ameno beijava a terra verde exultante de vitalidade com carícia gentil.
De quando em quando, soavam os clarins anunciadores, informando a proximidade da comitiva que conduzia o Esperado.
O palanque no centro do ashram estava repleto com as autoridades e as personagens locais de maior destaque.
Todos O aguardavam com expectativa mal disfarçada.
Esperava-se que Ele chegasse numa carruagem ajaezada de gemas preciosas e ornada de ouro, conduzida por corcéis brancos igualmente recobertos de tecidos caros...
...Ele, porém, chegou caminhando, pés descalços, cabeça erguida e corpo coberto somente pela túnica em tonalidade açafrão, que lhe descia até ao solo.
Nenhum adorno se destacava na indumentária.
Os seus acompanhantes eram, também, destituídos de luxo e de ostentação.
A multidão não pôde esconder o desencanto.
Aguardava-se um rei poderoso que representava Brahma na Terra, e o mensageiro parecia tão pobre e sem valor!
Ele dirigiu-se ao estrado, subiu, calmamente, os degraus, saudou as personalidades com humildade, em melodiosas expressões Namastê!1
As pessoas acercaram-se mais e um silêncio cósmico facultou a oportunidade para Ele falar...
...Eu venho em nome da Luz Inapagável, que antecedeu ao tempo e ao espaço.
Eu sou o portador da Sua claridade, a fim de que toda a sombra se dilua nas mentes e nos corações humanos.
Eu sou a luminosa verdade que desalgema o Espírito da dominadora sombra da ignorância.
Eu sou o archote da esperança para quem busca, sou o socorro para quem o necessita.
Não tenho nada, além disso, nem me interessa possuir outras coisas...
Eu sou!...
Ante a expectação e a onda de ternura que invadiu as pessoas, um apelo maternal rompeu a pausa que Ele fez, rogando:
- Minha filha é cega! – e ergueu-a nos braços.
Ele sorriu, misericordioso, e, dos Seus olhos saíram raios brilhantes, atingindo a criança invidente, que gritou: - Vejo! – e prorrompeu em pranto...
Outrem suplicou:
- Cura as minhas feridas!
Ele estendeu as mãos que espraiaram radiante luz, que logo cicatrizou as úlceras...
...E todos que se encontravam nas trevas das aflições suplicaram remendos para os seus corpos corrompidos, enquanto Ele, curando-os, iluminou-lhes as almas equivocadas.
Quando a noite chegou estrelada, e Ele partiu, uma estrada esplendendo em luz feérica se estendeu da aldeia humilde, perdendo-se na direção do infinito.
O Iluminado compadecido, que nada possuía, era o amor que tudo pode e que se dá, deixando perene claridade naqueles que deambulam na escuridão da inferioridade.

 Rabindranath Tagore -  psicografia de  Divaldo Franco, na noite de 7 de julho de 2008, no Centro Espírita Caminho da Redenção, em Salvador, Bahia.

Em 23.03.2009. Do site: http://www.divaldofranco.com/mensagens.php?not=110.

Leia mais: http://www.cacef.info/news/o-iluminado

Tarefas Mútuas

Aceita a fatalidade do progresso.
Porque se rogue na Terra auxílio aos Amigos Espirituais, não admitas estejam eles sem necessidade do Teu concurso.
Os corações se entrelaçam e as vidas se tocam, à feição das estradas e das fontes que se identificam nos mesmos objetivos.
Aqui, alguém esmorece na provação, abeirando-se do suicídio.
Nesse mesmo lugar, sentinelas invisíveis de abnegação te aguardam a presença e o apoio, para que inicies a obra socorrista com a frase humanitária e encorajadora que essas mesmas sentinelas saberão suplementar.
Ali, esse ou aquele obreiro da beneficência está prestes a cair em desânimo...
Benfeitores do Mais Além te esperam junto de semelhante trabalhador, de modo a que promovas ligeiro gesto de auxílio, capaz de transferi-lo das cinzas da tristeza para as fontes da esperança.
Mães agoniadas estão desfalecentes entre o desalento e a penúria...
Emissários do Bem contam contigo para alguma demonstração de fraternidade, junto delas, incumbindo-se de te manipular a colaboração em recursos providenciais para socorrê-las.
Crianças infelizes se aproximam da delinqüência...
Mensageiros da Vida Superior, em derredor, te pedem amparo que transformarão em reconforto a assistência, em benefício dos pequeninos.
Amigos da Caridade, renteando com irmãos enfermos e necessitados em lares e hospitais, recintos de tratamento e instituições outras, te solicitam o socorro possível que se encarregam de converter em colaboração eficiente, no apoio a eles, qualquer que seja a migalha de proteção que lhes possas oferecer.
Amor é solidariedade.
Progresso é intercâmbio.
Auxilia e auxiliar-se-te-á.
Ilumina a estrada de alguém e estarás iluminando a ti mesmo.
Abençoa o próximo e teus caminhos se farão abençoados.

