quinta-feira, 14 de abril de 2016

E quando os outros nos adoencem?

"Mauricio, e quando o sofrimento leva às doenças?
Pessoas desprendidas e generosas por vezes são vítimas daquelas que lhes impõe sofrimentos que resultam em doenças graves. Acho até que isso ocorre com grande frequência. Além disso, o próprio sofrimento e temor impostos pelo mundo . Medo da violência, stress pela sobrevivência que não está fácil e outros temores que enfrentamos, especialmente, nos grandes centros urbanos. Eu tive câncer de mama e, de fato, foi uma grande experiência para mim. Quando lembro daqueles momentos vejo com clareza que a vida e algumas pessoas me adoeceram.” (Izabel Maiza Viana)

É como eu disse no texto: as emoções desequilibradas também são a causa das doenças. O medo, a angústia, o stress, a ansiedade, o sentimento de impotência, a mágoa, a ingratidão, dentre tantas pressões psicológicas que o ser humano enfrenta resulta em doenças físicas, mesmo que essas pessoas sejam muito boas ou desprendidas. Mas há algo importantíssimo a dizer: ninguém é vítima. É preciso uma boa dose de humildade para reconhecer que, até quando as pessoas nos impõe sofrimento, fomos nós, com nossa forma de ser que as atraímos. Outra coisa importante: a maneira como as pessoas interpretam o que os outros fazem, a maneira como encaram o próprio sofrimento que os outros impõe é importantíssimo na saúde física e mental. Há quem encare com mais força, enfrente e vença. Há quem veja os outros como seres doentes e por isso procuram se trabalhar para não sofrerem com o que eles fazem, ou sofrer o mínimo possível. Há também aqueles que não se sentem obrigados a ficar na situação e joga tudo pro alto conservando a saúde. Uma pessoa quando causa sofrimento à outra, embora pareça, não é gratuito, é nossa alma que atrai para que possamos vencer. E cada um é testado pelos outros nos seus pontos fracos: o vaidoso atrairá humilhações, o passivo pessoas autoritárias, o orgulhoso gente que vai pisar em seus sentimentos, o ingênuo pessoas que o enganarão, o excessivamente bom pessoas que irão abusar disso. A pessoa pode ser muito boa e desprendida, mas, exceto os grandes missionários, todos ainda tem muitos defeitos dentro de si, embora ajam com bondade e desprendimento material. Contudo, só uma boa dose de humildade para admitir que nós fazemos nossa vida em todos os instantes. Uma pessoa que não precise passar por determinado sofrimento psicológico não passará porque a Lei de Deus é justa. Você adoeceu por causa de algumas pessoas, ou se deixou adoecer por causa delas? Será que se tivesse reagido de outra forma teria mesmo adoecido? É uma boa pergunta para se fazer. Abraço!

Por Mauricio de Castro- escritor e médium

quarta-feira, 13 de abril de 2016

Crônicas Espíritas

Hoje relatarei mais uma história obtida no trabalho mediúnico. São tantos os depoimentos importantes que sinto dificuldade em selecioná-los para compartilhar com vocês, caros leitores.

