Ildefonso, o filho de Dona Malvina Chaves, dama profundamente virtuosa e devotada à causa do bem, há quatro longos anos jazia semi-acamado; entretanto, preso à situação difícil, assemelhava-se a um cordeiro. Parecia estimar as preces maternas, consagrava-se à leitura edificante e sabia conversar, respeitoso e gentil, encorajando quem o visitasse.
Contemplando-o, comovidamente, a desvelada mãe inquiria o Médico Divino, ansiosa:
– Senhor, que motivo trouxe meu filho à invalidez? Não te parece doloroso imobilizar a juventude aos dezoito anos? Traze-o, de novo, aos movimentos da vida! Restaura-lhe o equilíbrio, por piedade!
Levanta-o e consagrar-me-ei inteiramente ao teu divino serviço!...
As lágrimas do sublime coração materno sufocavam as palavras na garganta, emocionando os amigos espirituais que a assistiam em silêncio.
No propósito de obter a concessão celeste, a prestativa senhora sacrificava-se através de todas as atividades socorristas.
Visitava moribundos, amparava sofredoras, protegia crianças abandonadas e arriscava a própria saúde e os recursos na caridade operante, conquistando prestigiosos colaboradores no plano invisível.
Em virtude dos inúmeros laços de simpatia e reconhecimento, as súplicas da estimada matrona eram agora secundadas por imenso grupo de entidades espirituais, que imploravam diariamente a renovação do destino de Ildefonso. Reclamava-se para ele plena liberdade de movimentação. Esclarecia-se que na hipótese de o enfermo não merecer a graça, o benefício não deveria tardar, mesmo assim, considerando-se os méritos da genitora, mulher admirável na fé e no devotamento.
Tantos rogos se multiplicaram e tantas simpatias se entrelaçaram, que, um dia, a ordem chegou de mais alto, determinado que o jovem fosse reajustado cem por cento.
Os trabalhadores invisíveis, jubilosos, aguardaram ensejo adequado; e quando surgiu um médium notável, no setor da tarefa curativa, a Senhora Chaves foi inspirada a conduzir o filho até ele.
O missionário recebeu-a solícito e declarou-se pronto a contribuir no socorro ao doente, em obediência aos desígnios superiores.
A mãezinha fervorosa observou, no entanto, que aguardava a cura completa, era face da confiança que a orientara até ali.
O servo da saúde humana, cercado de espíritos amorosos e agradecidos, orou, impôs as mãos sobre o hemiplégico e transmitiu, vigorosamente, os fluidos regenerativos dos benfeitores desencarnados.
Em breves dias, o prodígio estava realizado.
Ildefonso recuperou o equilíbrio orgânico, integralmente.
E a genitora, feliz, celebrou a bênção, multiplicando serviços de compaixão fraterna e gestos de elevada renovação espiritual.
Um mês desdobrara os dias consuma, quando Dona Malvina começou a desiludir-se.
Ildefonso, curado, era outro homem. Perdera o amor pelas coisas sagradas. Pronunciava palavrões de minuto a minuto. Convidado à prece, informava, irreverente, que a religião era material de enfermarias e asilos e que não era doente nem velho para ocupar-se de semelhante mister. Inadaptado ao trabalho, fugia à disciplina benéfica. Trocava o dia pela noite, tal a pressa de esfalfar-se em noitadas ruidosas. Parecia vigilante do clube noturno e suas despesas desordenadas não chegavam a termo. Se a mãezinha pedia reconsideração e atitudes, sorria, escarninho, asseverando a intenção de recuperar o tempo que perdera através de espreguiçadeiras, drogas e injeções.
Com dez meses, era um transviado autêntico.
Embriagava-se todas as noites, tornando ao lar nos braços de amigos, e, quando a genitora, impondo-lhe repreensões educativas, se negou a pagar-lhe a centésima conta mais exagerada, Ildefonso falsificou a assinatura de um tio em escandaloso saque de grandes proporções.
A generosa mãe não sabia como solver o enigma do filho rebelde e ingrato.
Queixas surgiam de toda parte. Autoridades e parentes, amigos e desconhecidos traziam reclamações infindáveis.
A abnegada senhora via-se aflita e estonteada, ignorando como reajustar a situação, quando, certa noite, pedindo ao filho ébrio lhe respeitasse os cabelos brancos, foi por ele agredida a pauladas que lhe provocaram angustiosas feridas no coração. Sem palavras de revolta, Dona Malvina, a abençoada intercessora, procurou a câmara íntima, em silêncio, e rogou:
– Médico Divino, compreendo-te agora, os desígnios sábios e justos. Meu filho é também uma ovelha de teu infinito rebanho!... Não permitas, Divino Amigo, que ele se converta num mostro!... Não sei, Senhor, como definir-lhe as necessidades, mas faze-me entender-te as sentenças compassivas e modifica-lhe a rota desventurada!...
Enxugando o pranto copioso, repetiu as palavras evangélicas:
– Sou tua serva... Faça-se em mim, segundo a tua vontade!...
Intensa luminosidade espiritual resplandecia em torno de sua cabeça venerável. Nova benção desceu de mais alto e, com surpresa de todos no dia imediato, Ildefonso acordou paralítico...
pelo Espírito Irmão X - Do livro: Luz Acima, Médium: Francisco Cândido Xavier.
Leia mais: http://www.cacef.info/news/rogativa-reajustada/?
segunda-feira, 29 de setembro de 2014
quarta-feira, 24 de setembro de 2014
Resposta de Deus
Diante de um problema, seja ele grave ou não, não se desespere. Se um problema apareceu em sua vida foi por um bom motivo. Você atraiu esse problema. Por que?
