domingo, 3 de abril de 2011

Com Deus eu me deito....

Numa antiga oração popular, ensinada às crianças para que seja orada antes de dormir, encontramos uma expressão muito interessante:
"Com Deus me deito, com Deus me levanto..."
Eis então algumas considerações importantes inspiradas neste costume:
"Com Deus me deito..."
Que importante anelo para alguém que se prepara para o sono!
Tendo em vista que ao dormir, ao se penetrar o universo do sono e dos sonhos, ninguém pode garantir a qualidade deste transe, a harmonização com Deus faz-se fundamental.
Cada pessoa que se desprende do corpo físico, passa a travar contato com os variados tipos espirituais.
Amigos uns, inimigos outros, comparsas do pretérito reencarnatório, incontáveis.
Por causa disso, torna-se primordial criar-se o hábito benfazejo de orar, antes de dormir, entregando a mente, os raciocínios e os sentimentos às mãos do Criador.
Quando alguém mergulha nesse rio do sono, não tem idéia de com quem deparará.
É o que nos ajuda a entender os sonhos suaves, cheios de estesias, repletos de alegrias, que levam muita gente a dizer que chega a ter vontade de não despertar.
Há, por outro lado, os conhecidos pesadelos, que não são, senão, o resultado do contato angustiante e perturbador com adversários ou inimigos, cobradores, em vários níveis, das condutas daquele que dorme.
Deitar-se com Deus, então, transforma-se em providência muito feliz, com o fito de libertar-se de qualquer perseguição sombria.

"Com Deus me levanto..."
Em realidade, a referência é ao ato de despertar do sono.
É fundamental alguém aprender a levantar-se com Deus, num mundo em que, de costume, muitos indivíduos anseiam por levantar-se admitindo a não necessidade de cogitar Deus.
Quantos indivíduos, caídos na rua da amargura, rogam a ajuda divina para erguer-se da dificuldade em que se acham?
Mãos anônimas, mãos amigas, benfeitores humanos, socorristas encarnados, atendentes sociais, todo este plantel de almas do bem representa a presença de Deus junto aos irmãos que sofrem.
Tanto caminho, tanta ajuda, tanto apoio impulsionarão o sofredor para que ele se levante, e se levante com Deus.
Quantos experimentam dramas econômico-financeiros, fazendo-se endividados, inadimplentes, desgastados sociais, desacreditados, muito embora a sua honestidade, a sua consciência dos próprios deveres?
Esses companheiros anseiam pelo socorro de amigos e de instituições bancárias que lhes retirem do pescoço o nó, que lhes ofertem algum oxigênio.
Assim livrando-os da sufocação em que se acham, para que se levantem, e se levantem com Deus.
Qualquer que seja a queda humana, material ou moral, a possibilidade de levantar-se com Deus, com o apoio do Mundo Superior, será sempre a melhor maneira de se levantar no Planeta.

A oração é uma das melhores maneiras de nos colocarmos em sintonia com os amigos espirituais.
Eis um hábito muito salutar: travar conversas constantes, onde quer que estejamos, com nosso Espírito Protetor, e com os Espíritos afins que nos acompanham diariamente.
Mantendo-nos em sintonia com os bons Espíritos, através de pensamentos elevados, de alegria, gratidão e amor, conseguiremos ouvir suas inspirações, e delas nos utilizarmos para nosso bem.
Contemos mais com este recurso fabuloso que temos: a prece, e nos surpreendamos com os bons resultados obtidos.

Texto da Redação do Momento Espírita com base no cap. "Levanta-te com Deus", do livro Em nome de Deus, do Espírito José Lopes Neto, psicografado por Raul Teixeira, ed. Fráter.

Deus

Sempre houve, em todas as épocas, em todos os povos, a idéia da existência de um ser, além da matéria, orientando a vida dos homens. Este ser superior sempre foi caracterizado de acordo com as limitações e necessidades dos diferentes povos e tempos. O homem carrega dentro de si um sentimento intuitivo da existência de Deus
Que é Deus ?