Trabalhávamos uma ficha e, enquanto a médium vibrava, percebi um ambiente familiar em completa desarmonia. Estabelecida a conexão com este espírito em particular, senti sua presença irradiando revolta e ódio. Hesitou, a princípio, em iniciar alguma conversação, contudo, envolvido numa psicosfera de calma e acolhimento, respirou um pouco e acabou por dialogar comigo.
Relatou que não entendia o que fazíamos ali, querendo proteger uma casa daquelas, cujo responsável era um criminoso. Disse que foi trazido “à força”, mas que voltaria para acabar seu trabalho, tarefa que exigiu sua dedicação por longos anos, e que iria terminar a despeito da nossa interferência, e esse era seu único objetivo.
Falou que estava já há algum tempo nos observando e que essa atitude de proteger a bandidos era hipócrita, pois falávamos em justiça e não a praticávamos, porque ele estava ali para fazer justiça e vingar a sua própria família, com nós querendo impedi-lo. Dizia que queria acabar com a vida do senhor que obsidiava, dificultando sua respiração, e que ele, ao morrer sufocado, iria pagar e daí seu serviço teria fim.
Esclareci-lhe que desconhecia esta família e que não sabia o tinha acontecido. Era com ele que conversava e queria ouvir sua história. Ficou surpreso com a última colocação, e me contou que era um trabalhador que labutava muitas horas para tirar o sustento da sua família, e, mesmo assim, só conseguiu uma casa muito simples, mas que não tinha vergonha dela.
Nesse momento visualizei na minha tela mental um bairro pobre, semelhante a uma favela horizontal, muito populoso e em seguida muitas chamas.
O Espírito prosseguiu contando que num determinado dia, “de ruína”, houve um incêndio à noite, e sua casinha foi destruída, mas que, o pior, sua mulher e sua filha faleceram com a fumaça. Ele disse: - Me senti morto naquele dia, acabado!
Não sei se sua morte física ocorreu ali, mas certamente foi essa uma ocasião nefasta na sua trajetória.
Decidiu-se por vingar-se do responsável, como único objetivo e dizia: - Eu já estou morto mesmo, então vou matar a ele, já perdi tudo e esta é a única coisa que me faz lutar.
Observo aí uma das muitas incoerências humanas ao dizer estar “morto” ao tempo em que está falando comigo, e sente a si mesmo nas ações que pratica.
Descobriu que um rico grileiro queria as terras do bairro para lotear e mandou atearem fogo no local. Muitas vidas tiveram seu fim trágico naquela madrugada.
Nesse momento entendi sua revolta e disse-lhe que me solidarizava com sua indignação, contudo falei que precisava lembrar-se das pessoas que amou. Ele retrucou dizendo que faria justiça por elas, e que queria acabar com a vida do senhor que perseguia, dificultando sua respiração, e que ele, ao morrer sufocado, iria pagar e daí seu serviço seria terminado, e que ele mesmo teria um fim.
Ele parou um pouco e senti uma mudança na sua psicosfera, as lembranças da esposa e filha amadas vieram à tona como saudade e tristeza profundas. Tocado na alma, estava em claro conflito interior.
Como de alguma maneira achava que fazia justiça, ainda que truncada, disse que se saísse de lá (casa do obsidiado), ele ficaria livre, o que não seria justo.
Pedi-lhe para limpar seus olhos, ao que aquiesceu e daí que olhasse com calma o ambiente da casa onde estava. Ele ficou surpreso pois haviam muitos espíritos com raiva, destilando ódio no ambiente.
Pude falar-lhe que a vida não acaba com o desencarne, como ele mesmo percebeu, e que não há um fim como ele imaginou.
Pergunto-lhe se é mais importante um reencontro com as amadas ou a permanência no ódio, no desequilíbrio.
Visualizei a aproximação de ambas na minha tela mental.
Disse-lhe que poderia encontrar com elas se essa fosse sua real vontade, e que era sua a escolha de seguir com sua família ou permanecer na revolta. O que era realmente importante para ele?
Seu pensamento se voltou para a companheira amada e mergulhou nas boas lembranças da família. A saudade o fez chorar, e Misericórdia Divina entra em ação. Ele viu a ambas, longe, como vultos e me pergunta se são elas. Disse-lhe que poderia ir encontra-las e que havia muito o que aprender. Ele me agradece e parte, com inúmeras dúvidas, mas principalmente com Esperança.
Encerramos o atendimento muito emocionadas, a médium e eu, agradecidas ao Pai-Mãe de Misericórdia que a todos ampara.

Muita paz para todos nós.
Francesca Freitas

14-09-2015
Leia mais: http://www.cacef.info/news/cronicas-espiritas-

quinta-feira, 31 de março de 2016

Retorno à Barbárie

1 – O aedes aegypty tem causado grandes transtornos para a Humanidade, vetor de doenças como o dengue, a febre amarela e agora a febre zika e a chikungunya. Como explicar tantos males?
Uma senhora perguntava por que Deus fez um inseto repugnante como a barata. O marido respondeu, bem-humorado, que seria, talvez, para ela cuidar melhor da higiene na cozinha. O aedes bem pode estar enquadrado nesse objetivo – estimular-nos a cuidar da limpeza urbana.

2 – O Criador está usando vara de marmelo para nos educar?
Até que seria bom. Na verdade, Deus nos concede o dom de viver. As condições e a qualidade de vida dependem de nós. Deus faz o mato crescer, organizando as disposições da Natureza. Se o mato invade nossa casa, a responsabilidade é inteiramente nossa.

3 – Os males provocados pelo aedes não seriam, portanto, do tipo “cavaleiros do apocalipse”?
De forma alguma. Basta lembrar que ele prospera apenas em países de clima quente. Seria um apocalipse circunscrito, não universal? Países de clima frio aprontam até mais. Basta lembrar as duas guerras mundiais, autênticas hecatombes que mataram perto de setenta milhões de pessoas. Assim considerando, os europeus seriam muito mais merecedores dos problemas gerados pelo impertinente inseto.