É o que você deve, em oração sincera, perguntar a Deus e pedir que Ele envie a resposta. As respostas que Deus irá mandar poderão vir através de uma intuição, de uma frase lida ou ouvida ao acaso, de um livro que você ler, de uma palestra que você ouvir. Deus ajuda o homem através do próprio homem, por isso fique atenta. Quando a resposta surgir, trate de começar a mudar e agir diferente. Um problema só se resolve de fato quando aprendemos a lição que ele veio nos ensinar. Agir por fora pode solucionar o problema momentaneamente, mas se não aprendermos com ele, outro problema semelhante virá tempos depois. É por isso que há pessoas que sempre estão às voltas com os mesmos problemas. É que elas ainda não assimilaram a lição. Por isso, além de pedir a Deus a solução, peça, principalmente, o aprendizado que Ele quer lhe dar. Se fizer isso, esse problema que hoje a aflige nunca mais irá voltar.
Por Mauricio de Castro-Médium e escritor
Por Mauricio de Castro-Médium e escritor
sexta-feira, 19 de setembro de 2014
Liberte-se do passado
Quantas vezes você fica sofrendo inutilmente pelas coisas que passou, pelo quanto que sofreu ou pelo quanto fez de errado? Mas, por mais que você chore ou se angustie, nada pode ser mudado. Você não pode mais voltar atrás nem agir diferente. O passado deve nos servir de aprendizado e nos trazer uma saudade saudável, mas enquanto não nos libertarmos dele não seremos felizes. Amores que se foram, erros que cometemos, pessoas que prejudicamos, gente que nos machucou e interferiu em nosso destino... Tudo já se foi. O que importa é o agora, é o hoje. Como nos disse Chico Xavier: "Ninguém pode voltar atrás e fazer um novo começo, mas podemos começar agora e fazer um novo fim"
Por Mauricio de Castro-escritor e médium
quarta-feira, 17 de setembro de 2014
Lindos casos de Chico Xavier
Tenha Paciência ,meu filho!
Quando Dona Maria João do Deus desencarnou, em 29 de setembro do 1915, Chico Xavier, um de seus nove filhos, foi entregue aos cuidados de Dona Rita do Cássia, velha amiga e madrinha da criança.
Dona Rita, porém, era obsidiada e, por qualquer bagatela, se destemperava, irritadiça.
Assim é que o Chico passou a suportar, por dia, várias surras de vara de marmeleiro, recebendo, ainda, a penetração de pontas de garfos no ventre, porque a neurastênica e perversa senhora inventara esse estranho processo do torturar.
O garoto chorava muito, permanecendo, horas e horas, com os garfos dependurados na carne sanguinolenta e corria para o quintal, a fim de desabafar-se, porque a madrinha repetia, nervosa:
- Este menino tem a diabo no corpo.
Um dia, lembrou-se a criança de que sua Mãezinha orava sempre, todos os dias, ensinando-o a elevar o pensamento a Jesus e sentiu falta da prece que não encontrava em seu novo lar.
Ajoelhou-se sob velhas bananeiras e pronunciou as palavras do Pai Nosso que aprendera dos lábios maternais.
Quando terminou, oh! maravilha!
Sua progenitora, Dona Maria João de Deus, estava perfeitamente viva ao seu lado.
Chico, que ainda não lidara com as negações e dúvidas dos homens, nem por um instante pensou que a Mãezinha tivesse partido para as sombras da morte.
Abraçou-a, feliz; e gritou:
- Mamãe, não me deixe aqui... Carregue-me com a senhora...
- Não posso, - disse a entidade, triste.
- Estou apanhando muito, mamãe!
Dona Maria acariciou-o e explicou:
- Tenha paciência, meu filho. Você precisa crescer mais forte para o trabalho. E quem não sofre não aprende a lutar.
- Mas, - tornou a criança - minha madrinha diz que eu estou com o diabo no corpo...
- Que tem isso? Não se incomode. Tudo passa e se você não mais reclamar, se você tiver paciência, Jesus ajudará para que estejamos sempre juntos.
Em seguida, desapareceu.
O pequeno, aflito, chamou-a em vão.
Desde desse dia, no entanto, passou a receber o contacto de varas e garfos sem revolta e sem lágrimas.
- Chico é tão cínico - dizia Dona Rita, exasperada, que não chora, nem mesmo a pescoção.
Porque a criança explicasse ter a alegria de ver sua mãe, sempre que recebia as surras, sem chorar, o pessoal doméstico passou a dizer que ele era um "menino aluado".
E, diariamente, à tarde, com os vergões na pele e com o sangue a correr-lhe em pequeninos filetes do ventre o pequeno seguia, de olhos enxutos e brilhantes, para o quintal!, a fim de reencontrar a mãezinha querida, sob as velha árvores, vendo-a e ouvindo-a, depois da oração.
Assim começou a luta espiritual do médium extraordinário que conhecemos.
O valor da Oração
A madrinha do Chico, por vezes, passava tempos entregue a obsessão.
Assim é que, nessas fases, e exasperação dela era mais forte.
Em algumas ocasiões, por isso, condenava o menino a vários dias de fome.
Certa feita, já fazia três dias que a criança permanecia em completo jejum.
À tarde, na hora da prece, encontrou a mãezinha desencarnada que lhe perguntou o motivo da tristeza com a qual se apresentava.
- Então, a senhora não sabe, - explicou o Chico - tenho passado muita fome...
