sábado, 30 de novembro de 2013

Questionamentos Espíritas

Por Que Existimos?
Somos um alto investimento de Deus. Temos todos os atributos da perfeição, mas ainda somos falhos, simples e ignorantes.
Para conseguirmos alcançar os caracteres da perfeição será necessário muito trabalho, estudo, devotamento à causa do bem, vigilância constante de atos e pensamentos, derrotar imperfeição por imperfeição nas lutas do dia a dia.
Somos elos de uma corrente, por isso, somos importantes para que a corrente se mantenha inteira. Não tem como retirarmos esse elo. Se ele deixasse de existir a corrente também não existiria.
Somos resultado de milenares existências e o objetivo de toda essa peregrinação é a evolução do princípio inteligente até alcançar a perfeição.


O que acontecerá, então, quando alcançarmos a perfeição?
Iremos trabalhar em benefício daqueles que ainda não a alcançaram, iremos consolar aqueles que se encontram em desespero, dar forças aqueles que passam por duras provas, ensinar aqueles que estão carentes de conhecimento, em suma, retribuir aos outros aquilo tudo que recebemos, por nossa vez, do mais Alto.

Quer dizer que não iremos descansar?

O descanso é uma necessidade humana. Quando encarnados, precisamos deste período para nosso equilíbrio, por isso, condicionamos nossa mente a pensar que o que nos aguardaria no futuro seria paz e descanso. Mera ilusão. Habitaremos corpos mais sutis e, quanto mais sutil for, menor a necessidade de descanso.
O que nos espera é mais trabalho?
Quanto mais evoluídos espiritualmente estivermos, abraçaremos mais responsabilidades e trabalhos, mas com uma grande diferença: trabalharemos não porque seremos forçados e sim por amor. O trabalho nos trará a satisfação que tanto nosso espírito anseia e a ociosidade seria para nós uma enorme decepção. Quanto mais evoluímos, mais compreendemos nossa importância, o “por quê” fomos criados, qual o nosso papel no universo. Por ora, pensamos ser um simples e insignificante ser, mas tenho certeza absoluta que o Pai não pensa assim e assim não o é. Trabalho jamais será um castigo e sim um privilégio.

Qual a finalidade da vida?
A finalidade é nos fazer crescer e evoluir.

Por que não fomos já criados perfeitos?
Porque não teríamos mérito algum para isso. Como ter privilégios sem merecer?
Por que tantos sofrem imensamente, desde o berço e ainda terão que sofrer e trabalhar mais ainda para alcançar um mundo melhor?
As dificuldades, dores e sofrimentos que hoje atingem uma imensidão de seres humanos é resultado do mal proceder de outras existências. É a colheita obrigatória da semeadura errada realizada no passado. Somos totalmente responsáveis pelos nossos atos e pelas suas conseqüências. A Lei que nos rege não é de punição, mas de educação. Aprendemos com as conseqüências de nossos erros para não errar mais. Uma vez a lição sendo compreendida e “quitado” nosso débito, desaparece o sofrimento, adquire-se uma lucidez maior e as forças são reavivadas para a continuação da jornada.

Quer dizer então que o trabalho não tem fim?
Não, não tem. Deus cria incessantemente, Jesus trabalha pelo nosso planeta incessantemente, os espíritos abnegados do Bem se desdobram em nos ajudar continuamente. Se o mais Alto Escalão não tem descanso, por que nós teríamos?
Entendamos que o trabalho não é uma punição e sim uma bênção. É a sagrada oportunidade que temos de retribuir todo o bem que fora realizado em nosso benefício para que chegássemos à condição que nos encontramos.

Qual o sentido real da vida?

Viver, amar e servir.
Isso é apenas filosofia, não tem uma explicação melhor?
Viver: onde existe vida, existe uma criação de Deus e toda criação é importante para a harmonia do Universo.
Amar: É o sentimento que mais nos aproxima de Deus. É o elo inquebrantável da corrente da vida.
Servir: É a contribuição que podemos dar em troca de todo investimento que fora empregado em nossa evolução. É o trabalho que fará com que quitemos o imenso débito para com toda a organização da vida, empregada em nosso favor. Se ficássemos inertes, ociosos, seria sinal de que na realidade não teríamos compreendido a magnitude da vida e seu mecanismo, ou melhor, não teríamos evoluído.


De onde viemos?

Eis uma pergunta que todo mundo já fez um dia.
Muitos pensam que fomos criados quando nascemos. Outros acreditam que no momento da concepção é que somos criados.
Na realidade, na matéria, somos criados (corpo, perispírito, espírito) no momento da concepção, porém nosso espírito e perispírito já existiam.
No momento da concepção uma nova jornada se inicia, como se fosse um ano letivo do currículo escolar. Terminada essa vida, esse ciclo, há um intervalo para posteriormente reiniciarmos em novo ano escolar, ou seja, uma nova jornada neste mundo.