Em primeiro lugar devemos notar a perspicácia de Kardec ao formular esta pergunta aos espíritos superiores que lhe assistiram na codificação da Doutrina. Ele não perguntou Quem é Deus, mas Que é Deus, partindo assim, do princípio de que Deus não é um ser como nós homens. Os espíritos lhe responderam que “Deus é a inteligência suprema, causa primeira de todas as coisas.”

“Deus, acima de tudo justo, governa o Universo por intermédio de princípios imutáveis e perfeitos, conhecidos coletivamente pelas Leis de Deus ou Lei Divina. Ela provê a ordem, corrigindo os abusos permitidos; a desordem é local e transitória”.

A inferioridade das faculdades do homem não lhe permite compreender a natureza íntima de Deus. Sendo assim, todas as definições tornam-se insuficientes, incompletas e de certo modo induzem ao erro. Lentamente, através de sua evolução espiritual, o homem começará a entrever o verdadeiro significado da palavra  Deus.

Provas da existência de Deus

Observando-se a grandiosidade do micro ao macrocosmo, deduz-se a existência de uma suprema e soberana inteligência, infinita em todas a suas perfeições.  Seja na Terra, nos esplendores da vida que se expande em sua superfície, em suas planícies, vales,  montanhas  e mares, que a morada terrestre oferece, seja na potente máquina do Universo que se agita silenciosamente nos bilhões de astros que o compõem, revela-se e manifesta-se a todo momento a presença divina: perfeita e inteligente.

Atribuir a maravilhosa obra da criação ao acaso seria um contra-senso pois que o acaso é cego, na verdade, não é nada,  não podendo assim produzir os efeitos da  inteligência. Um acaso inteligente não seria mais um acaso.
Partimos então do princípio de causa e efeito. Para todo efeito inteligente existe uma causa inteligente.  Sabe-se  que a inteligência humana não é a causa da vida,  nem suficiente para manter ou conservar o poder da vida.

Conhece-se um provérbio: pela obra se conhece o artífice.
A Doutrina Espírita demonstra a existência de Deus sem alegorias, com sentido claro e preciso, de maneira que  não possa ser objeto de falsas interpretações.

O homem não deve procurar Deus nos templos de pedra ou de mármore e sim no templo eterno da Natureza, no espetáculo dos mundos a percorrerem o infinito, e principalmente no templo vivo de sua consciência que somente precisa desenvolver suas percepções para reconhecê-lo.
Atributos de Deus
A linguagem humana é impotente para exprimir o que seria Deus uma vez que o homem utiliza termos e nomes limitados em seus conceitos, limitando desta  forma o que é infinito. Não dispondo de expressões mais adequadas, o homem atribui à Deus as suas perfeições que de seu (ainda restrito) ponto de vista consegue elaborar. São elas:

•   eterno - se tivesse tido um começo teria saído do nada, ou teria sido criado, ele mesmo, por um ser anterior.
   
•   imutável - se estivesse sujeito às mudanças, as leis que regem o Universo,  não teriam estabilidade nenhuma.
   
•   imaterial - sua natureza difere de tudo que chamamos de matéria, de outro modo ele não seria imutável, pois estaria sujeito às transformações da matéria.
   
•   único - se houvessem vários Deuses não haveria unidade de visão,  nem unidade de poder na ordenação do Universo.
   
•   todo poderoso - porque é único, onipotente, com soberano poder; caso contrário haveria alguma coisa mais poderosa ou com poder igual,  sendo  assim não teria feito todas as coisas e as que não tivessem sido obra  sua  seriam  de um outro deus.
   
•   soberanamente bom e justo - comprovado pelas suas leis que revelam nas menores coisas, como também nas maiores, a grandiosidade de sua bondade e justiça.