Ajuda-te sempre, especialmente ajudando aos outros, e o Céu te ajudará.
 Emmanuel - Do livro: Busca e Acharás: Francisco Cândido Xavier

domingo, 12 de julho de 2015

Aconteceu Comigo

Ontem à noite de repente e sem saber por que fui me sentindo muito triste. A tristeza foi aumentando e chegou a um ponto em que eu passei a não ver graça em nada. As coisas que eu gosto de fazer como ler, sair, conversar com os amigos, assistir televisão, escrever, perderam totalmente a graça. Como eu sou uma pessoa muito alegre e motivado, estranhei aquelas sensações e pensamentos negativos, fui até meu quarto, me recolhi e orei. Orei muito pedindo a Deus que me tirasse daquele estado, pois o verdadeiro estado do ser humano é a alegria, a motivação, o prazer de viver e a paz. Levei quase meia hora orando e já perto do final vi claramente, embora de maneira rápida, o rosto de uma mulher banhado de lágrimas. Foi rápido, mas o suficiente para eu entender o que estava acontecendo.

De alguma maneira eu dei abertura e um espírito em estado de depressão, inconformado com a morte, se aproximou de mim buscando ajuda. Aquela tristeza não era minha, mas sim de um espírito desencarnado que ligou-se a mim pelo pensamento.
Assim que encerrei a prece já estava no meu estado normal, como se nada tivesse acontecido.
Acontece isso com você? 
De repente e do nada você entra em estados de depressão, desânimo, tristeza, raiva, irritação, vontade de brigar, vontade de não fazer nada a não ser ficar deitada esperando o tempo passar?
Tanto pode acontecer isso como também você pode mudar de humor com rapidez, na mesma hora que está eufórica, rindo, fazendo planos, bate a tristeza, o desânimo, a falta de vontade e você quer largar tudo pra lá.
Isso chama-se captação energética e é um fenômeno que acontece com muita frequência levando pessoas a procurar a Psiquiatria e a Psicologia sem, contudo, ter muito sucesso.
É que os remédios não irão impedir as energias penetrarem sua aura e transtornar sua mente. Não é preciso você ser um grande médium para isso acontecer. Isso ocorre com quase todo mundo, porque todas as pessoas são médiuns. Você pode não ver, nem ouvir, nem psicografar, nem "incorporar" espíritos, mas não pode se livrar da captação de energias porque em geral todos somos médiuns sensitivos.
No meu caso ontem, captei a energia de um desencarnado sofredor, mas não é só deles que captamos as energias. Captamos também das pessoas encarnadas, dos ambientes, das ruas, da cidade onde moramos, da mente social e até mesmo do mundo. Isso porque todos nós estamos mergulhados na mente universal e, a depender da abertura que damos, iremos captar o que é bom ou o que é ruim.
Ontem eu fiquei chateado porque teria que trabalhar à sexta-feira à noite, que é meu dia de folga e eu gosto de ficar em casa. Estava imaginando ter que sair para trabalhar. Essa imaginação abriu as portas para o espírito triste, que certamente já estava por perto, invadir minha aura e me deixar tão mal.
Depois que ele foi afastado por meio da prece fiquei tão bem que nem mais dei importância ao fato de ter que trabalhar numa sexta-feira à noite.
A captação dessas energias não vai só até os limites do pensamento e do sentimento. Vai muito além. Eles podem provocar sintomas de doenças, quedas de pressão, reações alérgicas, arrepios, frio excessivo ou calor excessivo sem que o ambiente esteja com essas temperaturas, manchas roxas no corpo, pressão alta, crises de labirintite, sensação de alheamento, pensamentos estranhos, dores de cabeça, enjoo, vômitos e cólicas abdominais, dentre outras coisas. A pessoa pensa que está doente, vai a diversos médicos, faz muitos exames, mas não encontra nada.
Se você está sentido coisas assim com frequência, está na hora de perder o medo e o preconceito e estudar a mediunidade. Deve procurar um Centro Espírita Kardecista, fazer cursos, tomar passes e estudar esses fenômenos com pessoas experientes que o conhecem e vão lhe ensinar a lidar com isso.
E o mais importante: equilibrar o emocional, gerenciar os pensamentos, não dá forças ao mal, e sempre que vir algum sentimento ou pensamento ruim, dê de ombros e diga com força "isso não é meu".
Faça isso e tenho certeza que você terá uma vida muito melhor.
Por Maurício de Castro-médium e escritor