Por que isso ocorre?
Ocorre para que possamos, nas diferentes jornadas, irmos adquirindo experiências e conhecimentos nas mais diversas condições, consequentemente, fazendo a desenvolvimento de nossas faculdades morais e espirituais.
Mas, quando foi nossa primeira encarnação?
Somos frutos de um constante desenvolvimento. Nossa primeira existência como seres humanos foi exatamente posterior a última que vivenciamos no reino animal. Talvez, como seres imortais que somos, nem tenhamos feito essa mudança de reino neste planeta. Talvez, e tudo indica ser essa a realidade, tenhamos vindo para este planeta estagiar em condições mais primitivas para adquirirmos aquilo que este meio poderia nos fornecer em termos de aprendizagem. Quando esse período se findar, retornaremos para o planeta de origem ou estagiaremos em outro mais evoluído para continuarmos nosso ciclo de aprendizagem, assim como os alunos que saem do colégio, ingressam numa determinada faculdade para complementarem seus estudos.
Quer dizer que podemos ter vivido já em outro planeta?

Sim, isso é bem provável, tendo em vista a Terra ser um planeta ainda relativamente “jovem”, ou seja, que há muito pouco tempo saiu de uma fase primitiva. Em sua maior parte, os espíritos nativos desse planeta renascem em agrupamentos mais rudimentares, isolados, como nos agrupamentos indígenas e, gradativamente, vão travando contato com a civilização e adquirindo conhecimentos. Lógico que isso não é uma regra, mas digamos que grande parte se encontram ali vivendo.
Nós viemos para este planeta por alguns motivos: ajudar o progresso da civilização primitiva aqui existente; para que o planeta que habitávamos ficasse “livre” da nossa influenciação negativa e pudesse progredir com menos impecilhos, assim como está ocorrendo hoje com a Terra, onde multidões de espíritos estão sendo exilados para planetas mais primitivos para que os que aqui ficarem possam evoluir mais livremente; para que aprendêssemos, no exílio, a dar o devido valor aquilo que tínhamos, aprendermos através do nosso suor e lágrimas, construir um novo ser, mais humano e irmão, capaz de conviver facilmente em quaisquer sociedades, dando ali sua contribuição sem esperar nada em troca.


Isso quer dizer que poderemos sair deste planeta e sermos levados a outro primitivo?

Isso dependerá da condição evolutiva de cada um. Se ficarmos ainda apegados com excesso à matéria, com o orgulho e vaidade intensos, atrapalhando o progresso de nossos semelhantes, desperdiçando nosso tempo em gozos perecíveis e não construindo nada de bom para nós mesmos e nosso próximo, com certeza, haverá grande probabilidade de sermos “banidos” para outro orbe.
E se isso acontecer, como ficaremos?

Renasceremos em novo mundo primitivo nas condições físicas que aquele plano nos oferecer. Nossos corpos serão mais limitados, porém, toda bagagem de conhecimentos que adquirimos estará sempre conosco. Teremos possibilidade, com muito suor e lágrimas, de construir um novo mundo a partir do zero, ajudar os povos primitivos a adquirirem novos conhecimentos, assim como sucedeu com a Terra milênios atrás.
Nunca mais voltaremos a Terra?
Quando expurgarmos tudo aquilo que nos imanta aquele planeta, seremos reconduzidos para cá ou para outro plano que se assemelhe às nossas vibrações.
Quem somos nós, afinal?
Somos seres imortais, filhos de Deus, que estagiamos em todos os lugares criados por Ele para exercitar nossa capacidade e despertar nossa inteligência. Digamos que essa centelha que somos estagia a milhões de anos nos diversos reinos da natureza e o que somos hoje, é o resultado de todo esse processo de aperfeiçoamento.
Não seria mais prudente crermos que Deus nos criou quando nascemos?
Se crermos nisso, estaremos incorrendo no erro de classificá-Lo como parcial e imperfeito, pois para alguns dá muitas facilidades e para outros verdadeiros martírios. Deus jamais daria privilégios a uns em detrimentos de outros, afinal, ele é a Suprema Perfeição. Deu a todos aquilo que precisavam para construírem um ser perfeito, mas o resultado final sempre será mérito individual de cada um. Fomos criados simples e ignorantes, mas com todos os atributos de um ser perfeito. Para adquirir a perfeição é necessário estimular esse princípio inteligente para que ele se desenvolva. Esses estímulos começam a ocorrer ainda no reino mineral e avança sempre, até chegar onde nos encontramos. Longa etapa essa, mas afinal, o que é o tempo diante da eternidade? É apenas uma unidade de medida para que possamos nos situar. A evolução do ser é constante, em todos os reinos desse planeta e posteriormente, de outros, ainda ignorados, que um dia habitaremos.
(Colaboração: Valdenir 

 Fonte: Centro Espírita Vinhas do Senhor


Questionamentos Espíritas

-Para Onde Vamos?
“Na casa de meu Pai há muitas moradas”.