Leme e Motor

  Não podia ser de outra forma: somos criados simples e ignorantes, porém dotados de livre arbítrio, que se expande à medida que vamos caminhando no carreiro evolutivo... A meta é a perfeição, vez que esboços imperfeitos não fazem parte dos planos divinos.

De acordo com os Benfeitores Espirituais, "nessa perfeição é que encontraremos a pura e eterna felicidade. Passando pelas provas que Deus nos impõe é que adquiriremos o conhecimento que nos levará àquela meta. Evidentemente uns aceitam, submissos, essas provas e chegam mais depressa ao destino glorioso que lhes foi assinalado pelo Pai Celestial; outros só a suportam murmurando e, pela falta em que desse modo incorrem, permanecem afastados da perfeição e da prometida felicidade".

O Mais Alto arregimenta todos os recursos possíveis para o bom êxito de tal desiderato, convocando os Benfeitores Amigos a estarem em permanente alerta, disponibilizando o que for necessário para a conquista da vitória final. E, em meio às lições, vamos, pouco a pouco, vencendo o percurso...

Não fica difícil concluir que a solidariedade deve ser a tônica de nossa longa caminhada.... Por conhecer todos estes fatos, Emmanuel escreveu  para todos nós, os retardatários da evolução:

"Perto, muito perto de ti, estão todos aqueles que já te precederam na viagem da morte. Aqueles que subiram para o alto dos montes se referem à luz; entanto, os que desceram para as furnas do vale agitam-se na sombra.

Quantos se sublimaram, no suor do serviço, mostram que vale a pena lutar e padecer, para que o bem se faça, e apelam para o bem, porque Deus é amor.

Contudo, os que se agarram às paixões inferiores mergulham-se nas trevas, como seres do lodo, e, em largo desespero, convidam para o mal, a que se prendem, fracos, em tremenda ilusão.

Todos os que marcharam no extremo auxílio aos outros te ensinam, paciente, a converter os espinhos em roseirais eternos, mas quantos desprezaram as criaturas irmãs, no apego desvairado à posse de si mesmos, induzem-te a fazer de rosas passageiras duros espinheirais; portanto, não podemos ser indiferentes, vez que no lar do pensamento, estamos todos juntos e cada Espírito escolhe a força em que se inspira.

O sentimento guia...o raciocínio manda-Emmanuel

sábado, 2 de abril de 2011

Medo

           O medo pode ser definido como um estado psíquico de inquietação constante, agitação ou impaciência diante de um perigo real ou imaginário.
            O medo racional é saudável e necessário em nossa vida. Ele nos protege de nossa impulsividade e de nossos atos irrefletidos.
            No entanto, quando o medo é patológico, torna-se destrutivo e tem como resultado a imobilidade de nossas forças mais íntimas.
            Eis alguns sintomas emocionais de temores que nos complicam a existência:
•        Agitação mental – incapacidade de relaxar e silenciar internamente, sendo preciso reler a mesma página diversas vezes.
•        Pessimismo e insegurança – hesitação pertinaz em face não só das grandes como também das pequenas decisões existenciais.
•        Dissociação mental – esquecimento constante das coisas mais naturais e simples do cotidiano.
•        Agressividade exagerada – irritação contínua com tendência a atacar gratuitamente os outros com ofensas e insultos.
•        Vulnerabilidade – sensação freqüente de melancolia, como choro fácil e atmosfera de perseguição contumaz.
•        Comportamento compulsivo – uso de atos ritualísticos propensos ao perfeccionismo; início de várias atividades ao mesmo tempo sem termino de nenhuma.
•        Aura de fracasso – desculpa por qualquer coisa e sentimento de humilhação constante na frente dos outros.
•        Falta de motivação – crises de perda de interesse pela vida, sensação de desânimo.
•        Mente exaurida – isolação da vida social. A criatura só executa o que é estritamente necessário para a sua manutenção diária.
Não podemos afirmar que todos esses sintomas estão relacionados apenas como medo, mas, quando algum deles ocorrer, é necessário estarmos alerta, pois o medo pode está servindo de base às nossas emoções e atitudes perante a vida.
            No espiritismo, encontramos as ferramentas essenciais e as técnicas sensatas para utilizar o medo na proporção certa e apropriada diante de cada fato ou acontecimento que tivermos de enfrentar.
            O temor pode ser um ácido que venha consumir desnecessariamente nossas energias vitais. Entretanto não podemos esquecer que “Se Deus está conosco, quem estará contra nós?”.