- Ora, você está reclamando muito, meu filho! - disse Dona Maria João de Deus - menino guloso tem sempre indigestão.
- Mas hoje bem que eu queria comer alguma coisa...
A mãezinha abraçou-o e recomendou:
- Continue no oração e espere um pouco.
O menino ficou repetindo as palavras do Pai Nosso e daí a instantes um grande cão da rua penetrou o quintal.
Aproximou-se dele e deixou cair da bocarra um objeto escuro.
Era um jatobá saboroso...
Chico recolheu, alegre, o pesado fruto, ao mesmo tempo que reviu a mãezinha no seu lado, acrescentando.
- Misture o jatobá com água e você terá um bom alimento.
E, despedindo-se da criança, acentuou:
- Como você observa, meu filho, quando oramos com fé viva até um cão pode nos ajudar, em nome do Jesus
Quando Dona Maria João do Deus desencarnou, em 29 de setembro do 1915, Chico Xavier, um de seus nove filhos, foi entregue aos cuidados de Dona Rita do Cássia, velha amiga e madrinha da criança.
Dona Rita, porém, era obsidiada e, por qualquer bagatela, se destemperava, irritadiça.
Assim é que o Chico passou a suportar, por dia, várias surras de vara de marmeleiro, recebendo, ainda, a penetração de pontas de garfos no ventre, porque a neurastênica e perversa senhora inventara esse estranho processo do torturar.
O garoto chorava muito, permanecendo, horas e horas, com os garfos dependurados na carne sanguinolenta e corria para o quintal, a fim de desabafar-se, porque a madrinha repetia, nervosa:
- Este menino tem a diabo no corpo.
Um dia, lembrou-se a criança de que sua Mãezinha orava sempre, todos os dias, ensinando-o a elevar o pensamento a Jesus e sentiu falta da prece que não encontrava em seu novo lar.
Ajoelhou-se sob velhas bananeiras e pronunciou as palavras do Pai Nosso que aprendera dos lábios maternais.
Quando terminou, oh! maravilha!
Sua progenitora, Dona Maria João de Deus, estava perfeitamente viva ao seu lado.
Chico, que ainda não lidara com as negações e dúvidas dos homens, nem por um instante pensou que a Mãezinha tivesse partido para as sombras da morte.
Abraçou-a, feliz; e gritou:
- Mamãe, não me deixe aqui... Carregue-me com a senhora...
- Não posso, - disse a entidade, triste.
- Estou apanhando muito, mamãe!
Dona Maria acariciou-o e explicou:
- Tenha paciência, meu filho. Você precisa crescer mais forte para o trabalho. E quem não sofre não aprende a lutar.
- Mas, - tornou a criança - minha madrinha diz que eu estou com o diabo no corpo...
- Que tem isso? Não se incomode. Tudo passa e se você não mais reclamar, se você tiver paciência, Jesus ajudará para que estejamos sempre juntos.
Em seguida, desapareceu.
O pequeno, aflito, chamou-a em vão.
Desde desse dia, no entanto, passou a receber o contacto de varas e garfos sem revolta e sem lágrimas.
- Chico é tão cínico - dizia Dona Rita, exasperada, que não chora, nem mesmo a pescoção.
Porque a criança explicasse ter a alegria de ver sua mãe, sempre que recebia as surras, sem chorar, o pessoal doméstico passou a dizer que ele era um "menino aluado".
E, diariamente, à tarde, com os vergões na pele e com o sangue a correr-lhe em pequeninos filetes do ventre o pequeno seguia, de olhos enxutos e brilhantes, para o quintal!, a fim de reencontrar a mãezinha querida, sob as velha árvores, vendo-a e ouvindo-a, depois da oração.
Assim começou a luta espiritual do médium extraordinário que conhecemos.
O valor da Oração
A madrinha do Chico, por vezes, passava tempos entregue a obsessão.
Assim é que, nessas fases, e exasperação dela era mais forte.
Em algumas ocasiões, por isso, condenava o menino a vários dias de fome.
Certa feita, já fazia três dias que a criança permanecia em completo jejum.
À tarde, na hora da prece, encontrou a mãezinha desencarnada que lhe perguntou o motivo da tristeza com a qual se apresentava.
- Então, a senhora não sabe, - explicou o Chico - tenho passado muita fome...
- Ora, você está reclamando muito, meu filho! - disse Dona Maria João de Deus - menino guloso tem sempre indigestão.
- Mas hoje bem que eu queria comer alguma coisa...
A mãezinha abraçou-o e recomendou:
- Continue no oração e espere um pouco.
O menino ficou repetindo as palavras do Pai Nosso e daí a instantes um grande cão da rua penetrou o quintal.
Aproximou-se dele e deixou cair da bocarra um objeto escuro.
Era um jatobá saboroso...
Chico recolheu, alegre, o pesado fruto, ao mesmo tempo que reviu a mãezinha no seu lado, acrescentando.
- Misture o jatobá com água e você terá um bom alimento.
E, despedindo-se da criança, acentuou:
- Como você observa, meu filho, quando oramos com fé viva até um cão pode nos ajudar, em nome do Jesus
O Anjo Bom
Dois anos do surras incessantes.
Dois anos vivera o Chico junto da madrinha.
Numa tarde muito fria, quando entrou em colóquio com Dona Maria João de Deus, Chico implorou:
- Mamãe, se a senhora vem nos ver, porque não me retira daqui?
o Espírito carinhoso afagou-o e perguntou:
Por que está você tão aflito? Tudo, no mundo, obedece a vontade de Deus...