Essa máxima de Jesus vem a nos consolar, indicando-nos que na casa do Pai (Universo) existem muitas moradas. Logicamente, estaremos enquadrados em alguma delas. Atualmente vivemos neste planeta azul, mas pode ser que sejamos originários de outras esferas e, com certeza, um dia abandonaremos esse plano para viver outras experiências em outros mundos.
Existe uma Lei Maior que nos rege, que nos guia, que traça sempre os melhores caminhos para que possamos aprender, trabalhar e evoluir. Nem sempre o que gostaríamos para nós é o melhor, por isso é comum que andemos inconformados com algumas provas que surgem em nosso caminho. Não temos ainda uma visão dimensionada para entender toda extensão das Leis Supremas, mas devemos estar atentos, nos resignar e aprender com as lições proveitosas que cercam nossa existência física.

-Para onde iremos após a morte física?
Eis aí uma pergunta que todo mundo já se fez. Iremos para onde nossa condição espiritual nos levar. Como já fora dito, na casa do Pai há muitas moradas. Podemos entender também por moradas o plano espiritual,para onde iremos caso não fiquemos apegados às coisas deste mundo. Muitas vezes, ficamos hipnotizados no sentimento de posse material ou apegados excessivamente aos nossos entes queridos e criamos uma força de atração que nos prende a esse mundo da matéria.


Quer dizer que mesmo depois do desencarne podemos ficar residindo neste mundo?


Podemos sim e o tempo que vai determinar isso é justamente o necessário para que essas energias atrativas sejam enfraquecidas e consequentemente possamos ser resgatados.

Como que essas energias podem ser enfraquecidas?
À medida que o indivíduo vai tomando consciência da sua situação e se resignando, os laços que o prendem a esse mundo vão se enfraquecendo.

Por que não somos resgatados imediatamente?


Isso dependerá do merecimento de cada um. Não podemos nos esquecer também que todos possuem o livre arbítrio, que sempre é respeitado. Um indivíduo somente é resgatado quando tem merecimento para isso ou quando acorda para a realidade que o cerca e pede auxílio ao Alto.

Se formos atraídos para o plano espiritual, onde iremos parar?
Iremos para uma dimensão que se sintonize com nossa freqüência vibratória. Quanto mais animalizados estejamos, mais seremos atraídos para regiões densas. Quanto mais espiritualizados estejamos, seremos atraídos para regiões mais sublimes.
A Lei que nos rege é natural, imutável, perfeita e aplicada a todos os seres da criação. Não existe julgamento. Quem faz nosso julgamento é a própria consciência. Ela nos aponta os erros e acertos, nos mostra as atenuantes e as agravantes que geraram nosso estado consciencial. No plano espiritual, iremos conviver com pessoas que tenham as mesmas idéias e disposições que as nossas, gostos,virtudes e defeitos. Em suma, cada um conviverá com o grupo que se afinizar.

Quer dizer que poderei ficar separado das pessoas que mais amo?
Temporariamente sim. Tudo dependerá da sintonia vibratória. Cada um será atraído para determinado lugar, de acordo com seu nível evolutivo. Se tivermos um nível maior que outros, quando estivermos preparados e adaptados ao novo meio, poderemos visitá-los e até auxiliá-los, de acordo com a permissão superior. Caso estejamos num nível inferior, poderemos ser auxiliados pelos que estão acima de nosso nível, para que mais rapidamente possamos nos recuperar e conseguir alcançar esferas mais elevadas. Tudo dependerá da força de vontade de cada um.

Por que não podemos conviver com todos nossos familiares no plano espiritual?
Porque dificilmente todos estarão em perfeita sintonia vibratória. Essa separação é temporária, porém, como a evolução é constante, uns evoluem mais rápidos e outros mais lentamente. Uns vão na frente e puxam os que ficam atrás. Quem está na frente vê quem está atrás e o ajuda, mas quem está atrás raramente nota quem está à frente.

Se formos atraídos para regiões baixas, por quanto tempo ficaremos ali?


O tempo que for suficiente para desgastar as energias mais densas e termos condições de ser socorridos pelos benfeitores espirituais. Esse tempo pode durar desde algumas horas, como até séculos. Tudo depende da disposição íntima de cada um de se melhorar, de perdoar, de abandonar seus vícios, ódios, rancores e sentimentos de vingança. Cada um desempenha uma trajetória diferente, mas no final, nem que leve milênios, todos retornarão ao caminho seguro que leva ao Pai.