Apelo à união

Em nossa Doutrina Redentora, as campanhas de assistência são inegavelmente as mais variadas.
Temos as que favorecem os recém-nascidos, relegados ao desamparo, as da sopa dedicada aos famintos da jornada humana, as de socorro aos companheiros obsidiados que reúnem os caracteres firmes e os corações generosos a benefício dos alienados mentais, as do cobertor para as noites enregelantes do inverno, visando ao reconforto daqueles irmãos sitiados na carência de recursos terrestres, as dos ambulatórios que se abrem acolhedores em favor dos doentes, dos feridos e dos angustiados de todas as procedências, as do remédio gratuito e valioso, que objetivam o alívio dos enfermos necessitados e temos ainda aquelas das conferências públicas que veiculam o conhecimento doutrinário para a ignorância das criaturas que tateiam ainda nas sombras da inteligência.

Dispomos dos mais diversos movimentos de caridade para os quais há sempre bolsas abertas e braços amigos, trabalhando na redenção do próximo, principalmente na salvação do equilíbrio orgânico dos nossos companheiros de Humanidade.

Entretanto, seria de todo muito oportuna uma campanha mais vasta, da qual participem os nossos sentimentos mais dignos, favorecendo-nos a união no campo do Espiritismo.

Não nos reportamos à união dos pontos de vista, porque a igualdade do pensamento é francamente impraticável.

Cada Espírito observa o painel do mundo, conforme a visão que já conseguiu descerrar no campo de si mesmo e cada alma repara as manifestações da Vida, segundo o degrau evolutivo em que se coloca.

Referimo-nos à união fraternal, através da tolerância construtiva e cristã, por intermédio da desculpa automática a todas as pequeninas ofensas e a todas as insignificantes incompreensões do caminho, para que a bandeira renovadora de nossa fé não se perca na escura província do tempo perdido.

União, através da prece que auxilia em silêncio, do gesto que ajuda sem alarde, da atitude que ampara sem ruído e da língua capaz de estender o amor de Jesus no combate sistemático à maledicência, à calúnia, à perturbação, à indisciplina e à desordem...

Ninguém imagina, nas leiras de serviço em que a convicção espírita deve servir infatigavelmente, quanto nos dói o tempo desaproveitado, depois que o corpo de carne – a enxada sublime – nos escapa das mãos espirituais.

Indiscutivelmente, é preciso haver perdido a oportunidade para que o valor dela se nos apresente tal qual é, aos olhos da mente acordada nos compromissos que esposamos diante do Cristo.

Em verdade, não disponho de elementos intelectuais para a criação de muitas imagens, em torno da tese que nos serve de assunto nesta visita rápida, contudo, reconhecemos-lhe a imensa importância.

Por isso mesmo, encerramos a nossa conversação despretensiosa, rogando a Jesus nos desperte o entendimento para que a comunhão fraternal seja, de fato, uma campanha que venha a merecer de todos nós, desencarnados e encarnados, no Espiritismo com Jesus, a fiel atenção que será justo consagrar-lhe, para que as nossas horas, no dia de hoje, não estejam amanhã vazias com os tristes seios da inutilidade que denominamos “remorso” e “arrependimento”.