4 – Como ficam os Espíritos que contraem, no ventre materno, a microcefalia, em virtude de uma proliferação do inseto na região em que nascem? Seria esse o seu carma? Seria a infestação um agente do destino para que tivessem tão grave problema?
Nem sempre as contingências humanas surgem como instrumentos para realização de um carma. Se assim fosse, deveríamos cruzar os braços e deixar o aedes picar à vontade as gestantes, admitindo que seriam afetados apenas os reencarnantes que devessem enfrentar esse problema.

5 – Não é assustador imaginar que um filho possa contrair a microcefalia não por imposição cármica, mas por mera desídia humana?
Precisamos superar a ideia de que todas as ocorrências funestas que afetam as criaturas humanas são cármicas. Carma é viver na Terra, onde tudo pode nos acontecer, se não tivermos cuidado com nossa vida, dispondo-nos a cultivar a mansidão das pombas e a prudência das serpentes, como ensinava Jesus. Não obstante, recordemos que, em última instância, todos males trabalham pelo bem, agitando a consciência humana em favor de sua renovação.

6 – No cultivo dessa prudência, é razoável que as mulheres adiem a maternidade, como está acontecendo, até que o mosquito seja controlado ou tenhamos uma vacina contra os males que produz?
Essa é uma questão de foro íntimo. Se a mulher reside em região infestada e não se sente segura com relação ao assunto, submetendo-se a tensões e angústias que poderão prejudicar a própria gestação, será conveniente adiar, como tem sido recomendado pelos médicos.

7 – E no caso de ocorrer uma gravidez não planejada, pode-se cogitar do aborto terapêutico, sugerido por muitos médicos, evitando possíveis complicações provocadas pela picada do aedes?
Aí seria trocar a possibilidade de um mal menor pela certeza de um mal maior que é o aborto, um crime de lesa-humanidade, como destacam todas as religiões, particularmente o Espiritismo, que nos oferece uma visão muito objetiva de suas lamentáveis consequências.

8 – E se exames durante a gestação detectarem o zika vírus no feto, até mesmo um início de microcefalia, não será prudente o aborto?
A posição espírita está bem clara nas questão 359, de O Livro dos Espíritos. Aborto só quando houver risco de vida para a gestante. Além do mais, a presença desse vírus no feto não significa que vá instalar-se a microcefalia. Ainda que isso ocorra, há tratamentos e cirurgias que permitem ao nenê ter um desenvolvimento normal. Pretender simplesmente o sacrifício da criança afetada é nos igualarmos aos nazistas, que eliminavam deficientes físicos e mentais sem nenhuma preocupação de caráter moral. Esse tipo de comportamento nos reconduz à barbárie.

Richard Simonetti
richardsimonetti@uol.com.br

segunda-feira, 28 de março de 2016

Quem vai para o Umbral

O umbral é uma região de sofrimentos que fica no espaço astral da Terra, especificamente em torno de todo o planeta. O umbral se formou a partir do desencarne de espíritos com baixa vibração e carregados de culpas pelos erros cometidos durante a passagem na Terra.
Por terem pensamentos carregados de amargura, ódio, mágoa, vingança, raiva e culpa, ao desencarnar esses espíritos foram de agrupando no espaço, cada grupo reunidos por afinidade e, sem mesmo saber como, foram criando o ambiente em volta.
As emanações mentais desses espíritos criaram um ambiente onde a luz do sol não entra ou quando entra é muito pálida, a superfície apresenta um solo pobre e de vegetação rasteira, foram aparecendo rios de águas fétidas, charcos, grotas por onde escorrem lama e, atraídos por esses pensamentos, animais de todos os tipos que ainda vibram em condições bastante primitivas, tais como aves de rapina enormes, aranhas gigantescas, insetos variados e cobras perigosas. No umbral também há cidades, construções grotescas e mal acabadas, sujeira, mal cheiro e odores pútridos.
É claro que esse ambiente é o resultado das mentes que ali habitam e não foi criado por Deus para punir os culpados, foi criado pelos próprios espíritos para se punirem mutuamente e a si mesmos.
Há lugares no Umbral que chega a ser pior do que as mais aterradoras imagens do inferno que as pessoas já imaginaram. É no Umbral que fica a Falange dos Justiceiros, A Legião dos Magos Negros, o Vale do Amor Livre, a Cidade Perversa, O Vale dos Suicidas, o Abismo e também a Legião dos Dragões de Cristo, essa última composta de espíritos altamente malignos e inferiores que estão se infiltrando no seio das religiões e doutrinas para deturpá-las e levar seus membros à queda.
Só vai para o Umbral depois da morte as pessoas carregadas de culpas, que não se perdoaram pelo que fizeram e aquelas que morrem com baixa vibração e baixa moral.
Não podemos apontar quem vai para lá porque não podemos julgar e não sabemos o que vai no íntimo de cada um. Quanto a nós, podemos fazer uma avaliação mais segura. Como anda nossa conduta no sentido do bem? Estamos sendo bons, íntegros, caridosos e honestos? Depois da morte não conta os títulos acadêmicos, as aparências, a posição social, a vida exterior. Só nossa bondade, boa vontade, humildade e sinceridade é que vão nos conduzir a um bom lugar. Nesse sentido reflita e se pergunte: Se eu morresse hoje para onde eu iria?