E o contrário: se formos para planos mais elevados, o que acontecerá?
Iremos continuar nesse plano nosso aprendizado. Iremos ter condições de aprender novos ensinamentos, teremos maior oportunidade de trabalho e também maiores responsabilidades. Não existe “céu” de ociosidade. O trabalho é constante, assim como a nossa evolução é também. Nas esferas superiores alcançaremos conhecimentos que o plano material que vivemos jamais poderia nos fornecer. Trabalharemos pelos nossos semelhantes que ficaram “para trás”, para que possam, com seu esforço e superação, nos alcançar. Aí sim, quando todos tivermos livres as nossas imperfeições, poderemos conviver harmonicamente.

(Colaboração: Valdenir 

Fonte: Centro Espírita Vinhas do Senhor

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

A melhora da morte

Quando os familiares não aceitam a perspectiva da separação (desencarnação) formando a indesejável teia vibratória, os técnicos da Espiritualidade promovem, com recursos magnéticos, uma recuperação artificial do paciente que, "mais prá lá do que prá cá", surpreendentemente começa a melhorar, recobrando a lucidez e ensaiando algumas palavras...
Geralmente tal providência é desenvolvida na madrugada. Exaustos, mas aliviados, os "retentores" vão repousar, proclamando:
"Graças a Deus! O Senhor ouviu nossas preces!"
Aproveitando a trégua na vigília de retenção os benfeitores espirituais aceleram o processo desencarnatório e iniciam o desligamento.
A morte vem colher mais um passageiro para o Além.
Raros os que consideram a necessidade de ajudar o desencarnante na traumatizante transição.
Por isso é freqüente a utilização desse recurso da Espiritualidade, afastando aqueles que, além de não ajudar, atrapalham. Existe até um ditado popular a respeito do assunto:
"Foi a melhora da morte! Melhorou para morrer!”

Richard Simonetti – Grupo de estudo Allan Kardec

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

O Retorno do Apóstolo Chico Xavier

Quando mergulhou no corpo físico, para o ministério que deveria desenvolver, tudo eram expectativas e promessas.
Aquinhoado com incomum patrimônio de bênçãos, especialmente na área da mediunidade, Mensageiros da Luz prometeram inspirá-lo e ampará-lo durante todo o tempo em quase encontrasse na trajetória física, advertindo-o dos perigos da travessia
no mar encapelado das paixões bem como das lutas que deveria travar para alcançar o porto de segurança.
Orfandade,perseguições rudes na infância, solidão e amargura estabelecermos cerco que lhe poderia ter dificultado o avanço. Porém, as providências superiores auxiliaram-no a vencer esses desafios mais rudes e a crescer interiormente no rumo do objetivo de iluminação.
Adversários do ontem que se haviam reencarnado também, crivaram-no de aflições e de crueldade durante toda a existência orgânica, mas ele conseguiu amá-los, jamais devolvendo as mesmas farpas, os espículos e o mal que lhe dirigiam.
 Experimentou abandono e descrédito, necessidades de toda ordem, tentações incontáveis que lhe rondaram os passos ameaçando-lhe a integridade moral, mas não cedeu ao dinheiro, ao sexo, às projeções enganosas da sociedade, nem aos sentimentos vis.
Sempre se manteve em clima de harmonia, sintonizado com as Fontes Geradoras da Vida, de onde hauria coragem e forças para não desfalecer.
Trabalhando infatigavelmente, alargou o campo da solidariedade, e acendendo o archote da fé racional que distendia através dos incomuns testemunhos mediúnicos, iluminou vidas que se tornaram faróis e amparo para outras tantas existências.
 Nunca se exaltou e jamais se entregou ao desânimo, nem mesmo quando sob o metralhar de perversas acusações, permanecendo fiel ao dever, sem apresentar defesas pessoais ou justificativas para os seus atos.
Lentamente, pelo exemplo, pela probidade e pelo esforço de herói cristão, sensibilizou o povo e os seu líderes, que passaram a amá-lo, tornou-se parâmetro do comportamento,transformando-se em pessoa de referência para as informações seguras sobre o Mundo Espiritual e os fenômenos da mediunidade.
Sua palavra doce e ungida de bondade sempre soava ensinando, direcionando e encaminhando as pessoas que o buscavam para a senda do Bem.
Em contínuo contato com o seu Anjo tutelar, nunca o decepcionou,extraviando-se na estrada do dever, mantendo disciplina e fidelidade ao compromisso assumido.
Abandonado por uns e por outros,afetos e amigos, conhecidos ou não, jamais deixou de realizar o seu compromisso para com a Vida, nunca desertando das suas tarefas.
As enfermidades minaram-lhe as energias, mas ele as renovava através da oração e do exercício intérmino da caridade.
A claridade dos olhos diminuiu até quase apagar-se, no entanto a visão interior tornou-se mais poderosa para penetrar nos arcanos da Espiritualidade.
Nunca se escusou a ajudar, mas nunca deu trabalho a ninguém.
 Seus silêncios homéricos falaram mais alto do que as discussões perturbadoras e os debates insensatos que aconteciam a sua volta e longe dele, sobre a Doutrina que esposava e os seus sublimes ensinamentos.
Tornou-se a maior antena parapsíquica do seu tempo, conseguindo viajar fora do corpo, quando parcialmente desdobrado pelo sono natural, assim como penetrar em mentes e corações para melhor ajudá-los, tanto quanto tornando-se maleável aos Espíritos que o utilizaram por quase setenta e cinco anos de devotamento e de renúncia na mediunidade luminosa.
Por isso mesmo, o seu mediunato foi incomparável.
...E ao desencarnar, suave e docemente, permitindo que o corpo se aquietasse,ascendeu nos rumos do Infinito, sendo recebido por Jesus, que o acolheu com a Sua bondade, asseverando-lhe:
- Descansa, por um pouco, meu filho, a fim de esqueceres as tristezas da Terra e desfrutares das inefáveis alegrias do reino dos Céus.