 Pedro da Rocha Costa foi antigo seareiro de nossa Doutrina Consoladora na cidade de Cachoeiro do Itapemirim, Estado do Espírito Santo, onde desencarnou. A mensagem acima foi transmitida na noite de 12/4/1956 por intermédio de Francisco Cândido Xavier e faz parte do livro Vozes do Grande Além, obra ditada por Espíritos Diversos

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Lesões afetivas

        Um tipo de conselho raramente lembrado: o respeito que devemos uns aos outros na vida particular.
        Caro é o preço que pagamos pelas lesões afetivas que provocamos nos outros.
        Nas ocorrências da Terra de hoje, quando se escreve e se fala tanto, em torno de amor livre e de sexo liberado, muitos poucos são os companheiros encarnados que meditam nas consequências amargas dos votos não cumpridos.
        Se habitas um corpo masculino, conforme as tarefas que te foram assinaladas, se encontraste essa ou aquela irmã que se te afinou com o modo de ser, não lhe desarticules os sentimentos, a pretexto de amá-la, se não estás em condição de cumprir a própria palavra, no que tange a promessas de amor. E se moras presentemente num corpo feminino, para o desempenho de atividades determinadas, se surpreendeste esse ou aquele irmão que se harmonizou com as tuas preferências, não lhe perturbes a sensibilidade sob a desculpa de desejar-lhe a proteção, caso não estejas na posição de quem desfruta a possibilidade de honorificar os próprios compromissos.
        Não comeces um romance de carinho a dois, quando não possas e nem queiras manter-lhe a continuidade.
        O amor, sem dúvida, é lei da vida, mas não nos será lícito esquecer os suicídios e homocídios, os abortos e crimes na sombra, as retaliações e as injúrias que dilapidam ou arrasam a existência das vítimas, espoliadas do afeto que Ihes nutria as forças, cujas lágrimas e aflições clamam, perante a Divina Justiça, porque ninguém no mundo pode medir a resistência de um coração quando abandonado por outro e nem sabe a qualidade das reações que virão daqueles que enlouquecem, na dor da afeição incompreendida, quando isso acontece por nossa causa.
        Certamente que muitos desses delitos não estão catalogados nos estatutos da sociedade humana; entretanto, não passam despercebidos nas Leis de Deus que nos exigem, quando na condição de responsáveis, o resgate justo.
        Tangendo este assunto, lembramo-nos automaticamente de Jesus, perante a multidão e a mulher sofredora, quanto afirmou, peremptório: "aquele que estiver isento de culpa, atire a primeira pedra".
        Todos nós, os espíritos vinculados à evolução da Terra, estamos altamente compromissados em matéria de amor e sexo, e, em matéria de amor e sexo irresponsáveis, não podemos estranhar os estudos respeitáveis nesse sentido, porque, um dia, todos seremos chamados a examinar semelhantes realidades, especialmente as que se relacionem connosco, que podem efetivamente ser muito amargas, mas que devem ser ditas.

Livro: Momentos de Ouro
Emmanuel & Francisco Cândido Xavier

Responsabilidade no Matrimônio

        Interrogam muitos discípulos do Evangelho: não é mais lícito o desquite ou divórcio, em considerando os graves problemas conjugais, à manutenção de um matrimônio que culmine em tragédia? Não será mais conveniente uma separação, desde que a desinteligência se instalou, ao prosseguimento de uma vida impossível? Não têm direito ambos os cônjuges a diversa tentativa de felicidade ao lado de outrem, já que não se entendem?

        E muitas outras inquirições surgem, procurando respostas honestas para o problema que dia-a-dia mais se agrava e avulta.

        Inicialmente, deve ser examinado que o matrimônio, em linhas gerais, é uma experiência de reequilíbrio das almas no orçamento familiar. Oportunidade de edificação sob a bênção da prole - e, quando fatores naturais coercitivos a impedem, justo se faz abrir os braços do amor espiritual às crianças que gravitavam ao abandono - para amadurecer emoções, corrigindo sensações e aprendendo fraternidade.