Por Mauricio de Castro-escritor e médium

quinta-feira, 24 de março de 2016

Suicidio:O que acontece quando alguém se mata?

Diante de um grave problema muitos são os que optam pelo suicídio. A pessoa, sem fé e iludida pelo materialismo, acredita que não há mais solução para sua vida e, para não viver com tanta dor, escolhe morrer. A decisão é tão radical que ela não pensa em como vão ficar todos aqueles que serão atingidos pelo seu ato, em como irá provocar dor naqueles que a amam e querem seu bem. Para ela, só importa por fim ao seu sofrimento. Embora nem todos se matem por um problema específico, porque também há aqueles que tiram a própria vida por causa de uma depressão devastadora, o resultado é o mesmo.
O suicida tem uma grande surpresa ao descobrir que continua vivo, apesar de ter matado seu corpo. Ele entra no mundo espiritual com um baixíssimo padrão energético e vai se ver rodeado de espíritos que fizeram o mesmo que ele. No mundo espiritual todos os nossos sentimentos são ampliados e tomam uma dimensão gigantesca. Dessa forma a tristeza, a depressão, a desilusão, a frustração, a perda, o sentimento de impotência e todos os outros que levaram a pessoa a se matar prosseguirão com ela, mas agora com muito mais intensidade.
Em meio às trevas, rodeados de criaturas que cometeram o mesmo erro, aos poucos irão tentando encontrar o equilíbrio perdido e assim, quando for oportuno serão socorridos pelos espíritos de luz e levados a colônias onde ficarão por um tempo, até que voltem a reencarnar.
O suicida irá precisar reencarnar em um corpo cheio de problemas de saúde e até, conforme o caso, num corpo todo deformado, tendo poucos anos de vida. Depois disso, quando o equilíbrio do perispírito estiver restabelecido, irá renascer num corpo normal, e ao chegar o momento, terá que enfrentar os mesmos problemas que teve quando optou pelo suicídio a fim de vencê-los dessa vez. Se repetir o ato seu estado será pior.
Mesmo que o suicida reencarnado consiga vencer a prova, por ter tirado a própria vida no passado, na vida atual viverá imerso em estranha e por vezes profunda melancolia. O mundo lhe parecerá sem colorido e a vida tediosa e amarga. Será preciso muita ajuda espiritual, psicológica e psiquiátrica, com auxílio de medicação entorpecente, para conseguir superar a tristeza que o acompanha quase sem cessar.
Alguns suicidas, principalmente aqueles que se matam por causa de falência financeira ou qualquer outra causa puramente material, ficam presos dentro do corpo, percebe quando o caixão baixa a sepultura ou entra no crematório e acompanham todo o processo de decomposição da matéria de seu corpo físico.
É um sofrimento tão grande que só pode ser aliviado com as orações constantes daqueles que ficaram, orações que devem ser feitas com muito amor e intensidade, sem jamais julgá-lo por seu ato.
Se você, seja pelo que for, está pensando em suicídio, desista enquanto é tempo. Você está iludido achando que seus problemas não tem solução, mas não existe problema sem solução, já que Deus é sempre justo e nunca erra.
Busque ajuda, faça o que for possível, mas não tire sua própria vida, pois não compensa, não vai resolver nada e sua dor seguirá com você, multiplicada, para onde você for.
Pense nisso!
Por Maurício de Castro- escritor e médium