- Mas a senhora sabe que nos faz muita falta...
A Mãezinha consolou-o e explicou:
- Não perca a paciência. Pedi a Jesus para enviar um anjo bom que tome conta de vocês todos.
E sempre que revia a progenitora, o menino indagava:
- Mamãe, quando é que a anjo chegará?
- Espere, meu filho! - era a resposta de sempre.
Decorridos dois meses, a Sr. João Cândido Xavier resolveu casar-se em segundas núpcias.
E Dona Cidália Batista, a segunda esposa, reclamou os filhos de Dona Maria João de Deus, que se achavam espalhados em casas diversas.
Foi assim que a nobre senhora mandou buscar também o Chico.
Quando a criança voltou ao antigo lar contemplou a madrasta que lhe estendia as mãos...
Dona Cidália abraçou-o e beijou-o com ternura a perguntou:
- Meu Deus, onde estava este menino com a barriga deste jeito?
Chico, encorajado com a carinho dela, abraçou-a também, como o pássaro que sentia saudades do ninho perdido.
A madrasta bondosa fitou-o bem nos olhos e indagou:
- Você sabe quem sou, meu filho?
- Sei sim. A senhora é o anjo bom de que minha mãe já falou...
E, desde então, entre as dois, brilhou a amor puro com que o Chico seguiu a segunda mãe, até a morte.
Gama, Ramiro. Da obra: Lindos Casos de Chico Xavier. Lake
Clique aqui para ler mais: http://www.forumespirita.net/fe
Numa tarde muito fria, quando entrou em colóquio com Dona Maria João de Deus, Chico implorou:
- Mamãe, se a senhora vem nos ver, porque não me retira daqui?
o Espírito carinhoso afagou-o e perguntou:
Por que está você tão aflito? Tudo, no mundo, obedece a vontade de Deus...
- Mas a senhora sabe que nos faz muita falta...
A Mãezinha consolou-o e explicou:
- Não perca a paciência. Pedi a Jesus para enviar um anjo bom que tome conta de vocês todos.
E sempre que revia a progenitora, o menino indagava:
- Mamãe, quando é que a anjo chegará?
- Espere, meu filho! - era a resposta de sempre.
Decorridos dois meses, a Sr. João Cândido Xavier resolveu casar-se em segundas núpcias.
E Dona Cidália Batista, a segunda esposa, reclamou os filhos de Dona Maria João de Deus, que se achavam espalhados em casas diversas.
Foi assim que a nobre senhora mandou buscar também o Chico.
Quando a criança voltou ao antigo lar contemplou a madrasta que lhe estendia as mãos...
Dona Cidália abraçou-o e beijou-o com ternura a perguntou:
- Meu Deus, onde estava este menino com a barriga deste jeito?
Chico, encorajado com a carinho dela, abraçou-a também, como o pássaro que sentia saudades do ninho perdido.
A madrasta bondosa fitou-o bem nos olhos e indagou:
- Você sabe quem sou, meu filho?
- Sei sim. A senhora é o anjo bom de que minha mãe já falou...
E, desde então, entre as dois, brilhou a amor puro com que o Chico seguiu a segunda mãe, até a morte.
Gama, Ramiro. Da obra: Lindos Casos de Chico Xavier. Lake
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Psicografia
Não, eu não queria ir, não queria deixar aquele corpo que por tanto tempo esteve comigo, não, segurei-me o quanto pude, mas não houve jeito, fui desligado dele contra minha vontade, ele já não servia mais, seus órgãos tinham deixado de funcionar, foi tão difícil para mim deixá-lo, mais difícil ainda ver-me ali do lado do meu corpo, como podia ser isto?
Chorava copiosamente, confuso, perdido, foi o último lampejo de consciência que tive. Devo ter dormido muito, muito tempo. Quando acordei estava no leito do que parecia ser um hospital, estava limpo e mais sereno, parecia que devagarzinho as lembranças começavam a voltar, agitei-me, uma senhora trajando branco aproximou-se de mim e com seu olhar bondoso e sua voz suave disse-me para não ter pressa, deu-me algo para beber e voltei a dormir. Num próximo momento vi-me num lar-escola onde convivia com jovens iguais a mim que tinham perdido a vida por inconseqüência, pelo envolvimento com as drogas que destruíram meu corpo e tanto mal fizeram ao meu espírito por sentir o quanto fui fraco deixando-me envolver pelo vício, por tanto ter feito sofrer a mãezinha querida, toda família, enfim.
A droga me tornou um ser egoísta e prepotente, me deu poderes que eu não tinha, iludiu-me com seus falsos prazeres, aniquilou minha vontade, ceifou-me do cumprimento das minhas provas. Falhei! Mas está feito, aprendi que Deus é Pai bom e justo, e terei uma nova chance de me redimir, de fazer tudo de novo de forma diferente.
A benção da reencarnação é a única saída para mim, em breve retornarei, sinto medo mas não posso desanimar, aprendi a acreditar em Deus, antes eu sequer a conhecia, estou certo de que ele me dará forças para conseguir fazer melhor numa próxima vez.
Sou grato pela oportunidade e peço que orem por mim, pela minha redenção.
Muito obrigado.