Joanna de Ângelis - Divaldo Franco

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Em torno da Mediunidade

Ali, no movimentado salão do Carnegie Hall, em Nova Iorque, encontramos famosa médium, a que emprestaremos tão-só o nome de Sra. Hayden, e de quem ouvíramos as melhores referências no Plano Espiritual.
Marcado o encontro pela intervenção afetuosa de nosso amigo Fred. Figner, fomos recebidos pela distinta senhora desencarnada, para conversação de alguns minutos.
A Sra. Hayden, orientadora de assuntos medianímicos, em vários círculos doutrinários dos Estados Unidos, recebeu-nos com extrema bondade, e, porque a víssemos cercada de amigos, naturalmente em atividades inadiáveis, firmamo-nos no objetivo direto de nossa visita, depois das saudações fraternais.
-Sra. Hayden — começamos —, se possível, estimaríamos ouvi-la em algumas perguntas sobre mediunidade...
-Minha experiência — comentou a interpelada — nada possui de notável...
E sorrindo:
-Mas pergunte o que deseje e responderei o que possa.
Sabíamos que a entrevistada, desde os primórdios do Espiritismo, na América, se fizera amiga pessoal do Juiz John Edmonds, do professor Robert Hare, da Sra. James Mapes, de Emma Hardinge e outros pioneiros do movimento espírita na Terra, e considerei:
-Não desconhecemos que a senhora estuda a mediunidade, desde as bases da Doutrina Espírita no mundo...
-Sim — aprovou —, tenho essa honra.
E o nosso diálogo prosseguiu:
-Que nos diz acerca da mediunidade, no momento atual do Planeta?
-Questão ainda nova, tão nova como quando nos aventuramos a praticá-la, há precisamente um século. Temos longo tempo, diante de nós, para examiná-la, conhecê-la, educá-la.
-Mas, a Ciência e a Religião?...
-Duas forças que, até agora, ainda não puderam compreendê-la. Com a veneração que lhes devemos e acatadas as exceções, não será lícito ignorar que os cientistas, até hoje, se esforçam, quase sempre, não em estudá-la mas em dissecá-la, como quem anatomiza grãos de trigo verde, querendo encontrar o pão feito; e os religiosos, muitas vezes, unicamente procuram cercear-lhes os vôos, sob capas mitológicas, interessados em prestigiar a superstição.
-Acredita, no entanto, que as realizações da mediunidade são retardadas tão-só pela inf1uência de cientistas e religiosos?
-De modo algum. A mediunidade é uma força neutra, qual o magnetismo e a eletricidade, que não são bons e nem maus em si. O homem é quem lhes caracteriza as aplicações. Todos sabemos que milhares de indivíduos, encarnados e desencarnados, abusam da mediunidade, como os falsários criam chantagem com o dinheiro ou os impostores exploram a palavra, envilecendo-a na demagogia.
-A senhora crê na possibilidade de se coibirem semelhantes abusos pelo estabelecimento, na Terra, de um instituto central de controle dos fenômenos mediúnicos?
-A questão é de consciência pessoal. Já pensou o que seria do mundo, nas condições morais em que ainda se encontra, se apenas um grupo de nações ou pessoas pudesse controlar a potência do Sol? As ocorrências medianímicas pertencem ao domínio da verdade; por isso mesmo, devem estar com todas as criaturas, no grau evolutivo em que se vejam, em regime de liberdade, conquanto saibamos que todo médium dará contas aos Poderes Orientadores da Vida quanto àquilo que faça de suas próprias faculdades.
-Sra. Hayden, estamos convencidos de que a mediunidade é característica peculiar a todas as pessoas. Apesar disso, a senhora crê, tanto quanto nós, que muitos Espíritos reencarnam com mandatos especiais para desenvolvê-la e honorificá-la?
-Perfeitamente.
-E como explicarmos a falência de tantos médiuns no mundo?
-Isso não sucede exclusivamente nos domínios da mediunidade. O amigo admite que os tiranos em política, os sicários da cultura intelectual que supõem desacreditar a Ciência com atos de crueldade e os fanáticos em Religião hajam nascido na Terra para fazerem o mal que causam? Identificamos companheiros transviados na mediunidade, como é fácil de conhecê-los nos círculos da fortuna, da inteligência, da administração...