sábado, 19 de março de 2016

Caminhos da Paz

Dizem que um homem de fé se aproximou de Jesus e indagou, após externar-se em manifestações de júbilo e reverência:
- Senhor, onde o caminho da paz? que fazer de meu filho que me arrasa a tranquilidade, atolado na rebeldia?
- Abençoá-lo-ás sempre - respondeu o Divino Mestre - procurando socorrê-lo com mais amor.
- E como agir, à frente de meu tio, aquele que me furtou a herança dos avós?
- Buscarás perdoá-lo, usando compaixão e esquecimento.
- E meu antigo sócio? de que modo proceder com esse homem que tanto me prejudicou e injuriou?
- Desculpa-lo-ás, orando em favor dele.
- Tenho quatro empregados ignorantes...
De que maneira harmonizar-me com esses companheiros problemas, se me afligem com as maiores dificuldades, dia por dia?
- Saberás instruí-los.
- Minha existência está repleta de perseguidores... Que fazer com essa gente cruel?
- Esquecerás qualquer agravo e auxiliarás em benefício de cada um, tanto quanto puderes.
O devoto baixou a cabeça, sentindo-se na presença da verdade, e considerou timidamente:
- Senhor, estou satisfeito.
Conta-se que Jesus afagou-lhe a cabeça dolorida e rematou, ao despedir-se:
- Então, vai, serve sempre e não perguntes mais.
(Francisco Cândido Xavier por Meimei. In: Amizade)
Leia mais: http://www.cacef.info/news/caminho-da-paz

Medo e Mediunidade

- Gosto das reuniões espíritas, contudo, tenho medo de comparecer...
- Sinto a mediunidade, mas temo...
- Creio racionalmente no Mundo dos Espíritos, entretanto, não posso nem pensar seja possível que um espírito me apareça...
Se surgem comumente confissões quais essas, é preciso anotar que elas exprimem apenas reduzido número daquelas criaturas que dizem com franqueza o que pensam. Quantos médiuns se afastam em silêncio da ação edificante a que foram chamados e só os Amigos da Espiritualidade lhes testemunham o medo inconfessável, a lhes enrodilhar nos corações por visco entorpecente!
Sim! Um dos muitos tipos de medianeiros frustrados no intercâmbio espiritual e que escapam até agora de toda classificação é o médium medroso.
As pessoas impressionáveis quase sempre revelam espontâneas suscetibilidades incluindo naturalmente o medo por um dos agentes essenciais da sensibilização mediúnica. Complexadas por algum fato ou conversa ouvida, leitura ou referência que lhes vincaram a emotividade, alimentam terror pânico e difuso ante o exercício das faculdades psíquicas, sem qualquer razão de ser.
Sertifiquem-lhes de que o medo é uma espécie de braço invisível, frenando inutilmente legiões de trabalhadores valorosos à margem do serviço. Fobia, - muitas vezes derivada de atitudes infantis -, é necessário saibamos curá-la, pela medicação do amor fraternal e do esclarecimento lógico, sem perder de vista que a ocorrência mediúnica é manifestação de espírito para espírito igual aos sucessos corriqueiros da vida terrestre.
Médium, se o medo é o teu problema individual, no que respeita à prática medianímica, situa na construção da fé raciocinada a ,melhoria a que aspiras!
A coerência com os princípios que esposamos ensina-nos que a criatura de fé verdadeira nada teme, senão a si própria, atenta que vive às fraquezas pessoais. Em razão disso, é correto receares simplesmente a ti mesmo, em todos os sentimentos que ainda não conseguiste disciplinar.
Se não te amedrontas face à condição de intérprete para a troca verbal entre criaturas que versam idiomas diferentes por que temer a posição de instrumento entre pessoas domiciliadas em esferas diferentes, carecidas da cooperação mediúnica?
Por que motivo te assustares diante dos desencarnados, que são, na essência, personalidades iguais a ti mesmo?
Espíritos benevolentes e esclarecidos são mentores preciosos que merecem apreço e espíritos doentes ou infelizes não devem ser temidos, por necessitados de mais amor.
Medo é inexperiência.
Corrige-te, através do labor mediúnico, raciocinado com o Evangelho Vivo e perseverando na tarefa de fraternidade.
Na edificação doutrinária, onde se objetiva o intercâmbio puro com as Esferas Superiores, todos os companheiros se esforçam na garantia dos bons pensamentos e assistência espiritual se levanta de preces sinceras sendo, portanto, num templo espírita, o local em que a pessoa humana cousa alguma deve temer, por encontrar aí as fontes de seu próprio consolo e sustentação.
Não te admitas incapaz de dominar o medo perante as efusões do reino da alma. Reage contra qualquer receio infundado, mantendo-te na tranqüilidade da confiança, no desassombro da fé, na leitura edificante e na meditação construtiva e, ao fazeres a tua parte na supressão de semelhante fantasma íntimo, reconhecerás que os benfeitores da Vida Maior te farão descobrir na lavra mediúnica o áureo caminho da verdade e o portal sublime do amor.

 André Luiz - Do livro: Opinião Espírita, Médiuns: Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira
Por:CE Caminhos de Luz