        Não poucas vezes os nubentes, mal preparados para o consórcio matrimonial, dele esperam tudo, guindados ao paraíso da fantasia, esquecidos de que esse é um sério compromisso, e todo compromisso exige responsabilidades recíprocas a benefício dos resultados que se deseja colimar.

        A "lua de mel" é imagem rica de ilusão, porquanto, no período primeiro do matrimônio, nascem traumas e receios, frustrações e revoltas que, despercebidos, quase a princípio, espocam mais tarde em surdas guerrilhas ou batalhas lamentáveis no lar, em que o ódio e o ciúme explodem descontrolados, impondo soluções, sem dúvida, que sejam menos danosas do que as trágicas.

        Todavia, há que meditar, no que concerne aos compromissos de qualquer natureza, que a sua interrupção somente adia a data da justa quitação. No casamento, não raro, o adiamento promove o ressurgir do pagamento em circunstâncias mais dolorosas no futuro em que, a pesadas renúncias e a fortes lágrimas, somente, se consegue a solução.

        Indispensável que para o êxito matrimonial sejam exercidas singelas diretrizes de comportamento amoroso.

        Há alguns sinais de alarme que podem informar a situação de dificuldade antes de agravar a união conjugal:

           - silêncios injustificáveis quando os esposos estão juntos;
          -  tédio inexplicável ante a presença do companheiro ou da companheira;
         -   ira disfarçada quando o consorte ou a consorte emite uma opinião;
          - saturação dos temas habituais, versados em casa, fugindo para intérminas leituras de jornais ou inacabáveis novelas de televisão;
         -   irritabilidade contumaz sempre que se avizinha do lar;
         -   desinteresse pelos problemas do outro;
           - falta de intercâmbio de opiniões;
          -  atritos contínuos que ateiam fagulhas de irascibilidade, capazes de provocar incêndios em forma de agressão desta ou daquela maneira...
            e muitos outros mais.

        Antes que as dificuldades abram distâncias e os espinhos da incompreensão produzam feridas, justo que se assumam atitudes de lealdade, fazendo um exame das ocorrências e tomando-se providências para sanar os males em pauta.

        Assim, a honestidade lavrada na sensatez, que manda "abrir-se o coração" um para com o outro, consegue corrigir as deficiências e reorganizar o panorama afetivo.

        É natural que ocorram desacertos. Ao invés, porém, de separação, reajustamento.

        A questão não é de uma "nova busca", mas de redescobrimento do que já possui.

        Antes da decisão precipitada, ceder cada um, no que lhe concerne, a benefício dos dois.

        Se o companheiro se desloca, lentamente, da família, refaça a esposa o lar, tentando nova fórmula de reconquista e tranqüilidade.

        Se a companheira se afasta, afetuosamente, pela irritação ou pelo ciúme, tolere o esposo, conferindo-lhe confiança e renovação de idéias.

        O cansaço, o cotidiano, a apatia são elementos constritivos da felicidade.

        Nesse sentido, o cultivo dos ideais nobilitantes consegue estreitar os laços do afeto e os objetivos superiores unem os corações, penetrando-os de tal forma, que os dois se fazem um, a serviço do bem. E em tal particular, o Espiritismo - a Doutrina do Amor e da Caridade por excelência - consegue renovar o entusiasmo das criaturas, já que desloca o indivíduo de si mesmo, ajuda-o na luta contra o egoísmo e concita-o à responsabilidade ante as leis da vida, impulsionando-o ao labor incessante em prol do próximo. E esse próximo mais próximo dele é o esposo ou a esposa, junto a quem assumiu espontaneamente o dever de amar, respeitar e servir.

        Assim considerando, o Espiritismo, mediante o seu programa de ideal cristão, é senda redentora para os desajustados e ponte de união para os cônjuges, em árduas lutas, mas que não encontraram a paz.


Livro: SOS Família
Joanna de Ângelis & Divaldo P. Franco