-Que diz a isso?
-Que, por enquanto, somos, no conjunto, a família humana do Planeta, com imperfeições, paixões, erros e bancarrotas, inerentes à nossa posição de Espíritos em aperfeiçoamento gradativo, caindo agora e levantando depois, aprendendo e melhorando sempre.
-Em seu ponto de vista, como promover a elevação do conceito de mediunidade?
-Separar o fenômeno mediúnico da doutrina do Espiritismo, definindo fenômeno por matéria de observação e doutrina como sendo a luz que o esclarece.
-A senhora conhece a Codificação Kardequiana?
-Sim.
-Se fosse solicitada a falar para os irmãos de língua inglesa, encarnados na Terra, com vistas à obra de Allan Kardec, permitir-nos-á, por obséquio, saber o que diria?
-Se isso me fosse possível, convidaria todos os amigos e associados de ideal, de formação anglo-saxônia e latina, para o estudo generalizado dos temas e interesses espíritas e espiritualistas, em benefício da Humanidade, a começar dos mais humildes agrupamentos de opinião. Esses assuntos fundamentais da alma, da imortalidade, da evolução, da reencarnação, do destino, da dor e da justiça precisam sair do ambiente estreito dos simpósios para a analise clara e simples do povo.
-Sra. Hayden, desejando centralizar o nosso entendimento no que se relaciona com a mediunidade, muito nos agradaria ouvi-Ia sobre o que pensa, neste outro lado da vida, quanto à mistificação mediúnica.
-O irmão diz muito bem, quando afirma «neste outro lado da vida», porque, no campo físico, habituamo-nos a ver o empeço de maneira excessivamente sumária. A mistificação medianímica assume agora para mim aspectos multiformes, de vez que, se em alguns casos raros, podemos reconhecê-la movida pela má-fé, na maioria absoluta das ocorrências necessitamos compreender o papel da hipnose, da compulsão, do reflexo condicionado ou do processo obsessivo dentro dela. Discriminar mistificações mediúnicas, separando-as de fatos autênticos da mediunidade, não é tão fácil...
-Que sugere para a solução do problema?
-Trabalhar e estudar, cada vez mais. Os sábios das Esferas Superiores nos inspiram e guiam, mas não efetuam por nós a tarefa que nos cabe fazer.
-Mas, as fraudes mediúnicas, Sra. Hayden, que pensar das fraudes mediúnicas que plantam a dúvida e a negação entre os homens? Porque os sábios das Esferas Superiores não as proíbem irrevogavelmente?
-A notável seareira do Espiritismo, na América, sorriu de enigmático modo e acrescentou:
-Ah! Meu amigo, a dúvida é permitida pela Bondade Divina, em benefício da fraqueza humana. A fraude mediúnica, se prejudica de um lado, mostra função seletiva de outro. Muita gente que se gaba de cultura e discernimento não suportaria, de chofre, as verdades do Mundo Espiritual. Existem Espíritos que reencarnam prometendo prodígios de fidelidade e serviço, na obra do Senhor; entretanto, depois de se constituírem seguramente no corpo físico, voltam às tentações que noutro tempo lhes conturbavam o campo íntimo e recuam dos propósitos de elevação... Ainda assim, são criaturas boas e nobres. O Senhor, então, permite que elas duvidem das realidades espirituais e aceita, generosamente, que lhe neguem até mesmo a existência, de modo a que se inclinem para outras tarefas, não tão heróicas quanto as da confiança e da lealdade ao Bem até às últimas conseqüências, mas igualmente construtivas e meritórias... Tornarão à fé mais tarde, enquanto os companheiros mais amadurecidos seguem, com a bênção do Senhor, para a frente.
Uma campainha retiniu.
Os minutos previstos para a conversação haviam terminado.
A Sra. Hayden despediu-se e nós ficamos repentinamente a sós, no grande salão, com fome de silêncio e com sede de pensar.