Felipe
E. E. Allan Kardec * Grupo EU SOU ESPÍRITA
Chorava copiosamente, confuso, perdido, foi o último lampejo de consciência que tive. Devo ter dormido muito, muito tempo. Quando acordei estava no leito do que parecia ser um hospital, estava limpo e mais sereno, parecia que devagarzinho as lembranças começavam a voltar, agitei-me, uma senhora trajando branco aproximou-se de mim e com seu olhar bondoso e sua voz suave disse-me para não ter pressa, deu-me algo para beber e voltei a dormir. Num próximo momento vi-me num lar-escola onde convivia com jovens iguais a mim que tinham perdido a vida por inconseqüência, pelo envolvimento com as drogas que destruíram meu corpo e tanto mal fizeram ao meu espírito por sentir o quanto fui fraco deixando-me envolver pelo vício, por tanto ter feito sofrer a mãezinha querida, toda família, enfim.
A droga me tornou um ser egoísta e prepotente, me deu poderes que eu não tinha, iludiu-me com seus falsos prazeres, aniquilou minha vontade, ceifou-me do cumprimento das minhas provas. Falhei! Mas está feito, aprendi que Deus é Pai bom e justo, e terei uma nova chance de me redimir, de fazer tudo de novo de forma diferente.
A benção da reencarnação é a única saída para mim, em breve retornarei, sinto medo mas não posso desanimar, aprendi a acreditar em Deus, antes eu sequer a conhecia, estou certo de que ele me dará forças para conseguir fazer melhor numa próxima vez.
Sou grato pela oportunidade e peço que orem por mim, pela minha redenção.
Muito obrigado.
Felipe
E. E. Allan Kardec * Grupo EU SOU ESPÍRITA
terça-feira, 16 de setembro de 2014
Unidos pelo Coração
Como é que as dores inconsoláveis dos que sobrevivem se refletem nos Espíritos que as causam?
O Espírito é sensível à lembrança e às saudades dos que lhe eram caros na Terra; mas, uma dor incessante e desarrazoada o toca penosamente, porque, nessa dor excessiva, ele vê falta de fé no futuro e de confiança em Deus e, por conseguinte, um obstáculo ao adiantamento dos que choram e talvez à sua reunião com estes.
Livro dos Espíritos, questão 936.
O homem se despe e entra no chuveiro.
Súbito a porta do banheiro é arrombada. Desconhecidos o agarram, vendam seus olhos e o amordaçam. Conduzido ao aeroporto, é embarcado num avião, em indesejável viagem para remota região, onde o deixam sem nenhuma explicação. Confuso e desorientado vagueia sem rumo.
Semelhante situação se assemelha a de Espíritos que retornam à Vida Espiritual abruptamente, “rapta¬dos” por um acidente, um ato de violência, uma síncope fulminante.
A extensão de suas perplexidades dependerá, evidentemente, de vários fatores, destacando-se os conhecimentos relacionados com o trânsito para o Além, a maturidade emocional e, sobretudo, a natureza de seu envolvimento com os interesses materiais. Neste particular, aplica-se perfeitamente a advertência de Jesus: “Onde estiver o teu tesouro, aí estará também o teu co¬ração” (Mateus 6, 21).
Aqueles que fazem da existência humana um fim em si, que de nada cogitam além dos seus negócios, apegados aos bens da Terra, terão imensas dificuldades de adaptação, se “raptados” para o continente espiritual. Um rico empresário, empolgado por suas atividades comerciais, sem espaço em seu coração para cogitações mais nobres, sentir-se-á dolorosamente lesado, como se lhe houvessem roubado até o último centavo.
Espíritos evoluídos, que fazem “poupança para o Além”, guardando seus tesouros nos bancos da sabedoria e da virtude, não têm dificuldade para enfrentar a grande transição, mesmo que ocorra inesperadamente.
Herculano Pires, notável escritor e jornalista espírita, é um exemplo marcante. Tendo sofrido um enfarte, foi imediatamente conduzido ao hospital. Enquanto os médicos o socorriam, iniciava-se uma reunião de estudos espíritas e prática mediúnica, na garagem de sua residência, que funcionava como pequeno centro espírita, frequentado por amigos e admiradores. A família resolve por bem não informar o grupo reunido, a fim de evitar tumulto no hospital.
No desdobramento dos trabalhos mediúnicos, para surpresa dos presentes, um Espírito informou o faleci¬mento de Herculano. Em seguida ele próprio se manifesta¬va para suas despedidas, em mensagem psicografada, em que dizia:
Família querida,
Vivendo contigo dias felizes e amenos, na
[experiência do lar prossegue a vida.
Coragem e otimismo, não quero pompas nem velas,
Apenas a simplicidade do professor do interior
[em metrópole de céus e estrelas...
Sustenta em apoio vibratório a casa,
Ampara o livro da codificação,
E eu, em espírito ou memória, ao lado dos
[amigos espirituais contigo sempre estarei,
No apostolado de pregar e servir a Doutrina dos
[Espíritos, com o Mestre de Lion.
Virgínia querida, mais esposa do que esposo fui,
Já não tem falar, nem riso, não mais o poeta.
Mas que semblante triste o teu! Volte ao que era,
Como o tempo na casa velha,
Tudo é vida, das noites de rima, doutrina e cozinha,
Lar, amigos,
Não é confusão, é nova sensação,
A de viver, sentir que já não sou corpo,
Mas alma, até que enfim!
Desculpe, sou espírito de verdade,
Amparado em novas luzes,
A minha, a nossa luzinha, que ajudaste a construir...
No momento adeus, menos choro e mais café!
Se há dificuldade de captar a escrita,
Imagine a de despertar aqui,
Para dizer aos meus da sobrevivência da alma!
Muita paz em Jesus.