 Irmão X , Do Livro: Entre Irmãos de Outras Terras- Francisco Cândido Xavier

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Classificações de Casamentos

Acidentais, Provacionais, Sacrificiais, Afins (Afinidade superior), Transcendentes.

ACIDENTAIS : Se dá por efeito de atração momentânea, de almas ainda inferiorizadas. São as pessoas que se encontram, se vêem, se conhecem, se aproximam, surgindo, daí, o enlace acidental, sem qualquer ascendente espiritual. Usando de seu livre arbítrio, uma vez que por ele construímos sempre o nosso destino. No nosso mundo, tais casamentos são comuns, ainda.

PROVACIONAIS: Reencontro de almas, para reajustamentos necessários à evolução delas. São os mais frequentes. É por essa razão que há tantos lares onde reina a desarmonia, onde impera a desconfiança, onde os conflitos morais se transformam, tantas vezes, em dolorosas tragédias. Deus permite a união deles, através das leis do Mundo, a fim de que, pelo convívio diário, a Lei Maior, da fraternidade, seja por eles exercida nas lutas comuns. A compreensão evangélica, a boa vontade, a tolerância e a humildade são virtudes que funcionam à maneira de suaves amortecedores.
O Espiritismo, pelos conhecimentos que espalha, é meio eficiente para que muitos lares em provação, se reajustem e se consolidem, dando, assim, os primeiros passos na direção do Infinito Bem. O Espírita esclarecido sabe que somente ele pagará as suas próprias faltas, porém sempre contando com o auxílio Divino.

SACRIFICIAIS: Deus permite aí, o reencontro de alma iluminada com alma inferiorizada, com o objetivo de redimir a que se perdeu pelo caminho. Reúnem almas possuidoras de virtude a outras de sentimentos opostos. Acontece quando uma alma esclarecida, ou iluminada se propõe ajudar a que se atrasou na jornada ascensional. Como a própria palavra indica, é casamento de sacrifício, para um deles. E o sacrificado tanto pode ser a mulher como o homem. Quem ama não pode ser feliz se deixou na retaguarda, torturado e sofredor, o objeto de sua afeição.Volta, então, e, na qualidade de esposo ou esposa, recebe o viajor retardatário, a fim de, com o seu carinho e com a sua luz, estimular-lhe a caminhada. O Evangelho nos lares, como em toda a parte, funciona à maneira de estimulante da harmonia e construtor do entendimento. 

AFINS :
Pela lei da afinidade, reencontram-se corações amigos, para consolidação de afetos. São os que reúnem almas esclarecidas e que muito se amam. São Espíritos que, pelo casamento, no doce aconchego do lar, consolidam velhos laços de afeição.

TRANSCENDENTES
São Almas engrandecidas no Bem que se buscam para realizações imortais. São constituídos por almas que se reencontram, no plano físico, para as grandes realizações de interesse geral. A vida desses casais encerra uma finalidade superior. O ideal do Bem e do Belo enche-lhes as horas e os minutos repletando-lhes as almas de doce ventura, acima de quaisquer vulgaridades terrenas, acima das emoções inferiores, o amor puro e santo. Todos nós passamos, ou passaremos ainda, segundo o caso, por essa sequência de casamentos: acidentais, provacionais e sacrificiais, até alcançarmos no futuro, sob o sol de um novo dia, a condição de construirmos um lar terreno na base do idealismo transcendental ou da afinidade superior. E enquanto caminhamos, o Espiritismo, abençoada Doutrina, cumulará os nossos dias das mais santas esperanças…
É evidente que o matrimônio, sagrado em suas origens, tem reunido sob o mesmo teto os mais variados tipos evolutivos, o que vem demonstrar que a união, na Terra, funciona, às vezes como meio de consolidação de laços de pura afinidade espiritual, e, noutros casos, em sua maioria, como instrumento de reajuste.
Algumas vezes o lar é um santuário, um templo, onde almas engrandecidas pela legítima compreensão exaltam a glória suprema do amor sublimado. Porém, a maioia dos lares funcionam como oficina e hospital purificadores, onde, sob o calor de rudes provas e dolorosos testemunhos, Espíritos frágeis caminham, lentamente, na direção da Vida Superior.


Autor: Martins Peralva
Livro : Estudando a Mediunidade – cap. XVIII

O Problema do Divórcio

Ouvistes o que foi dito aos antigos: – Quem abandonar sua mulher, dê-lhe carta de divórcio.
Eu, porém, vos digo que quem repudiar sua mulher, a não ser por causa de infidelidade, a torna adúltera; e qualquer que casar com a repudiada comete adultério.
(Mateus, 5:31 e 32.)


Nos primórdios do Judaísmo os vínculos matrimoniais eram bastante frágeis. Se o homem chegasse à conclusão de que sua esposa não lhe convinha, até pelo fato de cometer uma falha no preparo da comida, bastava dar-lhe carta de divórcio, uma espécie de demissão ou rescisão do contrato matrimonial. Isto bem de acordo com a mentalidade da época, situada a mulher em regime de escravidão.
Por incrível que pareça, a carta de divórcio, instituída por Moisés, representava um progresso, pois regulamentava a separação e dava à repudiada o direito de constituir nova família.
No capítulo 19, do Evangelho de Mateus, Jesus diz, categórico, que semelhante instituição deveu-se à dureza do coração humano.
Ao referir-se ao assunto, no Sermão da Montanha, o Mestre explica que o casamento deve ser indissolúvel, admitindo a separação apenas num caso — a infidelidade —, porque esta des-trói as bases fundamentais da união matrimonial: a confiança, a integridade, o respeito, o amor, a dignidade.
A Doutrina Espírita é bastante clara quanto à seriedade do vínculo matrimonial, demonstrando que ele é, geralmente, fruto de planejamento espiritual, e que, ao se ligarem, os cônjuges assumem compromissos muito sérios, não tão somente em relação ao próprio ajuste, mas, particularmente, no concernente aos filhos.
Todo casamento dissolvido representa fracasso dos cônjuges. A separação não faz parte do destino de ambos — é simples¬mente uma alternativa, quando a união entra em crise insuperável. O divórcio, nesta circunstância, defendido por Kardec, em O Evangelho segundo o Espiritismo, capítulo 22, limita-se tão só a re¬conhecer uma separação já existente. É o mal menor, oferecendo ao casal divorciado a oportunidade de recompor suas vidas e de legalizar sua nova situação perante a sociedade.
Imperioso reconhecer – e nisso reside a seriedade do problema – que a separação representa uma transferência de com¬promissos para o futuro, em regime de débito agravado, sempre que os filhos ou os próprios cônjuges venham a comprometer-se em desajustes e desequilíbrios diretamente relacionados com a desintegração do lar.
Inútil, entretanto, considerar-se os prejuízos advindos da separação, diante daqueles que chegaram a extremos tais de desentendimentos que tornam impossível a vida em comum. Nesta circunstância, nem toda a sabedoria do mundo os convencerá a permanecerem juntos, superando suas desavenças.
Por isso, mais importante do que tentar ajustar peças demasiadamente comprometidas pela ferrugem da discórdia, é cuidar de recursos que garantam a estabilidade matrimonial, a saúde do casamento.
Para tanto, a primeira providência é superar o velho enga¬no cometido pelo homem e pela mulher, que se julgam casados apenas porque assinaram o livro do registro civil, submetendo-se às demais disposições legais.
Socialmente falando o casamento é isso, mas, sob o ponto de vista moral e espiritual, trata-se de um compromisso a ser re¬novado todos os dias. Deve representar o empenho diário de dois seres, de estrutura biológica e psicológica totalmente diferentes, no sentido de se ajustarem. Cérebro e coração, razão e sentimento, força e sensibilidade, o homem e a mulher, realmente, são duas partes que se completam — mas somente com a força do amor. Não o amor paixão, que se esvai após a embriaguez dos primeiros tempos, mas o amor convivência, que se consolida com o perpassar dos anos, desde que sustentado pelos valores da compreensão, do respeito mútuo, da tolerância e da boa vontade.
Emmanuel tem uma imagem muito feliz a respeito do casamento, quando diz que a euforia dos noivos, no grande dia, é semelhante à do estudante que recebe o diploma do curso superior. É o coroamento de seus esforços, de seus anseios...
Mas depois vem o trabalho de cada dia, a dedicação, o es¬forço, o sacrifício, para que seu diploma represente para ele a base de uma vida melhor, econômica e socialmente.
Assim acontece com o casamento. Muita alegria no início, muito empenho depois, porque nenhuma casa será um lar autêntico, oásis de bênçãos e ternura, se não for primeiro uma oficina de boa vontade e de esforço em favor da paz.
Para tanto, lembrando ainda Jesus, é preciso que combatamos a dureza de nossos corações, pois, se bem analisarmos, verificaremos que todo problema de relacionamento humano, em qualquer lugar, principalmente no lar, nasce justamente porque nosso coração se fecha com muita facilidade ante as manifestações do egoísmo, que nos leva a exigir demais dos outros e tão pouco de nós mesmos.

Richard Simonetti