Somente depois do encerramento da reunião chegou à notícia do falecimento. Ficou-se sabendo que Herculano costumava escrever poesias dirigidas aos familiares em ocasiões especiais. E assim procedeu novamente, em data muito significativa ─ a de sua própria desencarnação! Identificamo-lo perfeitamente nas ideias e ex¬pressões usadas, particularmente ao solicitar aos familiares que trabalhem em favor da obra de Allan Kardec, o “Mestre de Lion”, como ele o fez, por supremo ideal de sua existência.
A manifestação de Herculano Pires, momentos após o seu falecimento, é um atestado eloquente de imortalidade, uma demonstração de como o Espírito esclarecido e consciente pode superar de imediato o trauma da morte repentina, mas é, inegavelmente, uma ex¬ceção.
Por isso, o melhor mesmo é “morrer na cama”, em doença de longo curso, que nos prepara compulsivamente, induzindo-nos à oração, à superação das ilusões, à procura da religião, ao desapego das humanas paixões, à disposição de cultivar valores espirituais. A transferência, então, efetua-se de forma mais branda. Não nos sen¬timos “raptados”. Podemos até ensaiar despedidas, se formos capazes de “encarar” a morte.
Em mortes “à vista” ou “a prazo”, muita gente parte despreparada; muita gente fica inconformada, originando dois problemas:
No primeiro, o “morto” perturba os “vivos”.
Se o desencarnante encontra dificuldades para definir seu novo estado; se o afligem impressões relaciona¬das com o tipo de morte que sofreu; se ele está confuso e atribulado, há uma tendência natural para procurar aqueles aos quais está ligado pelos laços do coração, que constituem parte de seu “tesouro”.
Aproxima-se deles para pedir socorro, para reclamar atenção, para expor suas angústias e perplexidades.
Estabelecida a sintonia entre o desencarnado e seus afetos, surge o que poderíamos definir como uma obsessão pacífica, já que não há nenhuma intenção maldosa do “obsessor”. Ele apenas quer ajuda, como alguém que, prestes a morrer afogado, agarra-se desesperadamente ao companheiro que está mais próximo.
Semelhante envolvimento impõe penosas impressões àqueles que o sofrem, mas não há grandes dificuldades para ser superado. A simples frequência ao Centro Espírita vale por uma desobsessão, porquanto o desencarnado tende a acompanhá-los, colhendo os benefícios do ambiente e das palestras, que o esclarecem e preparam para a ajuda mais efetiva dos mentores espirituais.
E há o problema dos “vivos” que perturbam os “mortos”.
Particularmente nas mortes repentinas, se os familiares não têm nenhuma noção a respeito do assunto, tendem a cultivar ideias negativas, em insistente questionamento íntimo. E revivem interminavelmente as circunstâncias do desencarne, envolvendo um carro destroçado, um incêndio devorador, um afogamento trágico, um tiro fatal...
Quando o desencarnante tem certa maturidade espiritual, superando o trauma do trágico retorno à Vida Espiritual, consegue neutralizar as vibrações de angústia e desespero dos familiares, embora lhe sejam penosas.
Se, entretanto, como ocorre com frequência, o re¬torno inesperado lhe impõe perplexidades e dúvidas, o desajuste dos familiares recrudesce suas reminiscências dolorosas relacionadas com as circunstâncias de sua morte, como quem vive um pesadelo que se repete indefinidamente.
Ao se manifestarem em reuniões mediúnicas, estes atribulados companheiros imploram aos entes queridos uma trégua em suas amargas cogitações íntimas. Não de¬sejam ser esquecidos, mas que deixe de jorrar a fonte de inconsoláveis e torturantes lembranças. Que não os imaginem queimados, destroçados, afogados, desintegra¬dos, mas vivos, num outro corpo, numa outra dimensão.
Insistindo para que mudem suas disposições e re¬tornem à normalidade, sugerem aos familiares que se disponham a trabalhar em favor dos semelhantes, integrando-se nos serviços da fraternidade humana.
O falecimento de um afeto caro ao nosso coração se assemelha a uma amputação psicológica. É como se arrancassem parte de nós mesmos, ficando um imenso vazio onde, se não tivermos cuidado, proliferam facilmente os miasmas do desajuste e da perturbação.
O esforço do Bem ajuda-nos a preencher adequada¬mente esse vazio, operando prodígios de refazimento em favor de nossa saúde e bem-estar, harmonizando-nos com a existência.
Obras notáveis de caridade e promoção humana têm nascido em situações dessa natureza, quando pessoas atormentadas pelo falecimento de alguém muito querido, dedicam suas vidas à sementeira do Bem, colhendo consolo e alento no empenho de servir.
A saudade sempre fica, mas sem amarguras, sem dores inconsoláveis, uma saudade suave, como a notícia feliz de um afeto que não se extingue jamais, assegurando-lhes, no recôndito da alma, que seus amados estão presentes no seu dia-a-dia, no trabalho edificante que executam, nas lágrimas que enxugam, nas bênçãos que distribuem. Embora habitando mundos paralelos, permanecem unidos pelo coração.
Por Richard Simonetti
Contato: richardsimonetti@gmail.com
O Espírito é sensível à lembrança e às saudades dos que lhe eram caros na Terra; mas, uma dor incessante e desarrazoada o toca penosamente, porque, nessa dor excessiva, ele vê falta de fé no futuro e de confiança em Deus e, por conseguinte, um obstáculo ao adiantamento dos que choram e talvez à sua reunião com estes.
Livro dos Espíritos, questão 936.
O homem se despe e entra no chuveiro.
Súbito a porta do banheiro é arrombada. Desconhecidos o agarram, vendam seus olhos e o amordaçam. Conduzido ao aeroporto, é embarcado num avião, em indesejável viagem para remota região, onde o deixam sem nenhuma explicação. Confuso e desorientado vagueia sem rumo.
Semelhante situação se assemelha a de Espíritos que retornam à Vida Espiritual abruptamente, “rapta¬dos” por um acidente, um ato de violência, uma síncope fulminante.
A extensão de suas perplexidades dependerá, evidentemente, de vários fatores, destacando-se os conhecimentos relacionados com o trânsito para o Além, a maturidade emocional e, sobretudo, a natureza de seu envolvimento com os interesses materiais. Neste particular, aplica-se perfeitamente a advertência de Jesus: “Onde estiver o teu tesouro, aí estará também o teu co¬ração” (Mateus 6, 21).
Aqueles que fazem da existência humana um fim em si, que de nada cogitam além dos seus negócios, apegados aos bens da Terra, terão imensas dificuldades de adaptação, se “raptados” para o continente espiritual. Um rico empresário, empolgado por suas atividades comerciais, sem espaço em seu coração para cogitações mais nobres, sentir-se-á dolorosamente lesado, como se lhe houvessem roubado até o último centavo.
Espíritos evoluídos, que fazem “poupança para o Além”, guardando seus tesouros nos bancos da sabedoria e da virtude, não têm dificuldade para enfrentar a grande transição, mesmo que ocorra inesperadamente.
Herculano Pires, notável escritor e jornalista espírita, é um exemplo marcante. Tendo sofrido um enfarte, foi imediatamente conduzido ao hospital. Enquanto os médicos o socorriam, iniciava-se uma reunião de estudos espíritas e prática mediúnica, na garagem de sua residência, que funcionava como pequeno centro espírita, frequentado por amigos e admiradores. A família resolve por bem não informar o grupo reunido, a fim de evitar tumulto no hospital.
No desdobramento dos trabalhos mediúnicos, para surpresa dos presentes, um Espírito informou o faleci¬mento de Herculano. Em seguida ele próprio se manifesta¬va para suas despedidas, em mensagem psicografada, em que dizia:
Família querida,
Vivendo contigo dias felizes e amenos, na
[experiência do lar prossegue a vida.
Coragem e otimismo, não quero pompas nem velas,
Apenas a simplicidade do professor do interior
[em metrópole de céus e estrelas...
Sustenta em apoio vibratório a casa,
Ampara o livro da codificação,
E eu, em espírito ou memória, ao lado dos
[amigos espirituais contigo sempre estarei,
No apostolado de pregar e servir a Doutrina dos
[Espíritos, com o Mestre de Lion.
Virgínia querida, mais esposa do que esposo fui,
Já não tem falar, nem riso, não mais o poeta.
Mas que semblante triste o teu! Volte ao que era,
Como o tempo na casa velha,
Tudo é vida, das noites de rima, doutrina e cozinha,
Lar, amigos,
Não é confusão, é nova sensação,
A de viver, sentir que já não sou corpo,
Mas alma, até que enfim!
Desculpe, sou espírito de verdade,
Amparado em novas luzes,
A minha, a nossa luzinha, que ajudaste a construir...
No momento adeus, menos choro e mais café!
Se há dificuldade de captar a escrita,
Imagine a de despertar aqui,
Para dizer aos meus da sobrevivência da alma!
Muita paz em Jesus.
Somente depois do encerramento da reunião chegou à notícia do falecimento. Ficou-se sabendo que Herculano costumava escrever poesias dirigidas aos familiares em ocasiões especiais. E assim procedeu novamente, em data muito significativa ─ a de sua própria desencarnação! Identificamo-lo perfeitamente nas ideias e ex¬pressões usadas, particularmente ao solicitar aos familiares que trabalhem em favor da obra de Allan Kardec, o “Mestre de Lion”, como ele o fez, por supremo ideal de sua existência.
A manifestação de Herculano Pires, momentos após o seu falecimento, é um atestado eloquente de imortalidade, uma demonstração de como o Espírito esclarecido e consciente pode superar de imediato o trauma da morte repentina, mas é, inegavelmente, uma ex¬ceção.
Por isso, o melhor mesmo é “morrer na cama”, em doença de longo curso, que nos prepara compulsivamente, induzindo-nos à oração, à superação das ilusões, à procura da religião, ao desapego das humanas paixões, à disposição de cultivar valores espirituais. A transferência, então, efetua-se de forma mais branda. Não nos sen¬timos “raptados”. Podemos até ensaiar despedidas, se formos capazes de “encarar” a morte.
Em mortes “à vista” ou “a prazo”, muita gente parte despreparada; muita gente fica inconformada, originando dois problemas:
No primeiro, o “morto” perturba os “vivos”.
Se o desencarnante encontra dificuldades para definir seu novo estado; se o afligem impressões relaciona¬das com o tipo de morte que sofreu; se ele está confuso e atribulado, há uma tendência natural para procurar aqueles aos quais está ligado pelos laços do coração, que constituem parte de seu “tesouro”.
Aproxima-se deles para pedir socorro, para reclamar atenção, para expor suas angústias e perplexidades.
Estabelecida a sintonia entre o desencarnado e seus afetos, surge o que poderíamos definir como uma obsessão pacífica, já que não há nenhuma intenção maldosa do “obsessor”. Ele apenas quer ajuda, como alguém que, prestes a morrer afogado, agarra-se desesperadamente ao companheiro que está mais próximo.
Semelhante envolvimento impõe penosas impressões àqueles que o sofrem, mas não há grandes dificuldades para ser superado. A simples frequência ao Centro Espírita vale por uma desobsessão, porquanto o desencarnado tende a acompanhá-los, colhendo os benefícios do ambiente e das palestras, que o esclarecem e preparam para a ajuda mais efetiva dos mentores espirituais.
E há o problema dos “vivos” que perturbam os “mortos”.
Particularmente nas mortes repentinas, se os familiares não têm nenhuma noção a respeito do assunto, tendem a cultivar ideias negativas, em insistente questionamento íntimo. E revivem interminavelmente as circunstâncias do desencarne, envolvendo um carro destroçado, um incêndio devorador, um afogamento trágico, um tiro fatal...
Quando o desencarnante tem certa maturidade espiritual, superando o trauma do trágico retorno à Vida Espiritual, consegue neutralizar as vibrações de angústia e desespero dos familiares, embora lhe sejam penosas.
Se, entretanto, como ocorre com frequência, o re¬torno inesperado lhe impõe perplexidades e dúvidas, o desajuste dos familiares recrudesce suas reminiscências dolorosas relacionadas com as circunstâncias de sua morte, como quem vive um pesadelo que se repete indefinidamente.
Ao se manifestarem em reuniões mediúnicas, estes atribulados companheiros imploram aos entes queridos uma trégua em suas amargas cogitações íntimas. Não de¬sejam ser esquecidos, mas que deixe de jorrar a fonte de inconsoláveis e torturantes lembranças. Que não os imaginem queimados, destroçados, afogados, desintegra¬dos, mas vivos, num outro corpo, numa outra dimensão.
Insistindo para que mudem suas disposições e re¬tornem à normalidade, sugerem aos familiares que se disponham a trabalhar em favor dos semelhantes, integrando-se nos serviços da fraternidade humana.
O falecimento de um afeto caro ao nosso coração se assemelha a uma amputação psicológica. É como se arrancassem parte de nós mesmos, ficando um imenso vazio onde, se não tivermos cuidado, proliferam facilmente os miasmas do desajuste e da perturbação.
O esforço do Bem ajuda-nos a preencher adequada¬mente esse vazio, operando prodígios de refazimento em favor de nossa saúde e bem-estar, harmonizando-nos com a existência.
Obras notáveis de caridade e promoção humana têm nascido em situações dessa natureza, quando pessoas atormentadas pelo falecimento de alguém muito querido, dedicam suas vidas à sementeira do Bem, colhendo consolo e alento no empenho de servir.
A saudade sempre fica, mas sem amarguras, sem dores inconsoláveis, uma saudade suave, como a notícia feliz de um afeto que não se extingue jamais, assegurando-lhes, no recôndito da alma, que seus amados estão presentes no seu dia-a-dia, no trabalho edificante que executam, nas lágrimas que enxugam, nas bênçãos que distribuem. Embora habitando mundos paralelos, permanecem unidos pelo coração.
Por Richard Simonetti
Contato: richardsimonetti@gmail.com
segunda-feira, 15 de setembro de 2014
Saudade
A saudade não pode ser transformada em sentimento de dor. Saudade é a lembrança de pessoas ou momentos que guardam na memória carinho, alegria e felicidade.
Não transformem momentos inesquecíveis em dor sem fim, não sofram por se separarem de alguém que muito amara. Agradeçam a Deus pela possibilidade de estarem juntos em um período da encarnação, não julguem se foi um período pequeno ou incompleto, tudo está de acordo com a vontade de Nosso Pai e as necessidades de cada um.
O sentimento de remorso, esse sim, machuca e faz sofrer, causando dor naqueles que carregam consigo esse sentimento.
Façam de tudo para não criarem esse triste sentimento. Vigiem os pensamentos e atitudes, para que no futuro não sofram com o remorso da própria culpa.
Que a fé na eternidade diminua a dor da saudade que alguns sofrem. Confiem que a separação é muito relativa, pois a presença dos desencarnados é constante entre vocês, assim como a presença de vocês no plano espiritual.
Agradeçam a Deus as boas lembranças e não lamentem, tudo tem a sua razão para acontecer, e com a mesma naturalidade chega ao fim.
Que Deus ilumine a todos. Fiquem em paz.
De um amigo aos amigos da Francisco de Assis
Mensagem recebida pelo Grupo de Estudos da Psicografia da Sociedade Espírita Francisco de Assis
Não transformem momentos inesquecíveis em dor sem fim, não sofram por se separarem de alguém que muito amara. Agradeçam a Deus pela possibilidade de estarem juntos em um período da encarnação, não julguem se foi um período pequeno ou incompleto, tudo está de acordo com a vontade de Nosso Pai e as necessidades de cada um.
O sentimento de remorso, esse sim, machuca e faz sofrer, causando dor naqueles que carregam consigo esse sentimento.
Façam de tudo para não criarem esse triste sentimento. Vigiem os pensamentos e atitudes, para que no futuro não sofram com o remorso da própria culpa.
Que a fé na eternidade diminua a dor da saudade que alguns sofrem. Confiem que a separação é muito relativa, pois a presença dos desencarnados é constante entre vocês, assim como a presença de vocês no plano espiritual.
Agradeçam a Deus as boas lembranças e não lamentem, tudo tem a sua razão para acontecer, e com a mesma naturalidade chega ao fim.
Que Deus ilumine a todos. Fiquem em paz.
De um amigo aos amigos da Francisco de Assis
Mensagem recebida pelo Grupo de Estudos da Psicografia da Sociedade Espírita Francisco de Assis
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